Os bastidores do cardápio do show de Mariah Carey em Belém

Tucupi, pirarucu e cacau foram algumas matérias-primas amazônicas servidas durante o espetáculo, com refeições orquestradas pelo paraense Saulo Jennings

Daniela Filomeno, do Viagem & Gastronomia, Belém (PA)
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Um palco flutuante, música no coração da floresta e uma mensagem clara para o mundo: a Amazônia precisa continuar em pé. Esse foi o espírito do Amazônia Live – Hoje e Sempre, espetáculo que uniu arte, cultura e sustentabilidade nesta quarta-feira (17) direto do Rio Guamá, em Belém.

O especial de TV, criado pelos mesmos idealizadores do Rock in Rio e do The Town, teve shows de Mariah Carey e de nomes paraenses, como Dona Odete, Joelma, Gaby Amarantos e Zaynara.

Quem deu sabor a todo esse manifesto foi outra estrela local, o chef Saulo Jennings, Embaixador Gastronômico da ONU Turismo. Ele assinou o cardápio servido aos profissionais e parceiros do projeto, que ocuparam a balsa posicionada em frente ao palco, em formato de vitória-régia.

Queijo coalho, tucupi, pirarucu, castanhas e cacau foram algumas das matérias-primas paraenses e amazônicas degustadas pelos convidados. Saulo serviu receitas sob o conceito de "cuiafood", que dialoga com a gastronomia de Belém.

"O menu foi inspirado pelo povo da floresta. A nossa gastronomia é resiliência, resistência e força. É sobre o povo que pesca, que colhe, que extrai e que sobe o açaizeiro. Todo esse espírito está dentro destas cuias", contou o chef.

Pratos servidos

O menu foi servido em três etapas. Nas entradinhas, destaque para a linguiça de pirarucu com mel de tucupi e vinagrete, assim como o miniespetinho de queijo coalho com tomate confit, melaço de tucupi preto e castanhas.

Entre os pratos principais, servidos nas cuias defendidas por Saulo, destacaram-se o arroz de pato e a salada vitória-régia.

Fechando o menu, as sobremesas incorporaram ingredientes célebres da região. O cacau apareceu no doce “Floresta Amazônica”, que levou creme de cupuaçu e ganache de chocolate da floresta. Outra opção foi o sorvete de açaí com farinha de tapioca.

"É um cardápio em forma de manifesto, com intenção de preservar a Amazônia e suas famílias ribeirinhas, a floresta, a fauna e os rios", completou Saulo, que mantém dois restaurantes em Belém, além de um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Suas raízes, porém, estão em Santarém, onde criou todo um ecossistema. Ali há a Casa do Saulo original, restaurante na Praia de Carapanari com direito a hospedagem, os Bangalôs de Selva, além de dois barcos que saem pelos rios da região. No dia a dia, além de servir a sua comida tapajônica, ele vem ensinando comunidades a fazer um turismo sustentável, a exemplo do manejo do pirarucu.

Assista ao CNN Viagem&Gastronomia pelos arredores de Santarém, no Pará: 

Na mira da COP30

O Amazônia Live antecipa o debate da COP30, que acontece aqui mesmo, em Belém, ao longo de novembro, colocando a floresta amazônica no centro das discussões globais sobre o clima.

O projeto inclui um documentário e ações concretas, como um edital de R$ 2 milhões voltado à bioeconomia, empreendedorismo e povos da floresta no Pará. O objetivo é levar ao mundo uma imagem potente da Amazônia e mostrar que proteger a floresta passa, antes de tudo, pela valorização dos povos originários, assim como pela construção de soluções reais no combate às mudanças climáticas.

E a programação não terminou. No dia 20 de setembro, um festival gratuito no Estádio do Mangueirão leva agito a Belém com a proposta de mobilizar a população local a favor da floresta. Quem comanda a festa é Ivete Sangalo, além de Viviane Batidão, Lia Sophia e a Orquestra Jovem Vale Música.

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