Em Salvador, Dona Mariquita preserva a memória gastronômica da Bahia

Com duas unidades na capital baiana, o restaurante da chef Leila Carreiro pesquisa, preserva e serve receitas de origem indígena e africana que ajudam a contar a história gastronômica do estado

Tina Bini, do Viagem & Gastronomia, Salvador, Bahia
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Se existe um restaurante capaz de traduzir a Bahia para além dos cartões-postais, esse lugar é o Dona Mariquita. Com duas unidades, sempre lotadas de locais e turistas, a casa comandada pela chef Leila Carreiro tornou-se uma das principais guardiãs da chamada cozinha patrimonial baiana.

Por meio de um trabalho de pesquisa, resgate e valorização de receitas que, por décadas, permaneceram restritas às cozinhas das famílias, aos terreiros de candomblé, às feiras livres e às comunidades do Recôncavo, Leila faz muito mais do que servir comida típica: propõe uma verdadeira viagem pela história da formação da gastronomia baiana. Seu cardápio costura influências indígenas, africanas e sertanejas, recuperando preparações cada vez mais raras de serem encontradas nas casas e restaurantes do estado.

Entre os pratos mais emblemáticos está a Poqueca (R$ 220, serve três pessoas), considerada a grande assinatura da casa. Diferentemente da tradicional moqueca, ela resgata uma técnica de origem indígena: peixe ou frutos do mar são envolvidos em folhas de bananeira e cozidos lentamente. Para Leila, a poqueca representa um elo entre as cozinhas indígena e africana e ajuda a contar a história da própria moqueca baiana. O prato é servido com acaçá de leite, outra preparação ancestral feita de milho branco e leite de coco, de textura gelatinosa.

Entre outras receitas que merecem atenção estão o Arroz de Hauçá (R$ 150), de influência africana, o efó (R$ 28); o siri mole frito (R$ 120); a carne de fumeiro com farofa d´água (R$ 100). O cardápio ainda reúne moquecas, ensopados e quitutes que ajudam a preservar ingredientes, técnicas e modos de preparo que correm o risco de desaparecer.

A própria ambientação reforça essa proposta. Paredes de barro, objetos artesanais, rendas, balaios e referências aos terreiros criam um ambiente que convida a desacelerar e entender que ali a gastronomia também é patrimônio cultural. Não por acaso, o Dona Mariquita figura entre as principais recomendações para quem deseja compreender a identidade gastronômica de Salvador para além do acarajé (R$ 50, porção com quatro mini unidades).

Dona Mariquita: Rua do Meio, 178, Rio Vermelho, Salvador, Bahia e Av. da França - Comércio, Salvador / Funcionamento: segunda a domingo, das 12h às 17h. 

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