Sócios de bar e restaurante defendem cautela na reabertura em SP

Bruno Covas (PSDB) anunciou a reabertura - com restrições - de bares e restaurantes na capital em caso de reclassificação no plano de retomada de atividades

Da CNN
25 de junho de 2020 às 13:40

Os empresários Cairê Aoas, sócio da Fábrica de Bares, e Isaac Azar, chef e sócio do Paris 6, falaram à CNN, nesta quinta-feira (25), sobre o anúncio do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sobre a reabertura – com restrições – de bares e restaurantes na capital.

De acordo com o prefeito, os estabelecimentos poderão voltar a abrir a portas caso a capital mude de fase no plano de retomada de atividades feito pelo governo estadual. “A expectativa é que, com essa reclassificação, a partir de segunda-feira (29) eles possam retomar. Claro, assinando protocolo junto com a prefeitura de São Paulo, e estamos trabalhando para isso", destacou.

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Aoas considerou que trata-se de um "desafio enorme" e que o setor de bares, que nunca esteve muito ativo no delivery, está "tendo dificuldades de disputar em um segmento mais competitivo e tão voraz com tanta demanda".

Em relação a reabertura, o sócio da Fábrica de Bares ressaltou que planeja fazê-la "seguindo todos os protocolos e as medidas que estão sendo desenhadas com os órgãos e estabelecimentos", mas manifestou preocupação com a reação dos clientes. "Acredito que, nos primeiros 30 dias, vai existir uma frequência muito baixa das pessoas, para que se convençam de que realmente é seguro e voltem a frequentar", avaliou.

"Também sentimos uma necessidade de ter um envolvimento de alguns órgão municipais e estaduais para entenderem o tamanho do problema e e sensibilizar com isso, como, por exemplo, no uso das calçadas", completou.

Com unidades já em funcionamento nos locais onde a flexiblização já permite, Isaac Azar afirmou que a grande preocupação é que a reabertura cause aumento no número de casos da Covid-19, e os estabelecimentos tenham que voltar a fechar.

"Tem que ser uma consciência coletiva. Não adianta a euforia. Os estabelecimentos têm que ter consciência – e nós temos –, mas acima de tudo, os clientes também têm que manter o distanciamento, que é muito necessário", refletiu.

O chef e sócio do Paris 6 ainda acrescentou que acha prudente que parte dos clientes opte por não voltar a frequentar esses espaços no atual momento da pandemia e que "o interesse agora não é ganhar dinheiro, mas preservar a saúde e a segurança de todos".

"A segurança total mesmo só vamos ter quando tiver algum tipo de vacina ou cura. Até lá, a precaução não é só em São Paulo ou no Brasil, mas no mundo inteiro, porque é uma doença letal e perigosa", alertou Azar.

Os empresários Cairê Aoas, sócio da Fábrica de Bares, e Isaac Azar, chef e sócio do Paris 6, falam à CNN
Foto: CNN (25.jun.2020)

Taxa de contágio

São Paulo é um dos oito estados brasileiros que têm as maiores taxas de contágio, segundo levantamento da CNN com base informações da plataforma Covid-19 Analytics, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Na quarta-feira (24), o estado registrou novo recorde de casos da doença em 24h: 9.347 novos contaminados. Foi a primeira vez que o número de mortos ultrapassou 400 registros em 1 dia no estado de SP. O último recorde diário tinha sido registrado em 17 de junho, com 389 mortes. 

Casos no Brasil

Na quarta-feira (24), dados do Ministério da Saúde apontaram a segunda maior confirmação diária de novos casos de Covid-19 desde o início da pandemia no Brasil. Foram registrados 42.725 novos diagnósticos, o que aproximou o total no país de 1,2 milhão de infectados – 1.188.631 casos.

O boletim também traz a confirmação de 1.185 novas mortes pela doença, levando o total de vítimas fatais a 53.830.

(Edição: Sinara Peixoto)