Análise: operação pode iludir; frente para salvar Banco Master está de pé
Movimento do TCU foi freado depois de reunião com o presidente da corte e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
A segunda fase da operação contra Daniel Vorcaro, familiares e potenciais sócios do Master, levada a campo nesta quarta-feira (14) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, deixa, em uma primeira avaliação, a impressão de que a mobilização política em Brasília para contestar a liquidação do Banco Central perdeu fôlego.
Afinal, o movimento do TCU (Tribunal de Contas da União) foi freado após reunião do presidente da corte, Vital do Rêgo Filho, e do presidente do BC, Gabriel Galípolo; e hoje o mesmo ministro do STF que trancou a investigação sobre o Master nas instâncias inferiores e na CPMI puxou os processos para si, determinou uma acareação atípica entre um diretor do BC e um investigado e autorizou a PF a ir para cima de Vorcaro e companhia.
Mas não é bem isso ainda, e os sinais contrários estão dentro dos despachos de Toffoli e também em movimentos feitos pelo TCU de ontem para hoje.
A começar pelos despachos de Toffoli.
Primeiro, o ministro faz uma crítica à Polícia Federal por supostamente ter descumprido o prazo determinado para estruturar a operação policial de hoje.
O que parece ser um sinal de rigidez, na verdade, para quem acompanha o processo de perto, é uma brecha para que a defesa de Vorcaro possa questionar a atuação da PF na operação e abrir mais um flanco para descredibilizar as instituições.
Um movimento semelhante ao que está em andamento contra o BC. Lembrando que BC e PF operam desde o início em estrita parceria no processo de investigação contra as fraudes do banco de Vorcaro.
Segundo, o ministro determina que tudo o que foi apreendido na operação de hoje seja lacrado e fique sob custódia do seu gabinete. Ora, se é para investigar de fato, que seja investigado por quem de direito: a Polícia Federal.
Agora, ao TCU. Menos de 48 horas depois da reunião entre Vital e Galípolo, a corte já fez circular pelo menos três informações que, no mínimo, colocam em xeque a leitura de que ela, ou parte dela, recuou de tentar salvar o Master.
Uma, a declaração de Jonathan de Jesus à imprensa de que acha estranho o Banco Central não ter aceitado a compra do Master pelo Fictor. Outra, a defesa sob reserva de seus integrantes de que haja uma liquidação ordinária do Master, e não extraordinária, como a feita pelo BC. Justamente a tese que a defesa vem oferecendo nos bastidores. E, por fim, a informação que contraria o que o BC entendeu da reunião com Vital: a de que não haveria acesso, na inspeção, aos dados sigilosos levantados na liquidação do BC. O TCU diz, nas conversas reservadas, que esse acordo nunca existiu.
Junte-se a todos esses pontos à curiosa coincidência de que, na segunda operação contra o Master, seus alvos estavam em fuga.
Em novembro, Vorcaro foi preso quando ia a Dubai. Hoje, seu cunhado foi pego indo para a mesma Dubai. Outro alvo, Nelson Tanure, também estava embarcando em um voo -- uma coincidência que se soma a outras tantas evidências de que a frente para salvar o Master ainda está de pé.



