Mostra gratuita em São Paulo reúne cogumelos gigantes de tricô

Exposição de Sandra Anselmi usa mais de uma tonelada de fios em esculturas têxteis de até quatro metros dentro do Mata Lab, na Cidade Matarazzo

Daniela Filomeno, do Viagem & Gastronomia
Compartilhar matéria

A Mata Lab, plataforma dedicada à arte, moda e beleza que integra a Mata São Paulo, a poucos passos da Avenida Paulista, inaugura sua programação expositiva com a mostra "Natureza Tecida – Somos Um Único Fio", da artista gaúcha Sandra Anselmi. Primeira exposição individual da artista na capital paulista, a instalação ocupa o espaço situado no complexo Cidade Matarazzo e pode ser visitada gratuitamente até 31 de agosto.

Distribuída por 420 metros quadrados, a mostra propõe um percurso sensorial com cogumelos gigantes de tricô que chegam a ter quatro metros de altura. A instalação reúne cerca de 1,3 tonelada de fios, a maioria residual, totalizando 40 mil quilômetros de extensão, distância equivalente a uma volta completa ao redor da Terra.

A exposição parte da pesquisa de Sandra sobre a complexidade da rede subterrânea que constitui os fungos. Com isso, o trabalho faz uma reflexão sobre os vínculos invisíveis que conectam seres vivos, ecossistemas e experiências humanas. A curadoria é da jornalista e consultora de moda Lilian Pacce.

A exposição foi exibida pela primeira vez em 2025 no projeto "Portas pra Arte", da Fundação Bienal do Mercosul. Agora, o trabalho chega a São Paulo com o desdobramento "Somos um Único Fio", que expande a pesquisa para a interdependência, a memória, a conexão e a coexistência entre os seres.

"Os seres humanos estão interligados por fios invisíveis, conectando elementos como memória, ancestralidade. Construo a minha obra de maneira que as tramas do tricô propõem uma complexidade distinta: cada fio representa um indivíduo; cada nó, um ponto de encontro de histórias e saberes", explica a artista.

Por dentro da exposição

A mostra se distribui por cinco salas e pode ser iniciada a partir de dois percursos: o da Mata Lab ou o do lobby do complexo Mata São Paulo.

Na primeira opção, o visitante entra pela "Floresta de Cogumelos", onde as peças são feitas com tricô de braço, sem o uso de agulhas. As esculturas se conectam entre si por meio de fios e tubos que remetem às hifas responsáveis pela formação do micélio, a parte vegetativa dos fungos que cresce no subsolo. Ainda há projeções no chão que evidenciam a ideia de uma conexão invisível entre os organismos.

Pelo outro acesso, o visitante atravessa um túnel revestido por texturas e tonalidades terrosas, concebido como uma metáfora para um mergulho na terra. O percurso pode começar ou terminar por esse espaço.

Outro ambiente da exposição é a Sala Terra, onde o público pode retirar os sapatos e se acomodar em pufes e formas orgânicas de tricô para assistir a um vídeo. O percurso ainda passa pela Sala Silêncio, criando um momento de pausa, e segue para a Sala Somos um Único Fio, marcada por uma escultura têxtil central.

Esta é a primeira exposição na Mata Lab. A área ocupa três mil metros quadrados e tem uma curadoria de mais de 300 marcas que vão de vestuário a móveis. É o primeiro espaço do país a contar com uma seleção de produtos da Dover Street Market, loja londrina da designer Rei Kawakubo. Nesta semana, a grife espanhola Loewe abriu a primeira loja exclusiva de itens para casa no Brasil no local.

A Mata Lab integra a Mata São Paulo, que reúne endereços gastronômicos e de hospitalidade, como o restaurante italiano Mata Città, o clube privado Soho House e o espaço cultural Casa Bradesco.

"Natureza Tecida – Somos Um Único Fio", de Sandra Anselmi: Até 31 de agosto, na Mata Lab (Alameda Rio Claro, 260 - Bela Vista, São Paulo - SP) / Funcionamento: segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 12h às 18h / Entrada gratuita.

Acompanhe Viagens e Turismo nas Redes Sociais