Datagro prevê queda do consumo de carne bovina no Brasil em 2027

Mercado de trabalho sustentou demanda em 2026, mas desaceleração econômica pode reduzir consumo formal no próximo ano

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

O consumo de carne bovina no Brasil deve enfrentar um cenário mais desafiador em 2027, segundo projeção apresentada pela Datagro Pecuária durante o 6º Fórum Pecuária Datagro. A empresa estima que o consumo formal per capita caia de aproximadamente 6,6 para 5,9 quilos, conforme o indicador apresentado na palestra.

A avaliação considera uma desaceleração da economia brasileira e uma redução do poder de compra do consumidor.

João Otávio de Assis Figueiredo afirmou que o mercado interno teve desempenho positivo em 2026, sustentado principalmente pela renda e pelo mercado de trabalho. Segundo ele, medidas de estímulo à economia e o ambiente de renda ajudaram a manter o consumo de proteína bovina mesmo diante de preços elevados.

Para 2027, entretanto, o cenário muda. A Datagro citou a projeção de crescimento do PIB de 1,5% no Boletim Focus mencionado durante a apresentação, abaixo dos resultados observados nos anos anteriores.

Carne bovina mantém espaço

Apesar da pressão sobre a renda, a carne bovina continua encontrando espaço na cesta do consumidor. Segundo os dados apresentados, o preço da carne bovina no consumo estava próximo de R$ 23 por quilo, enquanto carnes suína e de frango estavam em níveis inferiores.

Ainda assim, a relação entre preço e renda não provocou uma migração integral do consumidor para outras proteínas. Jank explicou que o brasileiro passou a consumir mais proteínas sem que a parcela da renda destinada à carne bovina aumentasse na mesma proporção.

Segundo o analista, o consumo total de proteínas chegou a aproximadamente 93,3 quilos por habitante ao ano, enquanto o consumo de carne bovina permaneceu em torno de 31,5 quilos por habitante ao ano.

“Dois anos atrás a gente consumia 3 kg de carne a menos no Brasil por habitante/ano”, afirmou. Na avaliação dele, o mercado de trabalho foi o principal fator que sustentou a demanda até agora.

Exportação disputa a oferta

O desafio para 2027 é que o mercado doméstico terá de disputar a oferta de carne com o mercado internacional. O Brasil vem aumentando rapidamente a parcela da produção destinada à exportação. Segundo a apresentação, a participação brasileira no mercado internacional deve chegar a 41,8% em 2027.

Para Figueiredo, a pecuária brasileira terá de equilibrar dois mercados: aproveitar os preços internacionais sem comprometer a competitividade da carne no mercado doméstico. "Hoje, no mundo, a gente tem uma condição que tende a pagar melhor pela nossa carne lá fora do que aqui dentro”, afirmou.

O ponto de atenção, segundo a Datagro, é que uma valorização muito forte do boi pode elevar o preço da carne no mercado brasileiro e pressionar ainda mais o consumo em um cenário de desaceleração econômica.