Daycoval: É o 7º ano com faixa de 20% a 25% de retorno sobre patrimônio
Paulo Saba, diretor de Tesouraria e Relações com Investidores do banco, comenta o resultado do 4º trimestre de 2025 em entrevista exclusiva ao CNN Money
O Banco Daycoval divulgou seu balanço do quarto trimestre de 2025, registrando um lucro líquido de R$ 455 milhões entre outubro e dezembro, o que representa um aumento de 5,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado contribuiu para que a instituição encerrasse o ano com um lucro total de R$ 1,8 bilhão e um retorno sobre o patrimônio de 23,7%.
Paulo Saba, diretor de Tesouraria e Relações com Investidores do Daycoval, destacou que este é o sétimo ano consecutivo em que o banco mantém sua rentabilidade na faixa entre 20% e 25%.
"Isso reflete a forma como nós, Banco Daycoval, nossos acionistas, nossos executivos, conduzem o negócio", afirmou Saba durante entrevista exclusiva ao CNN Money.
Carteira de crédito
O executivo explicou que o banco, que está no mercado desde 1968, cresceu apoiado nos pilares de crédito e se desenvolveu organicamente ao longo das décadas, aprendendo a lidar com o cenário econômico do Brasil em diversos cenários.
"Nós somos extremamente disciplinados. Exercitamos a diversificação dos portfólios em todos os seus sentidos, fazemos provisões sempre que possível de forma antecipada, e preservamos margem e colateral", explicou.
A carteira de crédito do banco está dividida em dois grandes segmentos: o atacado, voltado para empresas, que representa 70% do portfólio (aproximadamente R$ 53 bilhões), e o varejo, com R$ 22 bilhões, sendo este último 100% colateralizado.
No segmento de varejo, o banco atua principalmente com crédito consignado público, cartão consignado público, financiamento de veículos usados e uma pequena carteira de financiamento com garantia imobiliária.
Estratégia conservadora e relacionamentos de longo prazo
O Daycoval mantém uma postura conservadora em sua estratégia de crescimento.
"Um cliente que chega, um cliente de empresas que chega no Daycoval, ele normalmente não vai ter o maior limite do mercado financeiro, mas ele vai ter um pequeno limite para ele começar", explicou Saba, destacando que o banco prioriza construir relacionamentos de longo prazo tanto com clientes quanto com investidores.
Em relação ao funding, o banco possui uma estrutura diversificada, com aproximadamente R$ 36 bilhões em depósitos, R$ 28 bilhões em letras financeiras e R$ 13 bilhões em captação internacional.
Saba ressaltou que o banco optou por não acessar o sistema de distribuição tradicional, mantendo uma plataforma digital exclusiva para investimentos.
Sobre o contexto atual do mercado, o diretor comentou que o Daycoval tem se tornado um receptor de recursos em momentos de crise.
"Este evento acabou trazendo mais fluxo de depósitos e de outros instrumentos para dentro do Daycoval. Na verdade, eu estou captando mais", afirmou, referindo-se ao aumento de depósitos de pessoas físicas, jurídicas e alguns institucionais após a recente enxurrada de investidores no mercado financeiro brasileiro.
Perspectivas para 2026
Olhando para o futuro, Saba demonstrou cautela moderada com otimismo. "A gente vem de um ano bastante complexo. Taxa de juros em 15%, pressão de inadimplência, pressão ainda no emprego, RJs abundantes, aumento de remuneração, mas ao mesmo tempo o comprometimento da renda familiar nas alturas", analisou.
Para 2026, o executivo prevê um cenário de afrouxamento monetário, ainda que restrito, com a possibilidade de corte de juros já em março.
"A gente pode observar eventualmente alguns setores saindo dos seus piores momentos, seja pelos juros, seja pela formação de preço do produto desse cliente ou desse setor", avaliou.
Apesar do excesso de liquidez atual, Saba foi enfático ao afirmar que isso não vai comandar a originação de ativos do banco.
"Não é porque eu tenho mais caixa que eu vou pisar no acelerador na originação de crédito", garantiu, reforçando o compromisso do Daycoval com sua estratégia de crescimento cauteloso e sustentável.


