Funcionários do Banco Mundial pedem suspensão de indicação de Weintraub

Uma associação de funcionários pede que o processo de indicação seja suspenso até a conclusão das investigações sobre o ex-ministro no Brasil

Da CNN
24 de junho de 2020 às 15:22 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 15:24

Funcionários do Banco Mundial pediram nesta quarta-feira (24) a suspensão de indicação do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub ao cargo de diretor-executivo da instituição. 

Em carta enviada ao Comitê de Ética da instituição, uma associação de funcionários pede que o processo de indicação seja suspenso até a conclusão das investigações sobre Weintraub no Brasil.

O documento ainda ressalta os termos racistas usados pelo ex-ministro da Educação e as falas contra a China feitas por ele na reunião ministerial de 22 de abril.

Como o banco tem como missão erradicar a pobreza e diminuir a desigualdade no mundo, os funcionários argumentam que a nomeação de Weintraub não faz sentido, já que ele é descrito como preconceituoso e racista.

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Weintraub deixou o Ministério da Educação na quinta-feira (18) e chegou aos Estados Unidos dois dias depois - quando teve a exoneração publicada no Diário Oficial da União (DOU). 

Após a polêmica sobre ter usado o passaporte diplomático - ao qual tinha direito como ministro - para entrar no território norte-americano, a data da exoneração foi retificada em uma nova publicação no DOU.

À CNN, Weintraub afirmou que ficará nos EUA até assumir o cargo no Banco Mundial. Na instituição, o cargo dele é para integrar o Conselho da Diretoria Executiva do Banco Mundial, formado por 25 cadeiras que representam os 190 acionistas da instituição, segundo a colunista da CNN Thais Herédia.

Carta de funcionários do Banco Mundial enviada ao comitê de ética da instituição
Foto: CNN (24.jun.2020)

Investigações

No Brasil, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (23) mandar para a primeira instância o inquérito que apura se Weintraub cometeu crime de racismo. A medida foi antecipada pela CNN na sexta-feira (19).

Segundo Celso de Mello, como Weintraub foi exonerado, não é mais competência da Corte analisar a acusação de racismo. O ministro pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) indique que órgão do Ministério Público na primeira instância dará continuidade ao inquérito.

No entanto, Weintraub deve continuar sob o crivo do Supremo no inquérito das fake news, que é conduzido pelo próprio tribunal. Nove ministros já votaram a favor de manter o ex-ministro nesta investigação.

(Edição: Bernardo Barbosa)