Dívidas do agro podem ser votadas no Senado em poucos dias, diz senadora

Tereza Cristina afirma que há acordo para pautar proposta, mas texto pode receber ajustes sugeridos por bancos

Aline Becketty, Emilly Behnke e Cristiane Noberto, da CNN Brasil, Brasília
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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou nesta terça-feira (2) que o projeto de renegociação das dívidas rurais poderá ser votado pelo plenário do Senado na próxima quarta-feira (10).

"Existe a perspectiva de dia 10 ele [o projeto] ser colocado em plenário", disse à jornalistas no Senado ao comentar o andamento das negociações sobre a proposta.

Segundo a senadora, ainda não houve uma definição formal sobre a data da votação, mas o tema já conta com um entendimento político para avançar.

A CNN apurou que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já informou aos parlamentares que está será a data definida para análise da proposta.

"Tudo está mais ou menos acordado, mas não está batido o martelo", afirmou a senadora.

Tereza Cristina também disse que representantes do Banco do Brasil e do Bradesco solicitaram alterações no texto durante reunião realizada nesta terça-feira (2).

"Hoje nós recebemos a visita do Banco do Brasil, da presidente do Banco do Brasil, e do presidente do Bradesco pedindo alguns ajustes do texto", disse.

De acordo com a senadora, as sugestões serão encaminhadas ao relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL). "Eu vou passar para o senador Renan e depois vamos ver se ele acata", afirmou.

A expectativa, segundo ela, é que a tramitação seja concluída rapidamente após a análise das mudanças. "Aí a gente deve encaminhar rapidamente", disse.

Renegociação das dívidas rurais

O projeto foi aprovado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, na semana passada, e prevê a renegociação de R$ 130 bilhões em dívidas do setor — os senadores estimam que o passivo total ultrapassa R$ 1,4 trilhão.

O texto inclui juros entre 3,5% e 7,5%, abrange qualquer modalidade de dívida rural, incluindo CPRs (Cédulas de Produto Rural), e prevê o uso do FS (Fundo Social) do pré-sal para financiar a operação — mas sem um valor pré definido, conforme o pedido do governo.

Esse último ponto é o principal entrave com o governo. Na terça-feira (26), a Fazenda apresentou aos senadores uma MP (Medida Provisória) com proposta alternativa — mais restrita, com juros entre 6% e 12% conforme o porte do produtor e sem uso do Fundo Social.

Os senadores rejeitaram a proposta e mantiveram o relatório do senador Renan Calheiros.

Mesmo diante de pedidos de senadores para acelerar a votação, a análise no plenário do Senado tem sido sinalizada para quarta-feira (10), por causa da semana encurtada pelo feriado de Corpus Christi na quinta-feira (4) e para que haja consenso com o governo.

Mesmo assim, o governo ainda considera reapresentar a MP com ajustes.