Havan vale R$ 100 bi? Veja as empresas que têm valor de mercado superior a esse


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
28 de agosto de 2020 às 16:00
Loja da Havan

Loja da Havan, em Pinhais, no Paraná: apesar de força no varejo físico, a empresa ainda pena no digital

Foto: Divulgação

Depois de protocolar um pedido de abertura de capital na bolsa de valores brasileira, o fundador e presidente da rede varejista Havan, Luciano Hang, teria dito a fontes próximas que espera que a empresa seja avaliada em até R$ 100 bilhões — valor que poderia colocar a companhia entre as 10 mais valiosas na B3. A informação é dos jornais Valor Econômico e O Estado de S. Paulo. 

No documento em que solicita o IPO, oferta inicial de ações, porém, a Havan não especifica essa meta. Mas o objetivo é ambicioso: para efeitos de comparação, o Magazine Luiza, considerada a galinha dos ovos de ouro do varejo, vale 50% a mais do que isso: R$ 149 bilhões. A Via Varejo, dona da Casas Bahia e do Ponto Frio, tem valor de mercado de R$ 32,5 bilhões.

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Só que existem grandes diferenças entre todas essas empresas. A principal delas seria o tamanho. Enquanto a Via Varejo reportou receita líquida de R$ 11,6 bilhões no primeiro semestre deste ano (redução de quase 6%) em comparação a 2019, a Havan registrou R$ 3,2 bilhões em vendas, uma queda de quase cerca de 20%.

Enquanto isso, o Magazine Luiza teve vendas menores do que a Via Varejo no primeiro semestre, cerca de R$ 10,8 bilhões, mas terminou o período com crescimento de 25% – isso em meio à pandemia do novo coronavírus. O grande diferencial da empresa foi a sua forte presença digital, caminho que vem sendo trilhado desde que Frederico Trajano assumiu a liderança da companhia, no fim de 2015.

Para chegar aos R$ 100 bilhões, a varejista catarinense teria que praticamente se igualar a bancos privados como Santander e BTG Pactual. Veja abaixo a lista das empresas listadas na B3, que têm valor de mercado superior à meta de Hang.

Ascensão da Havan

Fundada em 1986, em Brusque, Santa Catarina, a Havan conta atualmente com 147 lojas, em 17 estados do país. A expectativa da companhia é chegar ao número de 200 unidades até o final de 2022.

Em 2019, a rede varejista ocupou o 13º lugar no ranking “Os 50 Maiores Grupos Varejistas”, realizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, à frente de marcas como Dia e Makro. Além disso, registrou lucro líquido de R$ 428,4 milhões. Já no primeiro semestre de 2020, porém, registrou prejuízo de R$ 127,5 milhões, diante da crise econômica provocada pelo novo coronavírus. 

Justamente para driblar a crise, neste ano, a Havan passou a comercializar também alimentos, como arroz e feijão. Segundo a companhia, seu centro de distribuição movimenta mais de 1 milhão de itens por dia. Além disso, seu portfólio de produtos conta com mais de 100 mil itens, que vão de eletrônicos a artigos de cama e banho.

A empresa chama atenção por ter uma estátua da liberdade, um de seus grandes símbolos, em frente às unidades –  uma delas, localizada na chamada Parada Havan, em Barra Velha (SC), tem 57 metros de altura e, de acordo com o grupo, é considerada "o maior monumento do Brasil". 

Um dos principais ativos da companhia, porém, é a própria figura de Luciano Hang. Excêntrico, Hang ganhou maior projeção durante a campanha presidencial de 2018. Ele integra o Instituto Brasil 200, grupo de empresários que apoiou Jair Bolsonaro durante a corrida presidencial. Às vésperas da eleição, ficou na mira da Justiça do Trabalho por ter supostamente coagido seus funcionários a votarem no então candidato

Hang abraçou o movimento anticorrupção e passou a usar as cores da bandeira brasileira como estratégia de marketing. É comum ele dar entrevistas e comparecer a eventos públicos vestido com um terno verde e uma gravata amarela. O personagem ganhou da internet o apelido de "véio da Havan", alcunha que o próprio Hang adotou ao se comunicar nas redes sociais.

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