Vendas de imóveis recuaram 23,5% no 2º trimestre ante 2019, diz CBIC

Os números são do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do segundo trimestre de 2020, publicado nesta segunda-feira (24)

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em São Paulo
24 de agosto de 2020 às 12:13
Imóveis em Águas Claras, no Distrito Federal
Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

As vendas de imóveis no Brasil registraram queda de 23,5% no segundo trimestre de 2020, ante mesmo período do ano passado. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 16,6%. Os resultados foram puxados pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste, nas quais o número de apartamentos vendidos caíram 39,3% e 22,9%, respectivamente, na comparação com o segundo tri de 2019.

Os números são do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do segundo trimestre de 2020, publicado nesta segunda-feira (24), pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional). A pesquisa analisou dados de 132 municípios, sendo 19 capitais, das cinco regiões do país. 

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Por outro lado, ao longo dos primeiros seis meses de 2020, o recuo foi de apenas 2,2%, ante ante mesmo período do ano passado. Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, o resultado do semestre mostra que apesar das incertezas causadas pela pandemia, os impactos no mercado foram menores do que o esperado. 

"Essa queda de 2,2% é uma estabilidade total, o que é uma alegria. Isso quer dizer que todo o esforço feito na linha de manutenção dos canteiros de obra funcionaram", disse. 

Já o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, afirmou que o resultado do primeiro semestre indica que a indústria da construção pode até finalizar o ano em crescimento. "Seria um espetáculo. Comparado com outros países que recuaram 20% ou 30% na indústria da construção, os dados da CBIC mostram que não caímos nada praticamente", observou. 

Costa destacou que a indústria da construção deve ser o motor da retomada econômica. "Acreditamos plenamente nisso porque quando falamos em retomada, falamos em infraestrutura, que é construção; falamos em saneamento, que é construção; falamos de empresas e pessoas físicas retomando intenção de compras, que também é construção", explicou. 

Ainda segundo o secretário, o governo vai anunciar em breve medidas adicionais para destravar ainda mais o setor de construção no Brasil. "Ainda temos muita burocracia e dificuldades que travam e aumentam o custo da construção no Brasil.

Estamos preparando para os próximos meses um pacote de medidas já conversado com o setor, resolvendo problemas históricos. Vamos ousar de maneira ousada e alinhada, dando um passo no caminho da prosperidade", afirmou. 

Apesar de admitir que o avanço da construção no país também depende de programas públicos, o secretário voltou a destacar o investimento privado no setor. "Gradualmente, acreditamos que cada vez mais, em termos relativos, o nosso investimento na construção virá do setor privado", reforçou. 

Lançamentos 



O estudo também revelou que o lançamento de novos imóveis despencou 60,9% no segundo trimestre de 2020, ante mesmo período de 2019. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, a queda foi de 20,4%.

No total, foram 16.659 unidades residenciais lançadas entre abril e junho de 2020. O recuo nos lançamentos foram liderados pelas regiões Norte e Nordeste, que registraram queda de 73,3% e 70%, respectivamente, na comparação com o segundo trimestre do ano passado.

A CBIC espera que o segundo semestre de 2020 registre um avanço relevante nos lançamentos imobiliários. "Com as vendas praticamente estabilizadas e os lançamentos muito reduzidos no primeiro semestre, em função do que foi adiado por conta da pandemia, a expectativa é que agora as empresas lancem aquilo que foi represado nos últimos meses."

Martins, destacou que as sondagens indicam que 70% dos empresários ainda pretendem lançar o mesmo volume de residenciais previsto no início do ano. "Então, represamos no primeiro semestre e teremos, obviamente, um 'boom' de lançamentos no segundo semestre", reforçou.

Recuperação em V 

Para Costa, não há dúvidas de que a economia brasileira está se recuperando em V. Isso porque, o setor de construção, junto a outros setores, demonstram que, apesar dos primeiros impactos, o Brasil já está em ritmo de recuperação

"A indústria da construção representa uma massa de trabalhadores grande, mais renda para os trabalhadores. Isso retrata o otimismo do setor como um todo. Representa também que o crédito está chegando, porque a construção depende de crédito. Ou seja, é um Brasil que sai da crise com muito vigor", comentou. 

Na avaliação do secretário, o crescimento que o Brasil já registrava no pré-crise, fizeram com que o impacto no país não fosse "tão desastroso", quanto em outros países. "O Brasil já crescia muito no primeiro trimestre. Na construção, por exemplo, crescia a dois dígitos. Então, a economia como um todo vinha pujante e ia surpreender muito caso não tivesse acontecido a pandemia. Embora pandemia tenha tido impacto grande, a volta está muito rápida", reforçou.

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