Caminhos da Ibiapaba: a trilha de 180 km que cruza 3 biomas no Nordeste

Nova rota de ecoturismo atravessa serras, cavernas, sítios arqueológicos e áreas preservadas entre Ceará e Piauí

CNN Viagem & Gastronomia, do Viagem & Gastronomia
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O Nordeste brasileiro ganhou uma nova rota para amantes de ecoturismo e de grandes caminhadas. Batizada de Caminhos da Ibiapaba, a nova trilha de longo curso conecta os estados do Ceará e do Piauí em uma travessia de cerca de 180 quilômetros, cruzando paisagens de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica em um mesmo percurso.

Inaugurada oficialmente em fevereiro, é considerada a primeira trilha de longo curso homologada pela Rede Nacional de Trilhas a atravessar a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. Dividida em 13 trechos, integra os municípios cearenses de Tianguá, Ubajara e Ibiapina, e as cidades piauienses de São João da Fronteira, Brasileira e Piracuruca.

Segundo informações dos canais oficiais do governo, o trajeto está totalmente sinalizado de acordo com o padrão nacional, caracterizado por pegadas amarelas e pretas, com uma estrutura especial pensada para caminhantes e cicloturistas.

De acordo com os organizadores, os trechos foram redesenhados para priorizar áreas sombreadas, paisagens naturais e pontos de interesse turístico. Dentro do Parque Nacional de Ubajara, por exemplo, cerca de 40 quilômetros tiveram o traçado reformulado para reduzir a passagem por áreas urbanizadas e estradas.

O percurso acompanha a Serra da Ibiapaba e passa por áreas de grande relevância ambiental e turística. O trajeto tem início no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, um dos parques nacionais mais visitados do país em 2024, e termina no Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí.

Ele atravessa paisagens contrastantes em três biomas diferentes: a Mata Atlântica tropical, a Caatinga seca e o Cerrado biodiverso. 

Percurso da nova trilha

No início da travessia, os andantes podem contemplar as belezas do Parque Nacional de Ubajara, famoso pelas cavernas calcárias, trilhas em mata úmida, mirantes naturais e pelo teleférico que corta a serra. O ambiente é lar do macaco-prego-barbudo, do bugio-da-caatinga (espécie ameaçada de extinção) e do sagui-comum, além da onça-parda.

A rota também percorre a Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba, região estratégica para a preservação ambiental e para a conexão entre diferentes ecossistemas nordestinos. A unidade de conservação federal se estende por mais de 1,6 milhão de hectares entre o Ceará e o Piauí.

Ao longo da caminhada, os visitantes passam por comunidades tradicionais, antigos caminhos de tropeiros, rios, açudes históricos e cidades como Tianguá, Ibiapina, Ubajara, Piracuruca e São João da Fronteira.

Já no fim do caminho, o Parque Nacional de Sete Cidades apresenta formações rochosas monumentais e pinturas rupestres espalhadas pelas pedras. O parque é considerado um dos sítios arqueológicos mais importantes do Piauí.

Destaques da iniciativa

Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo ICMBio, o projeto também busca fortalecer a conservação ambiental e gerar renda para moradores locais por meio do turismo de base comunitária. Segundo o governo federal, pousadas, restaurantes, condutores e empreendimentos locais foram mapeados e integrados à rede oficial da trilha.

A trilha Caminhos da Ibiapaba é agora uma das 22 rotas homologadas no Brasil pela Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas).

A iniciativa brasileira chegou a ser destaque internacional. Jornais como "The Guardian" e a revista "Wanderlust" destacaram a rota em suas publicações para repercutir a aposta brasileira na conservação.

 

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