Da Noruega a Dinamarca: uma viagem no Silver Dawn por fiordes e pela aurora boreal

Jornada a bordo do navio da Silversea Cruises entre os dois países é verdadeiro mergulho na cultura e nas paisagens escandinavas por meio da gastronomia, excursões memoráveis e luxo

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia

A Noruega é, por si só, um destino poético que nos hipnotiza com suas paisagens formadas por fiordes, montanhas, lagos e gelo, deixando um misto de encantamento e drama no ar. No entanto, é em cima de suas águas, a bordo de um cruzeiro de luxo com direito a mergulho na cultura escandinava, que a viagem ganha tons ainda mais memoráveis.

Ver a dança da tão desejada aurora boreal e ainda parar em vilarejos vikings que ecoam a história destas vastas terras são realidade com o Silver Dawn, navio de cruzeiros da Silversea Cruises novinho em folha, que ganhou as águas em abril de 2022, e que oferece uma jornada luxuosa não somente nas cabines e na gastronomia, mas também nos programas personalizados em alto mar e nas excursões propostas.

Em outubro do ano passado, eu e a equipe de filmagem do CNN Viagem & Gastronomia embarcamos para uma jornada de oito dias a partir de Tromsø, na Noruega, apelidada de capital da aurora boreal, com destino a Copenhague, a capital da Dinamarca, passando por fiordes e por cidadezinhas cativantes com culturas próprias bem demarcadas.

Já posso dizer que o roteiro é um spoiler do que vem na próxima temporada do programa, em que percorremos águas e terras escandinavas em experiências repletas de boa gastronomia, paisagens de tirar o fôlego e, principalmente, de personagens que são como guardiões de conhecimentos riquíssimos.

Silver Dawn: luxo em alto mar

O pontapé da Silversea Cruises ocorreu em 1994, ano que se estabeleceu como a primeira linha de cruzeiros ultraluxuosa e all inclusive do mundo. Hoje parte do grupo Royal Caribbean, podemos sentir toda essa pompa no Silver Dawn, o décimo navio da frota e que realiza viagens não somente entre Noruega e Dinamarca, mas também em outros mares ao redor da Terra.

A embarcação moderna e elegante acomoda 596 hóspedes e 411 tripulantes, uma proporção de quase um para um. Outros números também impressionam: são oito deques, oito opções gastronômicas e tonelagem bruta de 40.700 toneladas – 210 mil a menos que o maior navio do mundo. Lounge panorâmico, cassino, spa, piscina, jacuzzi, biblioteca de observação, cantinho para uísque e obras de arte estão espalhados pelos andares.

Ao meu ver, o conforto, o itinerário e a gastronomia a bordo, elevada com restaurante japonês, francês e bar de alta coquetelaria, foram – e são – os pontos altos do navio. Seja qual for a categoria de cabine escolhida, não é preciso se preocupar com refeições e passeios, nem com lavanderia, serviço de quarto e mini bar, já que tudo está incluído. Extras são opcionais, como vinhos selecionados ou passeios específicos.

Pizzas, restaurante italiano, grill voltado para carnes e restaurantes japonês e francês estão entre as opções gastronômicas a bordo. Os dois últimos, o Kaiseki e o La Dame, são meus destaques: enquanto o japonês serve sushis no almoço e pratos quentes à noite, o francês serve menu-degustação em ambiente contemporâneo com vistas para o mar – ambos necessitam de reservas, que podem ser feitas digitalmente.

Para arrematar, o Silver Dawn conta com o S.A.L.T – Sea and Land Taste, programa focado em gastronomia e coquetelaria com um “quê” a mais, já que nos oferece um aprofundamento dos sabores locais com aprendizados e até criações de chefs renomados das paradas do roteiro. Isso fica mais claro com o S.A.L.T Lab, espaço de workshops, palestras e demonstrações de culinárias ao lado do chef, e no S.A.L.T Bar, onde o bartender prepara coquetéis inspirados no roteiro em um bar íntimo, elegante e de alta coquetelaria.

Casa a bordo

São nove categorias de suítes dentro do navio, as quais variam de 31 a 183 m², em que todas incluem serviço de mordomo e menu de travesseiros.

A mais vendida do Silver Dawn – e que foi minha casa por oito dias – é a Silver Suite, que fica nos últimos andares do navio, entre a área central e a de trás, que são muito mais estáveis.

São 73 m² de decoração elegante e sóbria, com direito a varanda, sala de estar, área de jantar e banheiro em mármore com banheira. É uma verdadeira suíte cinco estrelas, mas com o diferencial de ser flutuante e de poder ser ampliada como uma cabine dupla.

Para estender o conforto e os rituais de bem-estar a bordo, o Silver Dawn conta com o espaço Otium, que inclui spa, salão de beleza e academia.

Com uma paleta de cores calmantes, é onde podemos relaxar e desconectar nos dias em que o navio não possui uma parada, em que tratamentos personalizados, massagens relaxantes com produtos mediterrâneos, aulas de yoga e pilates são oferecidos.

Da Noruega a Dinamarca

A jornada do CNN Viagem & Gastronomia a bordo do navio durou apenas oito dias, mas o roteiro completo pode durar mais, chegando a mais de duas semanas. Pegamos a viagem já na metade, em que nosso ponto de partida foi Tromsø, no extremo norte da Noruega. A escolha não foi à toa: é um dos melhores lugares do mundo para testemunhar de perto a dança da aurora boreal.

Situada a 400 km acima do Círculo Polar Ártico, a cidade não surpreende somente pelo céu e pela localização: a vibrante cena cultural, com festivais e eventos ao longo do ano, adiciona uma dose de energia.

Mas foi em Alta, nossa primeira parada e que fica ainda mais ao norte de Tromsø, que pude ver com meus próprios olhos a aurora boreal se formando e dando seu show esmeralda. A localização remota e o clima seco ajudam na aparição: na praia de Lathari ela veio cruzando o céu como um grande arco em cores rosadas e verdes.

Entre os destaques, a cidadezinha possui observatório de estudos da aurora, a Northern Lights Cathedral (Catedral da Aurora Boreal), que hoje é um lindo espaço cultural, e também pedras talhadas entre 4.200 e 500 a.C que são Patrimônios Mundiais da UNESCO – elas podem ser vistas no Alta Museum e revelam costumes interessantíssimos do passado.

Depois de Alta foi a vez de mudar o sentido para o sul em direção a Sortland, cidade costeira que chama a atenção pela arquitetura colorida e vibrante, sendo bom ponto de partida para percorrer ilhas próximas.

Foi na parada em Flåm, porém, que pudemos sentir mais a natureza norueguesa e descobrir uma vila viking em Gudvangen, vilarejo no final de um fiorde que é patrimônio da UNESCO.

O Viking Valley ajuda a manter e propagar o modo viking de viver, que vai além da história de violência das séries ficcionais atuais. Interessante é que no verão muitas pessoas vêm morar na vila e vivem as tradições como no passado, em que podemos ver de perto tudo isso e participar de tours e atividades típicas, a exemplo de arco e flecha, arremesso de machadinha, batucadas no tambor viking, apreciação de flauta, e muito mais.

A próxima e última parada antes do destino final foi Bergen, cidade portuária que é a segunda maior da Noruega e famosa pelas charmosas casas de madeira coloridas e pelo porto histórico. Cercada por montanhas, o bacana é pegar o funicular no monte Fløien e apreciar uma vista panorâmica, assim como também se deliciar no mercado de peixes com frutos do mar frescos e produtos locais em vários restaurantes.

Por fim, Copenhague, já na Dinamarca, entrou em nosso horizonte com sua arquitetura histórica e canais pitorescos. Além de castelos, museus, mercadões, um dos parques de diversão mais antigos do mundo e ruas ótimas para serem descobertas em duas rodas, Copenhague é também sinônimo de comida boa.

Isso porque ela concentra vários restaurantes estrelados, como o Noma, entre os melhores do mundo, e o Koan, duas estrelas Michelin liderado pelo chef Kristian Baumann onde pude me deliciar com a mistura da Coreia do Sul e da Dinamarca.

Vale ressaltar que o Silver Dawn realiza roteiros nos quatro cantos do mundo, como África, Ásia, Oceania, Caribe e Mediterrâneo, mas o foco reside no Norte da Europa e nas ilhas britânicas. Para 2024 e 2025, itinerários pela Escandinávia como o que me aventurei já estão disponíveis.