Cotações da soja caem em Chicago pressionadas por petróleo e clima
Soja e milho registram terceiro dia de perdas, enquanto trigo recua em meio a chuvas e pouca demanda chinesa

Na Bolsa de Chicago, a soja encerrou a sessão desta quinta-feira (21) em queda, com o contrato para entrega em julho recuando 0,81% e fechando cotado a US$ 11,9425 por bushel.
A Granar destacou que a soja não conseguiu sustentar os ganhos do meio da sessão e acumulou o terceiro dia consecutivo de perdas em Chicago, pressionada principalmente pela queda do petróleo.
Segundo a Agrinvest, o complexo soja voltou a registrar baixa, com destaque para a forte pressão sobre o óleo de soja, influenciado pela queda do petróleo. O relatório semanal de vendas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) veio dentro das expectativas para soja em grão e farelo, sem grandes surpresas para o mercado.
A consultoria também destaca que as tradings reduziram de forma significativa as compras da soja brasileira no destino, com queda de 15 centavos de dólar por bushel para embarques entre julho e setembro. Ao mesmo tempo, a cobertura da China para a janela 2026/27 segue mais adiantada. O mercado ainda monitora a possibilidade de eventuais novas compras chinesas de soja dos Estados Unidos.
Do lado fundamental, o avanço da safra 2026/27 e as previsões de chuvas para as Grandes Planícies e partes do Centro-Oeste dos Estados Unidos também contribuíram para o viés de baixa. Por outro lado, a ausência de novas notícias sobre compras chinesas adicionais, que haviam impulsionado as altas no início da semana, aumenta a cautela entre os investidores do mercado de grãos.
Milho
Já os vencimentos para o milho futuro encerrou a sessão desta quinta-feira em queda, com o contrato para entrega em julho recuou 0,75% e precificado a US$ 4,6225 por bushel.
Segundo a Agrinvest, os futuros dos cereais caíram na CBOT diante das incertezas relacionadas ao cenário geopolítico, incluindo as tensões envolvendo o Irã, além das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, que seguem no radar do mercado.
A Granar destaca que o milho registrou o terceiro dia consecutivo de perdas em Chicago, pressionado também pelas condições climáticas nos Estados Unidos. As chuvas nas Grandes Planícies Centrais ajudaram a aliviar a seca em áreas importantes, como Nebraska, onde cerca de 90% do território vinha sofrendo com déficit hídrico. A previsão de novas precipitações no Centro-Oeste, região onde o plantio da forragem está praticamente concluído, também reforçou o viés baixista.
Outro fator de atenção é a ausência de novas confirmações sobre compras chinesas, apesar do anúncio recente de um acordo que prevê aquisições mínimas de US$ 17 bilhões por ano entre 2026 e 2028.
Trigo
O contrato futuro do trigo para entrega em julho recuou 1,97% e fechou cotado a US$ 6,4750 por bushel.
O mercado segue atento ao comportamento climático nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, onde chuvas recentes ajudaram a aliviar as condições de seca após meses de estiagem e perda de vigor das lavouras. Ao mesmo tempo, investidores continuam monitorando o ritmo de desenvolvimento da safra de 2026/2027.
Os preços do trigo caíram pelo segundo dia consecutivo nos Estados Unidos, com intensificação das vendas de contratos diante da ausência de novas notícias sobre demanda chinesa. Também pesam no mercado as condições climáticas consideradas mais favoráveis, com precipitações oportunas nas áreas de cultivo de primavera no norte das Grandes Planícies, em um momento em que o plantio da nova safra se aproxima da reta final.
No sul do país, a colheita do trigo de inverno já está em andamento. Apesar das expectativas de resultados mais fracos em algumas regiões, a entrada de novos volumes no mercado nas próximas semanas também adiciona pressão sobre as cotações.


