Brasil perdeu oportunidade de representação em Davos, diz Rubens Barbosa
Rubens Barbosa afirma que o Fórum Econômico Mundial se tornou palco de debate dos temas mais importantes da atualidade e o país enviou delegação "tímida"
O Brasil perdeu a oportunidade de ter uma representação forte no Fórum Econômico Mundial, em Davos, segundo Rubens Barbosa, presidente do grupo Interesse Nacional. Em entrevista à CNN Brasil, o especialista destacou que o país enviou uma delegação considerada "tímida" para um evento que se transformou em um dos mais importantes no debate de temas da atualidade global.
Barbosa criticou a falta de planejamento estratégico do Brasil no cenário internacional. "O Brasil não tem estratégia nenhuma, não há um pensamento de médio e longo prazo", afirmou.
Segundo ele, mesmo que o país não concorde com algumas premissas do fórum, a presença seria fundamental para apresentar posicionamentos em áreas onde o Brasil tem relevância global, como meio ambiente, transição energética e segurança alimentar.
Barbosa enfatizou que o Fórum de Davos ultrapassou seu propósito inicial de discutir apenas economia e se tornou um espaço estratégico para debater questões globais. "O World Economic Forum é para discutir a economia global, os rumos da economia global. Ele está se transformando num fórum para discutir a estratégia global", explicou o especialista, ressaltando que a ausência brasileira representa uma perda significativa.
O especialista destacou que o Brasil é uma potência média regional com força em setores específicos. "O Brasil tem o que dizer no mundo, o Brasil tem uma palavra forte em áreas que ele tem força. O Brasil não tem excedente de poder para influir nos assuntos globais, como a guerra da Ucrânia, como Gaza, mesmo a questão da Groenlândia", explicou Barbosa.
Europa, EUA e geopolítica
Ao comentar sobre a abertura do evento, Barbosa analisou o discurso da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que enfatizou a importância da independência estratégica europeia frente a desafios geopolíticos.
Para ele, a fala de Von der Leyen foi uma resposta firme às recentes posições dos Estados Unidos em questões como Ucrânia e Groenlândia, demonstrando uma defesa da soberania europeia.
"Ela foi muito clara na defesa da soberania e da estratégia da Europa. Eu acho que foi um discurso firme na defesa dos interesses da Europa, que está hoje sob ataque", comentou Barbosa, acrescentando que o mundo está passando por uma espécie de "reversão das alianças", com os Estados Unidos se aproximando da Rússia e questionando a autonomia europeia.


