5 lugares para ver arte rupestre no Brasil, do Piauí a Minas Gerais
Sítios arqueológicos com arte rupestre são reconhecidos como patrimônios arqueológicos e culturais por ajudarem a contar a história da presença humana nas Américas

Antes dos museus existirem, a arte já acontecia por aqui. E não de forma tímida. Espalhadas pelo Brasil, existem pinturas feitas há milhares de anos, registrando cenas, gestos, símbolos e histórias de um tempo em que o mundo era outro, mas a necessidade humana de se expressar já era a mesma.
Essas imagens foram feitas por povos originários usando pigmentos naturais retirados da própria terra: minerais ricos em ferro, carvão, argila, plantas e até gordura animal. Muitos desses desenhos sobreviveram por milhares de anos porque ficaram protegidos em paredões rochosos, cavernas e regiões de clima mais seco.
Impressiona pensar que alguém encostou a mão naquela pedra há cinco, 10, 20 mil anos e que aquele gesto ainda continua ali.
Mais do que desenhos, a arte rupestre funciona quase como um arquivo da humanidade. As cenas mostram caçadas, rituais, danças, animais, deslocamentos e relações coletivas. São pistas sobre como esses grupos viviam, observavam a natureza e entendiam o mundo ao redor.
Hoje, muitos desses lugares são considerados patrimônios arqueológicos e culturais importantíssimos, alguns reconhecidos pela Unesco, porque ajudam a contar não só a história do Brasil, mas a própria história da presença humana nas Américas.
A seguir, confira cinco lugares para ver arte rupestre no Brasil:
1. Serra da Capivara (Piauí)

Com pinturas que retratam cenas narrativas cheias de movimento, a Serra da Capivara, no sul do Piauí, talvez seja o exemplo mais impressionante de arte rupestre no Brasil e um dos mais importantes do mundo. O Parque Nacional Serra da Capivara, um Patrimônio Mundial pela Unesco, reúne milhares de registros feitos há milhares de anos, alguns associados a vestígios humanos antiquíssimos, mostrando cenas de caça, dança, animais e cotidiano.
Muitas dessas imagens foram criadas com pigmentos naturais à base de minerais e seguem preservadas até hoje graças ao clima seco e à proteção das rochas. Tem algo muito potente aqui: é como se fossem os primeiros "quadrinhos" da humanidade. Dá vontade de parar e tentar entender o que aquelas cenas ainda querem nos contar.
Parque Nacional da Serra da Capivara: todas as informações sobre endereço, visita e horários estão disponíveis no site. A entrada é gratuita.
2. Parque Nacional Serra das Confusões (Piauí)

Ainda no Piauí, no sudoeste do estado, a mais de 600 km da capital Teresina, a Serra das Confusões oferece uma experiência completamente diferente, com grafismos e figuras mais esquemáticas. O parque é conhecido pelas formações rochosas gigantes que criam caminhos estreitos, paredões e paisagens que realmente parecem um labirinto natural, daí vem o nome "Confusões".
A região é bem pouco movimentada e passa uma sensação de ser quase intocada. Além dos sítios arqueológicos e pinturas rupestres, o lugar impressiona pela escala da paisagem, pelos cânions e pelo silêncio. A sensação é menos de turismo e mais de exploração.
Parque Nacional Serra das Confusões: Rua João Dias, 398, Centro - Caracol, Piauí (endereço ICMBio) / Entrada gratuita / Mais informações no Instagram.
3. Parque Nacional de Sete Cidades (Piauí)

No Parque Nacional de Sete Cidades, a paisagem já começa surpreendendo com formações naturais que parecem ruínas de cidades de pedra. E, no meio delas, há inscrições rupestres que reforçam essa mistura de natureza e imaginação. Parece cenário de outro planeta, mas com presença humana antiquíssima. Aqui, destacam-se símbolos geométricos marcantes.
O parque fica no nordeste do estado, nos municípios de Piracuruca e Brasileira, a cerca de 190 km de Teresina.
Parque Nacional de Sete Cidades: todas as informações sobre endereço, visita e horários estão disponíveis no site / Entrada gratuita.
4. Lagoa Santa (Minas Gerais)

Seguindo para Minas Gerais, a região de Lagoa Santa, na área metropolitana de Belo Horizonte, guarda um outro tipo de importância. Aqui foi encontrado o fóssil de Luzia, o fóssil humano mais antigo já encontrado nas Américas. As pinturas são mais discretas, mas o peso histórico é enorme. Mais do que impressionar pela estética, esses registros nos conectam a uma presença humana que remonta a milhares de anos. O diferencial da região é que são encontradas pinturas de muitos zoomorfos.
A Lapa do Sumidouro, no Parque Estadual do Sumidouro, é uma das principais atrações de arte rupestre da região, com acesso por meio de trilhas. Já a Lapa Vermelha também guarda relíquias: famosa por ser o local onde o crânio de Luzia foi encontrado, o paredão rochoso possui pinturas rupestres com representações estilizadas de animais e outras grafias marcantes.
Lapa do Sumidouro: dentro do Parque Estadual do Sumidouro / Todas as informações sobre visitas, horários e ingressos estão disponíveis no site.
Lapa Vermelha: dentro da Unidade de Conservação Estadual - Monumento Natural Estadual Lapa Vermelha / Local voltado a pesquisadores e estudiosos / Mais informações no site.
5. Chapada Diamantina (Bahia)

Na Chapada Diamantina, a arte aparece quase como surpresa, com grande variedade de cores e estilos. No meio de trilhas e paisagens que já são incríveis por si só, surgem paredões com pinturas rupestres em lugares como o Parque Arqueológico Serra das Paridas e o Morro do Chapéu.
No município de Lençóis, a Serra das Paridas abriga quatro sítios com artes rupestres, mas só um deles está aberto para visitação, reunindo mais de mil pinturas.
Mais do que reunir dezenas de painéis, o que impressiona é o encontro. É sobre caminhar e, de repente, perceber que alguém esteve ali milhares de anos antes de nós e que deixou uma marca para a humanidade.
Serra das Paridas: Serra das Paridas Complexo Arqueológico Zona Rural, Lençóis - BA, 46960-000 / Tel.: (75) 99963-1269 / Funcionamento: todos os dias, das 8h às 18h / Taxa de visitação de R$ 60 / Mais informações no site.
*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.
Sobre Ana Luiza Brant

Formada em Comunicação e Audiovisual, além de ser Art Advisor e empreendedora no ramo cultural, Ana Luiza Brant atua com arte contemporânea desde 2011. Desenvolveu projetos voltados à difusão da arte e à ampliação do acesso ao universo artístico, explorando as possibilidades do ambiente digital para aproximar novos públicos e tornar a arte mais presente no cotidiano. Em 2019, fundou o Culture Kids, projeto dedicado a despertar o interesse das crianças pela arte, cultura e criatividade. A iniciativa busca ampliar o repertório das novas gerações. Seu trabalho cria pontes entre o público e o universo artístico de forma acessível, envolvente e significativa. Ana acredita na arte como uma linguagem universal, capaz de inspirar, transformar e ampliar as formas de ver e compreender o mundo e também de olhar para nós mesmos.


