Islândia: caminhada em vulcão ativo e banho quente em águas geotérmicas são atrações imperdíveis no país

Símbolos do território nórdico, cadeia de vulcões e águas quentes que saem do interior da Terra são espetáculos naturais que podem ser visitados nos arredores da capital Reykjavik; conheça as paradas de Dani Filomeno no país

Daniela Filomeno na área do vulcão Fagradalsfjall, que entrou em erupção em 2021 e 2022
Daniela Filomeno na área do vulcão Fagradalsfjall, que entrou em erupção em 2021 e 2022 CNN Viagem & Gastronomia

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia Reykjavik, Islândia

Feche os olhos e imagine uma paisagem que nos deixa completamente hipnotizados por suas belezas naturais. Ou pense ainda qual destino melhor se encaixa como a foto perfeita para deixarmos como fundo de tela de nossos celulares.

Para mim, o lugar que mais condiz com os requisitos acima é um território bem longínquo do Brasil. Falo da Islândia, país que estava no topo da minha lista de desejos.

A começar, o país europeu é definitivamente o que podemos chamar de surpreendente. É um território de contrastes, onde gelo e fogo coexistem em uma verdadeira aula de geologia bem diante dos nossos olhos.

Sou apaixonada por vulcões, geleiras e cachoeiras, um combo que a Islândia nos oferece de maneira singular. Todos estes aspectos são ainda embrulhados em cenários para lá de deslumbrantes, em que somos testemunhas de um país que, literalmente, é resultado de uma explosão da natureza.

Junte todas essas características às rotas cênicas, aos pequenos vilarejos que parecem ter saído da ficção e ainda aos parques nacionais onde o poder da natureza se mostra fortíssimo e você terá como resultado os programas da quinta temporada do CNN Viagem & Gastronomia no país.

Depois de fazer uma verdadeira expedição por fiordes e pelo manto de gelo da Groenlândia a bordo de um navio que nos levou aos cantos mais remotos do gelado território, chegou a hora de pousar em outra ilha.

Entendendo a Islândia

Considerada a 18ª maior ilha do mundo, a Islândia compreende um território de mais de 100 mil quilômetros quadrados e fica no encontro entre duas placas tectônicas: a norte-americana e a eurasiática.

Tal condição geológica é responsável pela intensa atividade vulcânica do país. Assim, terremotos são corriqueiros e erupções vulcânicas acontecem em média a cada quatro anos – mas a grande parte destes eventos não oferecem riscos à população e nem a nós viajantes.

O islandês é a língua oficial, mas o inglês também é amplamente falado, e a moeda é a coroa islandesa – 1 real corresponde atualmente a cerca de 27 coroas islandesas.

O país tem cerca de 385 mil habitantes, número pequeno quando comparamos a alguns municípios brasileiros: somente Olinda, em Pernambuco, conta com 393 mil moradores, por exemplo.

A capital Reykjavik concentra a maior parte da população, com cerca de 125 mil pessoas, e se mostra uma cidade pujante.

Dos passeios culturais na capital a cachoeiras, vulcões, parques nacionais e geleiras, a Islândia é um destino que definitivamente vale a visita, muito motivada pela sua beleza, diversidade e, claro, sua gastronomia – um dos pontos que mais me surpreendeu.

Uma das regiões vulcânicas mais ativas do planeta

A atividade vulcânica da Islândia é uma característica peculiar que torna o país um local fascinante e incomparável. O território está localizado em uma fenda continental entre duas placas tectônicas e possui uma poderosa pluma de magma que cria uma ressurgência de calor e, claro, magma sob a ilha.

A atividade vulcânica é tão alta que fala-se em sistemas vulcânicos, com cerca de 30 deles ativos em todo o território. A Islândia registra pelo menos um evento vulcânico a cada quatro anos, como assegura o órgão de turismo do país.

O mais incrível é que as paisagens estonteantes que vemos por aqui, sejam elas montanhas, campos de lava preta, praias de areia preta, piscinas geotérmicas, os famosos gêiseres e até as geleiras, são provenientes da interação entre a atividade vulcânica e os elementos naturais do território. É um espetáculo em todos os sentidos!

Interessante também notar como o próprio povo conseguiu se beneficiar disso: cerca de 85% das habitações da Islândia são aquecidas por calor geotérmico natural de fontes termais. Esta é uma das formas de energia mais limpas e baratas existentes.

Caminho de lava deixada pelo vulcão Fagradalsfjall em erupção de 2021 / Wikimedia Commons

As águas derretidas das geleiras também formam uma potencial fonte de energia hidrelétrica, fatos que, somados, tornam o país um dos menos poluídos do mundo.

As cinzas vulcânicas também têm seu papel: a interação entre os vulcões e geleiras resulta em uma grande produtividade de cinzas, as quais fertilizam o solo e acabam por criar também as praias de areia preta tão conhecidas mundo afora.

Logo, não é exagero afirmar que toda essa atividade vulcânica literalmente molda a Islândia e também cria em si uma atividade turística.

Todo um turismo vulcânico se formou ao redor da Islândia com entusiastas atrás destes locais peculiares na Terra. E quando um deles entra em erupção, é uma verdadeira corrida para chegar a uma distância segura e que possibilite ver de perto o espetáculo da natureza.

Vale lembrar que a duração das erupções varia: podem durar apenas alguns minutos ou horas até meses e anos.

A capital

Reykjavik é uma cidade pujante, jovem e, mesmo pequena, é cosmopolita, sendo a capital mais ao norte do mundo.

A impressão que temos ao andarmos pela cidade é que um endereço sempre fica bem próximo do outro, em que vários edifícios históricos, pontos culturais e restaurantes ficam a uma distância de apenas cinco minutos a pé.

Assim, ficar bem localizado na cidade nos ajuda na empreitada de conhecer a fundo tanto a capital quanto o resto do país, já que Reykjavik é a principal porta de entrada para a Islândia.

A chegada por aqui é feita pelo aeroporto internacional de Keflavík, que fica a cerca de 45 minutos de carro da capital.

Do Brasil, é possível chegar a Reykjavik com conexões feitas em Londres, Paris, Amsterdã e Nova York. Para se ter uma ideia, o voo de Londres demora cerca de três horas, enquanto o de Nova York tem duração de cinco horas.

Interessante notar que a arquitetura de várias construções pela cidade é arrojada, assim como é vibrante a cena cultural junto de seus museus, sala de concertos e também nos restaurantes, que carregam a tradição da sazonalidade e do trabalho de pequenos produtores.

Mas antes de me debruçar sobre o que fazer, onde comer e onde se hospedar por Reykjavik, começo falando de alguns programas surpreendentes pelos arredores da capital que servem como um bom bate e volta e sintetizam símbolos do país: seus vulcões e suas águas geotérmicas.

De vulcões ativos a águas geotérmicas: península de Reykjanes

Todo esse show da natureza pode ser observado e sentido de perto em dois lugares próximos da capital Reykjavik.

Um deles é o vulcão Fagradalsfjall, com toda sua história recente de erupções, e o outro é o Blue Lagoon, um dos locais mais conhecidos de toda a Islândia por conta de suas águas geotérmicas que chegam a 38°C.

Ambos ficam na Península de Reykjanes, a pouco tempo da capital. A península é uma das oito regiões da Islândia e é considerada desde 2015 um Geoparque Global da UNESCO.

Com 825 quilômetros quadrados, a península tem paisagens que incluem fissuras, campos de lava e alta atividade geotérmica.

Sobrevoo e caminhada em um vulcão

A cerca de uma hora de Reykjavik, ou 40 km, está a área do vulcão Fagradalsfjall, nome que significa “montanha do belo vale”, e que se estende por várias proeminências ao longo de um grande terreno.

Ele entrou em evidência recentemente ao ser a estrela de manchetes mundo afora: em 2021, o vulcão acordou de um sono de seis mil anos ao entrar em erupção. Na época, vídeos de pessoas jogando vôlei enquanto a lava escorria ao fundo viralizaram na internet.

Cerca de 10 meses depois, pouquíssimos dias após a minha visita ao vulcão, mais uma erupção.

Em agosto do ano passado uma fissura na área se abriu e fez com que a lava saísse e criasse uma verdadeira atração: houve uma corrida para ver a erupção de perto e até piqueniques foram feitos na base. Desta vez não houve cinzas nem interrupções nos voos.

Assim, todo o entorno do vulcão concentra formações de lava recém-formadas e crateras vulcânicas, nos revelando uma experiência única. Apesar das erupções recentes, ele é considerado seguro para visitar, em que os próprios órgãos de turismo da Islândia nos incentivam e ajudam na tarefa.

Muitos operadores turísticos oferecem visitas guiadas ao local, em que os passeios podem incluir também transporte.

Mas uma das maneiras mais incríveis de se aproveitar toda a potência do vulcão é sobrevoando a área de helicóptero – visita que tem direito à descida com caminhada.

A partir da capital Reykjavik peguei um voo em direção à Península de Reykjanes, onde fica o Fagradalsfjall, com a Norðurflug Helicopter Tours, uma das empresas mais conhecidas para passeios do tipo no país.

Pouco tempo depois que a aventura começou, começamos ver lá de cima um campo de lava mais acinzentada. De repente, sobrevoamos uma das cadeias do vulcão, com grandes crateras e buracos, um do lado do outro. É impressionante.

O ponto mais alto desse conjunto chega a atingir 385 metros de altura e também podemos ver caminhos de lava cinza com fumaça saindo do solo pelo trajeto. Após rodarmos em torno dele, pousamos.

Quando pisei no solo senti a potência da natureza com toda sua força. É daqueles momentos que ficamos sem palavras. Nunca tinha chegado tão perto de uma lava com tão pouco tempo.

Andar pelo local não é considerado perigoso, já que a atividade vulcânica daqui não é explosiva, como as abruptas explosões de lava que estamos acostumados a ver na televisão e nos filmes.

No entanto, andar sobre a lava não é seguro e a prática é totalmente desencorajada. A lava das erupções mais recentes pode até parecer velha e fria com seu aspecto acinzentado, mas debaixo da crosta endurecida ela pode permanecer perigosamente quente por muito tempo.

É aqui, em meio a essa mistura de lava, fumaça, solo quente e ambiente gelado, que entendemos mais o ciclo da Terra. E entendemos também que, com os vulcões e o caminho da lava, há destruição e depois o florescimento da vida com o solo fértil. É uma aula ao vivo que levamos para a vida.

Os passeios para vulcões de helicóptero podem partir de cerca de 53 mil coroas islandesas (cerca de R$ 1.945).

Banhos relaxantes em águas geotérmicas

As águas geotérmicas são maravilhas naturais fortemente relacionadas com a cultura islandesa. Que atire a primeira pedra – ou melhor, dê o primeiro mergulho! – quem nunca ouviu falar dos benefícios destas águas quentinhas.

Apesar do conceito do spa ser uma invenção moderna, os banhos termais e seus benefícios para nossa saúde são tradições no país desde os tempos em que a ilha ainda era um assentamento. Com as novas formas de se aproveitar a energia que vem do interior da Terra, os banhos públicos tornaram-se ainda mais enraizados na cultura local.

E um desses locais é o Blue Lagoon, um dos mais procurados e conhecidos complexos de águas termais de toda a Islândia. O Blue Lagoon é ideal para um bate e volta a partir da capital, já que fica a cerca de 40 minutos de Reykjavik.

As águas termais daqui são dispostas em uma grande lagoa natural cuja temperatura beira os 38°C. A origem da água fica a mais de dois mil metros dentro da terra, em que a água do mar e a água doce se misturam em meio ao calor tectônico e a uma pressão extrema, criando a água geotérmica, que sai dali com cerca de 240° C.

A água é atraída para a superfície por poços de extração geotérmica, em que sai enriquecida com sílica, algas e minerais.

Com o tempo, vários estudos comprovaram que os elementos presentes na água são benéficos para o corpo humano a partir dos banhos que podemos tomar nestes locais.

Aqui, a grande lagoa azul, que possui uma água leitosa, tem essa cor por conta da maneira como a sílica reflete a luz do sol.

E a história do local também é peculiar: no início dos anos 1980, os moradores locais começaram a se banhar no reservatório azul que se formou a partir de uma antiga usina geotérmica. Assim, a lagoa acabou por se tornar foco de estudo científico e, com o tempo, se tornou o complexo que é hoje.

Para passar algumas horas relaxando na águas quentinhas é necessário fazer uma reserva – o pacote mais em conta para um dia sai por cerca de 8.990 coroas islandesas (cerca de R$ 330) e temos direito a uma máscara de sílica para o rosto, uma toalha e uma bebida.

Vale dizer também que atualmente o complexo é formado por dois hotéis de luxo (cada um com sua própria piscina com as mesmas águas da lagoa azul), spa e restaurantes.