Sob nova direção, Cordon Bleu Rio vai estreitar laços com gastronomia local
Lucianne Fraga é a nova mandachuva da escola, que vai lançar três cursos rápidos de hits da culinária do Brasil; restaurante Signatures ganhará menu degustação focado em biomas do país

Nova mandachuva da Le Cordon Bleu Rio de Janeiro, Lucianne Fraga assumiu o comando da escola com uma missão clara: estreitar os laços com a gastronomia local para ajudar a difundi-la.
"É uma marca que exala a França, o que aguça o apetite de muitos brasileiros, e o posicionamento até aqui baseava-se nisso", diz a executiva, que ingressou na instituição em março, como gestora de novos negócios, e desde agosto exerce o cargo de diretora de operações.
"Mas a Le Cordon Bleu tem o propósito de ajudar a difundir a gastronomia local das cidades nas quais marca presença. Foi o que fez, com muito sucesso, em capitais como Lima, no Peru, e Tóquio, no Japão", ressalta.

Duas novidades marcam o novo posicionamento da filial carioca, localizada em Botafogo. Uma delas envolve seu restaurante-escola, o Signatures. Este, a partir de 22 de setembro, vai passar a servir um segundo menu degustação, além do tradicional, composto por clássicos franceses. O novo, também com nove etapas, prestará tributo aos biomas brasileiros e será harmonizado só com vinhos nacionais.
A outra novidade? Três cursos rápidos de um dia, com no máximo cinco horas de duração, a respeito de hits da culinária verde-amarela. O foco de um deles é a feijoada, a caipirinha e a comida de boteco em geral. O segundo mergulha em ingredientes amazônicos, enquanto o último é uma imersão no universo das moquecas.
Os turistas estrangeiros são o público-alvo e é por isso que os professores vão ministrar as aulas em inglês, espanhol ou francês. A iniciativa visa preencher uma lacuna: a oferta, ainda reduzida na cidade, de endereços especializados em comida brasileira. A estreia dos cursos está prevista para outubro e a escola está em negociações para oferecê-los, inicialmente, só para os hóspedes de dois hotéis de luxo.
Registre-se que a Le Cordon Bleu Rio, assim como a filial paulistana, já oferece uma formação em comida brasileira. Com duração aproximada de sete meses, aborda processos típicos de cozimento e identificação de ingredientes brasileiros, mergulha em receitas de diversas regiões do país e municia os alunos com técnicas francesas. Custa quase R$ 65 mil.

"O padrão de qualidade do nosso setor está diretamente ligado a um processo de formação constante, e o Rio de Janeiro precisava de instituições com o porte e a credibilidade da Le Cordon Bleu", diz Fernando Blower, presidente do SindRio, o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro. "E é mais que bem-vinda a decisão da escola de se aproximar mais da gastronomia carioca."
Com 35 escolas em 25 países, a Le Cordon Bleu forma, atualmente, cerca de 20 mil alunos por ano. No Brasil, a unidade mais antiga é a paulistana, na Vila Madalena. Inaugurada em 2018, é uma joint-venture entre a instituição francesa e a Ânima Educação, dona da Anhembi Morumbi e da São Judas, entre outras faculdades. A filial carioca, da qual a Le Cordon Bleu é a única dona, abriu as portas no mesmo ano. Tudo somado, as duas unidades brasileiras formaram cerca de dois mil alunos, a um ritmo de 300 por ano.
Da França para o mundo
A Le Cordon Bleu remonta a 1895. A jornalista francesa Marthe Distel (1871-1934) fundou a escola naquele ano, depois de criar uma revista semanal de gastronomia. Falamos da "La Cuisinière Cordon Bleu", que atingiu a marca de 20 mil assinantes. Distel resolveu convidar os leitores para participar de aulas gratuitas de culinária e daí nasceu a escola.
O nome e o logotipo adotados foram inspirados na Chevaliers du Saint Esprit, a ordem de cavalaria instituída em 1578 por Henrique III, que reinou na França de 1574 a 1589. Quem entrava para o grupamento ganhava uma medalha atada a uma fita azul. "Ser um Cordon Bleu", em pouco tempo, virou sinônimo de "chef talentoso".
Em 1984, a entidade foi adquirida por André J. Cointreau, responsável pela internacionalização da escola. Ele descende, pelo lado materno, do criador do conhaque Rémy Martin — e, pelo lado paterno, do fundador do licor Cointreau. É quem exerce o cargo de CEO da Le Cordon Bleu.
Fraga veio do mundo da gastronomia. Antes de assumir o comando da filial carioca, ela gerenciou, por três anos, uma divisão da Nestlé formada por 12 chefs e mais de 130 culinaristas espalhados pelo Brasil. Alinhada ao time de marketing e vendas, essa turma atua junto aos clientes da marca no desenvolvimento de projetos de inovação e renovação de portfólio.
Formada em gastronomia na Suíça, ela se especializou em nutrição e ciência de alimentos em Londres e depois fez mestrado em alimentação, nutrição e saúde. Por quase oito anos, atuou como head-chef e professora numa faculdade de hotelaria em Montreux, na Suíça. À frente da Le Cordon Bleu Rio de Janeiro, volta a promover a educação por meio da gastronomia.


