Guedes planeja conversa do presidente do BB com Bolsonaro para aparar arestas

Ministro da Economia articula encontro de André Brandão com o presidente para resolver ‘mal-estar’ que quase culminou com a demissão do executivo

Por Igor Gadelha, CNN  
15 de janeiro de 2021 às 11:10 | Atualizado 15 de janeiro de 2021 às 14:00

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, articula um encontro do presidente do Banco do Brasil, André Brandão, com o presidente Jair Bolsonaro nos próximos dias, para tentar resolver de vez o recente mal-estar que quase culminou com a demissão do executivo.

Segundo fontes do Palácio do Planalto e do Ministério da Economia, após atuar intensamente nos bastidores para manter o presidente do BB, Guedes avalia ser necessária uma conversa direta entre Bolsonaro e Brandão, para aproximar os dois e para que o próprio executivo se explique.

 

Jair Bolsonaro ao lado do presidente do Banco do Brasil, André Brandão
O presidente Jair Bolsonaro ao lado do novo presidente do Banco do Brasil, André Brandão
Foto: Alan Santos/PR (22.set.2020)


Auxiliares dizem que Bolsonaro “suspendeu” a demissão após uma reunião no Planalto, na manhã desta quinta-feira (14), com o ministro da Economia e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que indicou o executivo para o BB. O encontro não consta na agenda oficial.

Como a CNN vem noticiando, o presidente da República ameaçou demitir Brandão após o banco anunciar, na segunda-feira (11), que pretende fechar de 361 agências bancárias, escritórios e postos de atendimento e abrir dois programas de demissão voluntária (PDVs) para 5 mil funcionários.

A principal irritação de Bolsonaro foi por só ter tomado conhecimento dos cortes na véspera do anúncio. Após críticas de parlamentares, ele também reclamou que a medida poderia atrapalhar a eleição de Arthur Lira (PP-AL), seu candidato favorito a presidência da Câmara, no começo de fevereiro.

Explicação

Segundo apurou a coluna, na reunião de ontem no Planalto, Guedes disse ao presidente que Bolsonaro não poderia saber das medidas de corte antes, porque o banco precisa seguir regras de compliance mais rígidas, por ter ações abertas em bolsas de valores.

O ministro da Economia argumentou ainda que os cortes anunciados por Brandão eram, do ponto de vista econômico, bons para o processo de revitalização do banco, mas reconheceu que o momento do anúncio não teria sido politicamente oportuno.

Guedes também explicou que o fechamento de agências não acontecerá do dia para noite e será feito com base em estudos. E informou que os PDVs estavam sendo bem sucedidos. Até agora, mais de 3 mil funcionários do BB já teriam aderido. O banco não se pronuncia sobre o assunto.

Após a reunião, auxiliares de Guedes dizem que Bolsonaro já se acalmou e que agora é uma questão de “calibragem”. “Até dois dias, o ministro tinha que fazer muita força para manter o Brandão. Agora, quem quiser tirá-lo é que precisará fazer força”, diz um integrante da equipe econômica.