À CNN, Ricardo Cappelli rebate crise com PT, fala do 8/1 e prioriza saúde

Candidato é o último sabatinado em série com os concorrentes na corrida ao Palácio do Buriti

Filipe Pereira e Helena Prestes, da CNN Brasil*, São Paulo e Brasília
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A CNN Brasil entrevistou nesta quinta-feira (20) o candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), Ricardo Cappelli. O político foi o último sabatinado da série de conversas com os candidatos do DF promovida pelo canal entre os dias 17 e 20 de agosto.

O lançamento da candidatura de Cappelli foi na direção contrária do movimento do PSB no âmbito nacional, que fechou uma aliança com o PT (Partido dos Trabalhadores). No caso do DF, o campo da esquerda também conta com Leandro Grass (PT) na corrida ao Palácio do Buriti.

À CNN Brasil, o candidato buscou aplicar uma "unidade" da esquerda na região e declarou que ofereceu a vaga de vice-governador de sua chapa para Grass, o que não ocorreu. Em entrevista nesta quarta-feira (19), o petista afirmou respeitar a decisão do PSB e que espera um apoio de Cappelli em um eventual segundo turno.

Durante a sabatina desta quinta-feira, o candidato voltou a reforçar o discurso de unidade na centro-esquerda do DF e negou qualquer tratativa do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para uma desistência da candidatura.

"O vice-presidente nunca falou comigo no sentido de eu retirar a minha candidatura. Isso não existiu. Eles espalharam um boato dizendo que o presidente Lula iria me ligar para eu retirar a minha candidatura. Eu tenho excelente relação com o presidente Lula e ele nunca me ligou. Então, teve muito boato no processo pré-eleitoral. Isso é próprio do processo. Eu vejo isso com tranquilidade", comentou.

Para Cappelli, uma chapa pura da esquerda teria poucas chances de vencer na região, sendo necessária uma ampliação nas alianças, o que não foi concordado pelo PT e gerou o lançamento das duas candidaturas. Apesar da discordância, ele garantiu ver a decisão "com respeito" e espera uma aliança em um eventual segundo turno.

Em sua fala, o candidato também buscou afastar uma imagem negativa dos eleitores do DF em relação ao ex-governador Rodrigo Rollemberg e ao PSB no estado. Cappelli desvinculou qualquer ligação à gestão do antigo governador, apesar de tecer elogios.

"Ele assumiu o governo com um rombo de R$ 5 bilhões nas contas do governo. E ele passou o governo inteiro dele ajustando as contas para que as contas entrassem em dinheiro. Esse governo que assumiu agora, o governo Ibaneis e Celina, recebeu o governo com as contas em dia do Rollemberg", disse.

Crise do BRB e 8 de Janeiro

A gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da atual, Celina Leão (PP), foi alvo das críticas do candidato durante a sabatina desta quinta-feira. Um dos pontos de maior crítica foi a condução da crise do BRB (Banco de Brasília) após as ligações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Segundo o político, a apresentação de uma proposta concreta e minuciosa para o banco estatal se torna difícil por conta da falta de dados sobre o rombo das contas. No entanto, em seus planos preliminares, Cappelli falou de uma diminuição dos patrocínios e agências de fora do DF, com um enfoque no fomento regional.

"É muito difícil ter uma proposta minuciosa para o BRB nesse momento, porque a gente não sabe a real situação do BRB, o Brasil não sabe, o BRB é um banco público que está há mais de um ano sem apresentar o seu balanço. Qual é o tamanho do rombo do BRB? É R$ 12 milhões? É R$ 15 milhões? É R$ 20 milhões? Ninguém sabe", analisou.

Além disso, o candidato propôs um pedido de investigação pela PF (Polícia Federal) para o rastreio dos valores desviados, assim como questionar no STF (Supremo Tribunal Federal) a atual negociação das dívidas intermediada pela Corte entre os governos do DF e federal.

Cappelli, que foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como interventor no DF após os atos do 8 de Janeiro, analisou as punições aos envolvidos e descartou qualquer tipo de omissão por parte dos agentes da Polícia Militar: "Faltou comando naquele dia e também o envolvimento de alguns elementos desse comando".

Ainda sobre o assunto, o político comparou a punição de oficiais e membros do governo à época com a retirada do ex-governador Ibaneis Rocha do processo do caso, o que foi classificado por ele como "estranho".

"Eu confio na justiça, mas eu acho muito estranho que todos os envolvidos estejam respondendo, que toda a linha de comando tenha sido julgada e Ibaneis sequer foi julgado. Veja, eu não estou condenando ele a priori, ou absolvendo a priori, ele foi retirado do processo. Para mim, isso é muito estranho", completou.

Saúde como prioridade e mobilidade

Ao detalhar algumas propostas, Cappelli afirmou que a prioridade de um futuro governo será a área da saúde. Dentre os planos do político estão o investimento no atendimento da atenção básica, com expansão dos horários das UBS (Unidades Básicas de Saúde), criação de policlínicas e parcerias público-privadas no intuito de zerar a fila de espera no DF.

"Eu vou perseguir você para cotidianamente zerar a fila da saúde, ampliando as policlínicas. A gente vai criar mais 10 policlínicas no Distrito Federal e também ampliar o atendimento na atenção básica, nas unidades básicas de saúde, abrindo as UBSs aos sábados, durante a semana até as 10 da noite e também aos domingos até meio-dia. Saúde, saúde, saúde é a prioridade zero", disse.

O candidato criticou também a gestão do IGES (Instituto de Gestão Estratégica de Saúde), serviço social autônomo, pessoa jurídica de direito privado, criado para administrar unidades de saúde pública no Distrito Federal. Para Cappelli, a instituição teria perdido os traços administrativos e se tornou "um antro de corrupção", com a necessidade de uma reestruturação do sistema.

"Em todos os estados do Brasil, você tem, além do SUS, e a minha prioridade vai ser fortalecer o SUS, mas, além do SUS público, em todos os estados do país, você tem algum instrumento, como, por exemplo, a Ebserh [Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares], que virou a HU Brasil, um instrumento mais flexível para auxiliar na gestão da saúde em eventuais crises e em setores que precisam ter mais agilidade. Então isso não está descartado, mas o modelo do IGES hoje, ele está. Absolutamente falindo", analisou.

Além da saúde, Cappelli falou dos planos de maiores investimentos no transporte público da região, como na ampliação do metrô, BRTs e ônibus expressos, com o intuito de reduzir os tempos de viagem dos moradores.

"Eu andei de ônibus nas 19 cidades e o que eu vi são pessoas gastando duas horas, duas horas e meia para sair de casa e para chegar no trabalho. A gente não tem aqui no Distrito Federal distâncias que justifiquem as pessoas ficarem esse tempo todo em trânsito para chegar ao trabalho. É tempo que a pessoa perde para ficar com a família, é tempo que a pessoa perde de descanso."

Entrevista com candidatos ao governo do DF

Além de Ricardo Cappelli, a CNN Brasil entrevistou nesta semana Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD) Leandro Grass (PT).

seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Confira a agenda de entrevistas com os candidatos ao governo do DF:

  • Celina Leão (PP): segunda-feira (17);
  • José Roberto Arruda (PSD): terça-feira (18);
  • Leandro Grass (PT): quarta-feira (19);
  • Ricardo Cappelli (PSB): quinta-feira (20).

A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa WW, comandado pelo jornalista William Waack, além dos debates presidenciais, no dia 23 de setembro, e para o governo de São Paulo, no dia 18 de setembro, organizados pelo consórcio Momento da Decisão. O pool reúne 11 veículos de comunicação: CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles, Rádio Itatiaia, Nova Brasil FM, Rede Vida, SBT News e VEJA+ TV.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder