Por dentro da vinícola da Freixenet, maior produtora de cava do mundo

Com suas adegas subterrâneas e um museu que narra mais de 100 anos de história da marca, La Freixeneda é a maior produtora de cava do mundo e oferece visitas guiadas para os entusiastas das borbulhas

Freixenet é a maior produtora de cava do mundo e tem vinícola aberta para visitação em povoado pertinho de Barcelona, na Espanha
Freixenet é a maior produtora de cava do mundo e tem vinícola aberta para visitação em povoado pertinho de Barcelona, na Espanha Tina Bini

Tina Binido Viagem & Gastronomia Barcelona, ES

Nascido na Catalunha, em meados do século 19, o cava é uma denominação de origem espanhola pertencente à família dos espumantes. Produzido em diversas províncias do país, a mais importante de todas é Penedès, que detém 90% da produção e onde está a Freixenet, a maior produtora de cava do mundo.

Casa museu da Freixenet conta história da marca e guarda rótulos históricos
Casa museu da Freixenet, na região de Penedès, conta a história da marca e guarda rótulos emblemáticos / Tina Bini

As primeiras garrafas do grupo foram produzidas no ano de 1911 pelo casal Dolores Sala e Pedro Ferrer Bosch, de La Freixeneda (área de cultivo na região do Penedès). Em 1914, o casal lançou a primeira garrafa com nome Freixenet, que acabou originando a marca.

Provavelmente, nessa época, eles nem imaginavam que suas garrafas alcançariam outros continentes. E não só alcançou, como, no Brasil, por exemplo, é o espumante importado mais vendido. Convenhamos, dificilmente um consumidor de espumante não tenha ao menos visto um rótulo Freixenet, que exporta 85% de sua produção e tem o Brasil como o nono maior mercado para a empresa, atrás dos Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Japão.

Quem está à frente das operações da marca no Brasil e é o grande responsável desse sucesso por aqui é Fabiano Ruiz, que no início do ano foi promovido a vice-presidente da Henkell Freixenet Latam e CEO da Henkell Freixenet Brasil. Fabiano conta que quando chegou à empresa, em 2009, a companhia vendia apenas 100 mil garrafas no país. Após 15 anos, a realidade é outra.

O grupo, que se fundiu com a alemã Henkell em 2018, teve um crescimento de 32% no faturamento no Brasil em 2023, alcançando 34% de market share na categoria de espumantes importados no país. “Superamos a meta de vender mais de 3 milhões de garrafas em 2023 e, agora, o objetivo é alcançar 3,7 milhões de garrafas vendidas no ano de 2024”.

Dados mostram que 1 em cada 10 espumantes vendidos no mundo é do grupo Henkell Freixenet. Já no Brasil, a cada 3 espumantes importados consumidos, 1 é da Freixenet. Entre os rótulos mais procurados está o icônico Cordón Negro, que acaba de celebrar 50 anos e que, só em 2023, teve 22 milhões de garrafas produzidas, sendo 1 milhão exportadas para consumidores brasileiros.

Uma visita ao Cavas Freixenet, pertinho de Barcelona

Garrafas da Carta Nevada,
Garrafas do cava Carta Nevada na casa museu Freixenet  / Tina Bini

No povoado de Sant Sadurní d’Anoia, no coração da região de Penedè, e a menos de uma hora do centro de Barcelona, está a maior fábrica de espumantes de método tradicional (ou champenoise) do mundo, a La Freixeneda.

O local onde a marca foi fundada continua ativo com uma produção de cavas emblemáticos e também como casa museu, onde é possível fazer uma visita guiada com duração de aproximadamente 1 hora e 30 minutos de duração, que deve ser agendada com antecedência via site.

Para chegar lá, a melhor opção é pegar o trem no centro de Barcelona, na Plaça de Catalunya, em direção a Vilafranca del Penedès, e descer na Sant Sadurní d’Anoia. A vinícola fica bem em frente à estação, a menos de 5 minutos a pé.

A visita começa com um vídeo de 10 minutos que conta a história da marca de maneira dinâmica e traz curiosidades dos mais de 100 anos de existência. Em seguida, o grupo é conduzido pela cave, onde um guia explica todo o processo até o líquido borbulhante chegar às nossas taças, além de mostrar a evolução da fábrica, onde rótulos antigos e maquinários que não estão mais em uso ficam expostos.

A área aberta à visitação é um museu localizado no mesmo terreno da fábrica. O espaço parou de produzir efetivamente as garrafas nos anos 1980, e tudo o que está exposto lá é parte do arquivo da marca, como garrafas do rótulo Carta Nevada de 1941.

O tour custa 19,50 euros por adulto (cerca de R$ 123); 15,50 euros (cerca de R$ 92) para crianças entre 9 e 17 anos; e crianças abaixo de 8 anos não pagam. Todas as visitas incluem a degustação de duas taças de cavas e uma bebida não alcóolica para crianças.

Casa museu da Freixenet tem café/ bar com direito a pequenas porções para compartilhar enquanto degusta uma taça de cava
Casa museu da Freixenet tem café/ bar com direito a pequenas porções para compartilhar enquanto degusta uma taça de cava / Tina Bini

Curiosidades sobre o método de produção do cava

No método champenoise, o vinho base é engarrafado acrescentando leveduras e açúcar para que a segunda fermentação, que dá origem ao gás, ocorra dentro da própria garrafa. Assim que realizada, dá-se início ao processo de remuage, em que as garrafas são viradas, durante algumas semanas, até que fiquem de cabeça para baixo e as células de leveduras alcancem o gargalo, de onde serão removidas na degola. Na Freixenet, esse processo de rotação das garrafas é automatizado, o que permite a produção em maior escala das bebidas.

Área subterrânea da vinícola Freixenet / Tina Bini

Cada cava é diferenciado pelo tipo de uva, quantidade de açúcar e tempo de engarrafamento. O cava deve repousar por, no mínimo, nove meses para ser classificado como tal; e na Freixenet existem cavas que repousam por, no máximo, 10 anos.

Existem nove tipos de uvas utilizadas na elaboração dos cavas, sendo 5 brancas e 4 tintas. A diferenciação entre elas está na altitude em que são cultivadas, escala de maturação, acidez, equilíbrio e graduação alcoólica.