Saunas viram balada e atraem jovens em busca de conexão fora do celular
Casas de banho sociais ganham espaço como opção para sair à noite, ter um primeiro encontro ou conhecer pessoas novas

Quando a DJ Brinassa começou a tocar sua batida pulsante, a multidão de pessoas seminuas que frequentava o mais novo point de balada de Montreal já brilhava de suor em uma sexta-feira.
Não se tratava apenas do brilho sutil de uma noitada na pista de dança. Às 22h, dentro do RECESS Thermal Station, uma sauna e piscina de água fria que recebe eventos regulares com DJs, os participantes suavam livremente em uma sauna circular, formando um arco de corpos sarados iluminados pela luz semelhante à de uma boate.
Um funcionário sem camisa, exibindo tatuagens artísticas e vários colares, soprava o ar pela sauna, dançando enquanto acenava com um enorme leque dobrável. Em um lounge externo, casais se aconchegavam em cadeiras perto da cabine do DJ. Solteiros conversavam enquanto tomavam chá de ervas e liam perguntas para quebrar o gelo em cartões personalizados.
O RECESS, inaugurado em setembro, faz parte de uma nova onda de negócios que estão surgindo na América do Norte e que são frequentemente chamados de "casas de banho sociais".
São locais que reinventam saunas e outros rituais de banho não apenas como uma experiência de bem-estar, mas como uma opção para sair à noite, para um primeiro encontro ou como uma forma de fortalecer o senso de comunidade.
"Existe a possibilidade de conhecer novas pessoas. Há uma energia contagiante, uma vibe ótima. Dá para dançar", diz Adam Simms, cofundador do RECESS, sobre as noites sociais. "São conexões maravilhosas que podem surgir disso."
Novos estabelecimentos estão surgindo rapidamente. Meses após a inauguração de seu primeiro espaço de banho social, Montreal ganhará mais um com a abertura do JOY Wellness Club neste trimestre. O Bathhouse, cujas unidades em Nova York já são conhecidas por seu ambiente badalado, abrirá uma filial na Filadélfia ainda este ano.
Reforçando o já forte grupo de estabelecimentos desse tipo em Nova York, o The Altar chegará à Quinta Avenida em 2026 com uma sauna para 50 pessoas e o slogan "Saúde como um espaço de encontro cultural".
Esse cenário reflete uma crescente conscientização de que a solidão e o isolamento social estão prejudicando nossa saúde, levando muitos a buscar novas oportunidades de conexão.
"Durante a pandemia, tivemos uma mudança monumental, no qual passamos a ficar o tempo todo em frente às telas", diz Simms. "As pessoas entendem que precisam de comunidade, precisam de apoio, precisam recarregar as energias. Acho que o RECESS e projetos semelhantes possibilitam isso."

Tendência em alta, raízes antigas
A prática é uma grande tendência no mundo do bem-estar este ano. No entanto, a ideia de que suar em conjunto fortalece os laços não é exatamente nova.
"Assim que conseguimos gerar calor, começamos a criar estruturas para suar juntos", fala Robert Hammond, presidente da Therme US, parte do Therme Group, que opera spas em toda a Europa e tem grandes projetos de casas de banho planejados em Dallas, Washington, D.C. e Toronto.
Esse precedente remonta ao hamam da era otomana, às termas romanas, às tendas de suor norte-americanas e às saunas finlandesas. Em muitos lugares, essas práticas diminuíram com o tempo; em alguns, o encanamento interno em residências particulares ajudou a substituir os banhos comunitários.
"É o que eu chamo de 'longo esquecimento'", diz Mikkel Aaland, fotógrafo e escritor norueguês-americano que passou 50 anos documentando tradições de banhos de suor ao redor do mundo, incluindo o livro "Sweat", de 1978, e a série documental "Perfect Sweat", do ano passado - o próximo livro, "Naked Sweat", está previsto para o final desse ano.
A última década trouxe um renascimento global, inclusive na Noruega, onde Aaland passa parte do ano. Esse ressurgimento é o que ele também chama de "longa lembrança". Em grande parte do norte da Europa, isso significa aproveitar práticas já existentes, ainda que com toques modernos, como as saunas flutuantes de design arrojado no fiorde de Oslo.
Muitos locais de banho na América do Norte, que frequentemente atendem a um público com pouca ligação pessoal à história dos banhos comunitários, inspiram-se em tradições de outros lugares, ao mesmo tempo em que as reinventam livremente. "São os estágios iniciais de algo muito empolgante", disse Aaland.
Banhos com músicas, jogos e muito mais
Saunas e casas de banho de todos os tipos têm ganhado popularidade na América do Norte há algum tempo. Mas observadores geralmente atribuem essa tendência mais recente — com seu foco explícito na socialização e, às vezes, em um clima de festa — à inauguração da casa de banho Othership no centro de Toronto em 2022.
Nas quatro unidades da empresa, localizadas em Toronto e Nova York, os visitantes agora podem combinar sauna e banhos de água fria com eventos que incluem stand-up, banhos com músicas e jogos.
Myles Farmer, cofundador da Othership, diz que a visão era "uma nova forma de socialização". Assim como Simms, ele aponta para a necessidade pós-pandemia de se reagrupar offline.
"Há muitas pessoas nessas grandes cidades que não conseguem estabelecer conexões autênticas umas com as outras regularmente", disse ele. "É difícil fazer amigos. É difícil encontrar parceiros, mesmo havendo tanta gente."
Entrar em um espaço sem telas pode facilitar os encontros presenciais que muitos de nós desejamos, acrescenta Farmer. "Seu celular fica de lado e você está vivenciando uma experiência compartilhada com estranhos", disse ele. "Isso meio que cria um vínculo e conecta você com as pessoas que estão no mesmo espaço."

Numa sexta-feira recente, no Othership Flatiron, em Manhattan, uma multidão de jovens entre vinte e trinta anos, sem celular, reuniu-se para uma noite na casa de banhos, guiada por "monitores" que tocavam uma trilha sonora de batidas eletrônicas e empilhavam bolas de neve com óleos essenciais sobre as pedras escaldantes da sauna.
O espaço revestido de madeira encheu-se de vapor aromático. Alguns visitantes usavam gorros feitos para manter a cabeça relativamente fresca, permitindo-lhes permanecer ainda mais tempo na sauna. As conversas intensificavam-se à medida que o calor aumentava. Os banhistas enxugavam o rosto com toalhas brancas.
Um guia conduzia rodadas de perguntas e respostas, reproduzindo trechos de trilhas sonoras de filmes enquanto os participantes, suados, gritavam os nomes dos filmes em que apareciam: "Tubarão", "Avatar", "Harry Potter".
Os vencedores receberam latas de água de coco gelada, e a multidão de rostos vermelhos saiu da sauna em direção aos banhos de água fria. Outros banhistas permaneceram ao lado de um ponto de autosserviço com água e chá de ervas.
"É como uma droga natural"
A pouco mais de um quilômetro e meio do Othership Flatiron, no tradicional bar de sauna Russian and Turkish Baths, fundado em 1892, os visitantes provavelmente preferem complementar suas sessões de sauna com cervejas no restaurante do local.
Álcool e outras substâncias intoxicantes fazem parte de muitas tradições de banhos de vapor em todo o mundo. No século V a.C., o historiador grego Heródoto escreveu que os Citas, povos nômades das estepes da Eurásia, adicionavam substâncias intoxicantes aos seus banhos de vapor, jogando sementes de cannabis em pedras quentes.
As banyas russas há muito tempo servem cerveja, vodca e kvass alcoólico, feito de pão integral fermentado, escreveu Ethan Pollock em seu livro de 2019 "Sem a Banya, Pereceríamos". Alguns finlandeses bebem coquetéis de cerveja ou gim na sauna, chamados de saunajuoma: uma bebida de sauna.
O ambiente predominantemente sem álcool em estabelecimentos como Othership, RECESS e outras saunas sociais da nova onda reflete uma tendência mais ampla em direção a uma vida noturna sóbria, à medida que alguns jovens reduzem o consumo de bebidas alcoólicas.

"Você não precisa beber para ir a um encontro. Você não precisa beber para se encontrar com os amigos", aponta Farmer. "As pessoas estão percebendo que simplesmente não precisam de substâncias."
Além disso, ele diz que o efeito estimulante da endorfina proporcionado pelo mergulho em água fria já é bastante emocionante. "Entrar nos banhos de gelo dá uma sensação de energia e entusiasmo", diz. "É como uma droga natural."
"Toque único e pessoal"
Com a inovação das casas de banho norte-americanas, surgiram também muitos admiradores e críticos. Alguns consideram o ambiente de discoteca uma ruptura indesejável com as experiências mais tradicionais.
"Os europeus têm algumas observações sobre a cultura americana das saunas", dizia uma manchete recente do New York Times acima de uma matéria que criticava os frequentadores de saunas nos Estados Unidos por supostas infrações, incluindo, entre outras: praticar ioga, usar trajes de banho, participar de atividades em grupo e dançar. DJs em uma sauna? Que horror!
"Às vezes somos criticados por não seguirmos a etiqueta da sauna, mas para mim, tudo bem", afirma Robert Hammond, da Therme US. "Acho interessante dar um toque único e pessoal."
Juntamente com os banhos públicos, ele cita exemplos recentes de inovadores na América do Norte que experimentam novas formas de arte relacionadas ao banho. Em setembro, o artista Rashid Johnson apresentou uma produção esgotada da peça "Dutchman", de Amiri Baraka, de 1964, no calor sufocante dos banhos russo e turco de Nova York.
No recente festival de sauna Culture of Bathe-ing, organizado pelo Therme Group na orla do bairro de Williamsburg, no Brooklyn, o centro cultural Pioneer Works apresentou performances e instalações artísticas.
"Espero que possamos ajudar a incentivar essa experimentação", fala Hammond. "É isso que a torna um pouco diferente, um pouco inesperada."
Em meio século estudando as tradições de banho globais, Mikkel Aaland também conheceu muitos puristas. "Nem todo mundo vai gostar da sauna-discoteca", reconhece.
Mas Aaland gosta de grande parte da inovação que vê. Ele lembra de um livro de 2021 do artista americano Travis Skinner que narra a construção de uma sauna móvel extravagante que lembra um peixe-diabo.
"Fico entusiasmado quando vejo um artista incluindo algo assim na sua obra." E enfatiza que combinar contato humano e banho é muito mais do que uma moda passageira.
"O aspecto social tem sido um elemento presente em qualquer cultura de banho que tenha perdurado", diz, seja através de uma contemplação silenciosa e compartilhada ou de algo decididamente mais estridente. "Isso acrescenta um elemento importante a algo que já é realmente poderoso."



