Jussara Soares
Blog
Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Militares relativizam risco de ação dos EUA no Brasil citado pelo Itamaraty

Integrantes das Forças Armadas, sob reserva, afirmam que todos os cenários são monitorados, mas ponderam que possibilidade não significa probabilidade de ação militar

Compartilhar matéria

As Forças Armadas contemporizaram a declaração do chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, de que há risco de ação militar dos Estados Unidos no Brasil após as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) serem classificadas como organizações terroristas.

Sob reserva, integrantes do Ministério da Defesa avaliam que, do ponto de vista militar, todos os cenários merecem atenção e as Forças Armadas precisam estar preparadas. Porém, destacam que a relação entre possibilidade e probabilidade precisa ser constantemente atualizada.

Na percepção de militares, o ministro das Relações Exteriores citou a "possibilidade" de uma ação militar porque a designação das facções como organizações terroristas deixa essa brecha. No entanto, não há nada, neste momento, que indique uma probabilidade de ação americana em território brasileiro.

Ao responder a um questionamento da Câmara dos Deputados sobre a decisão dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores alertou para o risco de implicações para cidadãos brasileiros e para a possibilidade de ações militares americanas no Brasil.

"Tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal. Finalmente, há a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro", cita o ofício assinado pelo chanceler Mauro Vieira.

Sobre a avaliação da pasta acerca dos impactos diplomáticos, econômicos e reputacionais para o país, o documento aponta que a classificação "não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado".

Segundo a resposta do governo, a classificação das facções como "organizações criminosas transnacionais" por Washington já permitiria a cooperação na troca de informações e outras ações de combate ao crime.

A mensagem oficial esclarece as perguntas feitas pelo deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES) por meio de um Requerimento de Informação, aprovado em maio, após o anúncio do governo americano.