Boom da IA e pressão sobre big techs: Os desafios de John Ternus na Apple

Novo diretor-executivo assume comando da big tech em seu evento anual mais importante, com expectativas altas para era da IA

Lisa Eadicicco, da CNN
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Quando a Apple realizar seu evento anual do iPhone em 9 de setembro, será a primeira vez em mais de uma década que Tim Cook não apresentará os mais recentes produtos da empresa.

Em vez disso, John Ternus fará sua estreia como novo CEO da Apple durante o evento mais importante do ano da companhia.

As expectativas são altas. Ternus assume o comando enquanto a Apple enfrenta pressão para evoluir seus produtos para a era da IA.

Em julho, a fabricante do iPhone se tornou a segunda empresa na história a atingir uma capitalização de mercado de US$ 5 trilhões, elevando o patamar do que analistas e investidores esperam em termos de avanços nos produtos e desempenho financeiro.

A trajetória de Ternus na engenharia de hardware levou muitos a acreditar que sua gestão deverá inaugurar uma nova era de inovação para a Apple.

Muitos estarão atentos aos sinais da visão de Ternus nesta semana, especialmente porque se espera que a empresa siga os concorrentes em uma nova categoria de produto com um iPhone dobrável.

Ternus precisará consolidar rapidamente sua direção para a Apple além da euforia do evento desta semana. A empresa enfrenta uma série de desafios urgentes, incluindo obstáculos regulatórios na Europa e uma escassez de memória.

Problemas da Apple com IA

A experiência em engenharia de Ternus pode ser uma grande vantagem para a Apple, que sofreu críticas por sua abordagem nos últimos dois anos.

No ano passado, a empresa adiou uma nova versão da Siri, que agora está prevista para ser lançada neste outono.

"Foi uma falha enorme", disse Gene Munster, sócio-gestor da firma de investimentos em tecnologia Deepwater Asset Management.

"Felizmente, eles estão no caminho certo, mas poderia ter sido uma vitória muito maior para eles".

A Apple frequentemente adapta seus dispositivos e chips para seus próprios serviços e softwares, e a sólida experiência de Ternus em hardware pode ser fundamental para projetar novos dispositivos otimizados para IA.

No curto prazo, a Apple está apostando na Siri para ganhar terreno na corrida da IA. O assistente de IA reformulado utilizará dados — como mensagens de texto e fotos — do iPhone do usuário para responder perguntas de forma personalizada.

Por exemplo, você poderia pedir à Siri que consulte suas mensagens de texto para encontrar sua próxima consulta médica ou reserva de jantar.

A Apple afirma que a nova Siri será capaz de concluir tarefas em determinados aplicativos e responder perguntas sobre o que é exibido na tela, um recurso que pode ajudá-la a alcançar o Google Gemini.

Nabila Popal, diretora sênior da empresa de pesquisa de mercado tecnológico International Data Corporation, disse à CNN Internacional que dois fatores podem dar à Apple uma vantagem: seu foco tradicional na privacidade do usuário, bem como a forma como integra a inteligência artificial diretamente nas ferramentas do iOS, como os aplicativos de câmera e mensagens.

"(Os consumidores) só querem um dispositivo que facilite suas vidas e as leve ao próximo nível, e acho que é isso que a Apple fará", disse Popal.

Pressão para entregar produtos de sucesso

Mais do que qualquer outra coisa, todos os olhos estarão voltados para Ternus na expectativa de um novo grande sucesso.

Cook será lembrado por escalar o iPhone até se tornar um negócio que gera centenas de bilhões de dólares por ano. Ao lançar uma rede de serviços e acessórios, como Apple Music, Apple Card, Apple Watch e AirPods, Cook tornou o iPhone essencial para o cotidiano.

No entanto, investidores e analistas esperam que Ternus traga um novo impulso em produtos inéditos, como o iPhone dobrável. A IDC projeta que a Apple vai capturar 40% do mercado de celulares dobráveis até 2027, apesar de estar anos atrás de rivais como a Samsung e a gigante chinesa de smartphones Huawei.

"A entrada da Apple no mercado de dobráveis fez mais do que reacender o crescimento em uma categoria que estava perdendo força", escreveu Popal em um relatório recente da IDC, antes do lançamento do iPhone dobrável.

"Ela alterou fundamentalmente a trajetória do mercado".

Escassez de memória

O setor de tecnologia foi abalado por uma escassez contínua de memória, um componente de hardware essencial que os dispositivos precisam para recuperar rapidamente informações armazenadas. Os data centers provocaram um aumento na demanda por esses componentes, tornando-os significativamente mais caros.

Isso levou empresas de tecnologia como Apple, Nintendo e Microsoft a aumentar os preços de seus produtos. Em julho, a Apple elevou os preços de iPads, Macs e outros dispositivos, mas manteve os preços do iPhone inalterados.

"Estamos no que eu caracterizaria como uma enchente centenária nos preços de memória, com aumentos exponenciais nos preços de memória", disse Cook durante sua última teleconferência de resultados como CEO, em julho.

Os consumidores devem se preparar para preços mais altos do iPhone, dizem alguns analistas.

Mike Howard, vice-presidente de cobertura de memória da empresa de pesquisa TechInsights, estima que a Apple provavelmente teria de aumentar os preços de seus smartphones em cerca de US$ 250 a US$ 300 para manter as margens.

"Devemos começar a pensar em um iPhone de US$ 1.500 em vez de um iPhone de US$ 1.000 (ou) US$ 1.200", disse ele à CNN Internacional em julho.

Regulação europeia

A Apple provavelmente tem mais obstáculos pela frente com o combate da União Europeia às big techs.

A empresa anunciou recentemente mudanças nos termos comerciais de sua App Store para cumprir as regulamentações da UE (União Europeia). E não lançará a nova versão da Siri em iPhones e iPads na União Europeia por causa das regras da Comissão Europeia.

A Europa é o segundo maior mercado da Apple, atrás apenas dos Estados Unidos.

A Comissão Europeia quer que a Apple e o Google concedam a assistentes de IA de terceiros maior acesso aos sistemas iOS e Android. Mas tanto a Apple quanto o Google argumentaram que fazer isso levantaria preocupações com a privacidade.

E especialistas concordam que os consumidores devem ter cuidado ao conceder a agentes de IA amplo acesso a conteúdos armazenados em seus telefones e computadores.

Um agente de IA "poderia exercer a autoridade delegada pelo usuário para fazer outras coisas que talvez o usuário não quisesse que acontecessem", disse anteriormente à CNN Internacional Michael Stokes, vice-presidente sênior de tecnologias emergentes da Veilant, empresa que vende produtos de infraestrutura segura e comunicações.

Mas a Comissão Europeia permite que empresas como a Apple "implementem salvaguardas adequadas de privacidade, segurança e integridade", disse anteriormente à CNN Internacional um porta-voz.

Em última análise, Ternus terá de navegar por esses desafios enquanto mantém a avaliação extraordinária que a Apple alcançou na era Cook.

"A Apple já é tão grande, lucrativa e profundamente integrada na vida de seus clientes que a excelência incremental pode não ser mais suficiente para redefinir a empresa", escreveu o analista do Bank of America Wamsi Mohan em uma nota de pesquisa de agosto.

"O desafio de Ternus será preservar a máquina lucrativa que Cook construiu enquanto restaura um senso mais forte de surpresa tecnológica".

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