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    Débora Bergamasco
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    Débora Bergamasco

    Débora Bergamasco é jornalista, com passagem pelas redações de Estadão, Folha, O Globo, Época, Istoé e SBT

    Após caso de palestino, ala do governo defende protocolo para repatriação

    Análise da Justiça “caso a caso” pode incorrer em preconceito, acreditam assessores presidenciais

    Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos
    Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos Carla Carniel/Reuters

    O episódio do palestino Muslim Abuumar, retido no aeroporto de Guarulhos (SP) por suspeita de ligação com a cúpula do Hamas, causou preocupação em alas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Assessores presidenciais defendem, ainda de maneira discreta, a adoção de uma espécie de protocolo para lidar com situações do tipo. Eles afirmam que a autonomia do Poder Judiciário deve ser respeitada, mas querem que o Ministério da Justiça e o Itamaraty sejam ouvidos com informações para embasar as decisões judiciais.

    Muslim Abuumar, de 37 anos, foi retido ao desembarcar em Guarulhos. Ele vinha da Malásia com a mulher grávida, o filho de seis anos e a sogra, de 69 anos.

    Algumas questões foram levantadas internamente no governo, sem tratar especificamente do caso de Abuumar.

    •  A comunidade árabe tem laços profundos com o Brasil e situações como esta podem ser cada vez mais frequentes. Existe a necessidade de evitar que deportações tenham cunho preconceituoso contra árabes e mais precisamente contra palestinos.
    •  Um questionamento que ocorreu neste caso específico entre pessoas da diplomacia brasileira foi: a pedido de quem Muslim Abuumar foi incluído na lista de procurados do FBI? Esta é tida como uma pergunta essencial, com cunho humanitário, antes de um cidadão ser deportado, já que com a extradição, o cidadão pode vir a ser executado, dependendo de quem esteja por trás da solicitação.
    •  Outra reflexão se dá no sentido de que o fato de o homem ser ligado ao Hamas, sem a comprovação de conexão nos já condenados ataques a israelenses em outubro do ano passado, não significaria necessariamente que se trata de um terrorista, de acordo com fontes do governo.