À CNN, Ricardo Cappelli rebate crise com PT, fala do 8/1 e prioriza saúde
Candidato é o último sabatinado em série com os concorrentes na corrida ao Palácio do Buriti
A CNN Brasil entrevistou nesta quinta-feira (20) o candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), Ricardo Cappelli. O político foi o último sabatinado da série de conversas com os candidatos do DF promovida pelo canal entre os dias 17 e 20 de agosto.
O lançamento da candidatura de Cappelli foi na direção contrária do movimento do PSB no âmbito nacional, que fechou uma aliança com o PT (Partido dos Trabalhadores). No caso do DF, o campo da esquerda também conta com Leandro Grass (PT) na corrida ao Palácio do Buriti.
À CNN Brasil, o candidato buscou aplicar uma "unidade" da esquerda na região e declarou que ofereceu a vaga de vice-governador de sua chapa para Grass, o que não ocorreu. Em entrevista nesta quarta-feira (19), o petista afirmou respeitar a decisão do PSB e que espera um apoio de Cappelli em um eventual segundo turno.
Durante a sabatina desta quinta-feira, o candidato voltou a reforçar o discurso de unidade na centro-esquerda do DF e negou qualquer tratativa do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para uma desistência da candidatura.
"O vice-presidente nunca falou comigo no sentido de eu retirar a minha candidatura. Isso não existiu. Eles espalharam um boato dizendo que o presidente Lula iria me ligar para eu retirar a minha candidatura. Eu tenho excelente relação com o presidente Lula e ele nunca me ligou. Então, teve muito boato no processo pré-eleitoral. Isso é próprio do processo. Eu vejo isso com tranquilidade", comentou.
Para Cappelli, uma chapa pura da esquerda teria poucas chances de vencer na região, sendo necessária uma ampliação nas alianças, o que não foi concordado pelo PT e gerou o lançamento das duas candidaturas. Apesar da discordância, ele garantiu ver a decisão "com respeito" e espera uma aliança em um eventual segundo turno.
Em sua fala, o candidato também buscou afastar uma imagem negativa dos eleitores do DF em relação ao ex-governador Rodrigo Rollemberg e ao PSB no estado. Cappelli desvinculou qualquer ligação à gestão do antigo governador, apesar de tecer elogios.
"Ele assumiu o governo com um rombo de R$ 5 bilhões nas contas do governo. E ele passou o governo inteiro dele ajustando as contas para que as contas entrassem em dinheiro. Esse governo que assumiu agora, o governo Ibaneis e Celina, recebeu o governo com as contas em dia do Rollemberg", disse.
Crise do BRB e 8 de Janeiro
A gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da atual, Celina Leão (PP), foi alvo das críticas do candidato durante a sabatina desta quinta-feira. Um dos pontos de maior crítica foi a condução da crise do BRB (Banco de Brasília) após as ligações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo o político, a apresentação de uma proposta concreta e minuciosa para o banco estatal se torna difícil por conta da falta de dados sobre o rombo das contas. No entanto, em seus planos preliminares, Cappelli falou de uma diminuição dos patrocínios e agências de fora do DF, com um enfoque no fomento regional.
"É muito difícil ter uma proposta minuciosa para o BRB nesse momento, porque a gente não sabe a real situação do BRB, o Brasil não sabe, o BRB é um banco público que está há mais de um ano sem apresentar o seu balanço. Qual é o tamanho do rombo do BRB? É R$ 12 milhões? É R$ 15 milhões? É R$ 20 milhões? Ninguém sabe", analisou.
Além disso, o candidato propôs um pedido de investigação pela PF (Polícia Federal) para o rastreio dos valores desviados, assim como questionar no STF (Supremo Tribunal Federal) a atual negociação das dívidas intermediada pela Corte entre os governos do DF e federal.
Cappelli, que foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como interventor no DF após os atos do 8 de Janeiro, analisou as punições aos envolvidos e descartou qualquer tipo de omissão por parte dos agentes da Polícia Militar: "Faltou comando naquele dia e também o envolvimento de alguns elementos desse comando".
Ainda sobre o assunto, o político comparou a punição de oficiais e membros do governo à época com a retirada do ex-governador Ibaneis Rocha do processo do caso, o que foi classificado por ele como "estranho".
"Eu confio na justiça, mas eu acho muito estranho que todos os envolvidos estejam respondendo, que toda a linha de comando tenha sido julgada e Ibaneis sequer foi julgado. Veja, eu não estou condenando ele a priori, ou absolvendo a priori, ele foi retirado do processo. Para mim, isso é muito estranho", completou.
Saúde como prioridade e mobilidade
Ao detalhar algumas propostas, Cappelli afirmou que a prioridade de um futuro governo será a área da saúde. Dentre os planos do político estão o investimento no atendimento da atenção básica, com expansão dos horários das UBS (Unidades Básicas de Saúde), criação de policlínicas e parcerias público-privadas no intuito de zerar a fila de espera no DF.
"Eu vou perseguir você para cotidianamente zerar a fila da saúde, ampliando as policlínicas. A gente vai criar mais 10 policlínicas no Distrito Federal e também ampliar o atendimento na atenção básica, nas unidades básicas de saúde, abrindo as UBSs aos sábados, durante a semana até as 10 da noite e também aos domingos até meio-dia. Saúde, saúde, saúde é a prioridade zero", disse.
O candidato criticou também a gestão do IGES (Instituto de Gestão Estratégica de Saúde), serviço social autônomo, pessoa jurídica de direito privado, criado para administrar unidades de saúde pública no Distrito Federal. Para Cappelli, a instituição teria perdido os traços administrativos e se tornou "um antro de corrupção", com a necessidade de uma reestruturação do sistema.
"Em todos os estados do Brasil, você tem, além do SUS, e a minha prioridade vai ser fortalecer o SUS, mas, além do SUS público, em todos os estados do país, você tem algum instrumento, como, por exemplo, a Ebserh [Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares], que virou a HU Brasil, um instrumento mais flexível para auxiliar na gestão da saúde em eventuais crises e em setores que precisam ter mais agilidade. Então isso não está descartado, mas o modelo do IGES hoje, ele está. Absolutamente falindo", analisou.
Além da saúde, Cappelli falou dos planos de maiores investimentos no transporte público da região, como na ampliação do metrô, BRTs e ônibus expressos, com o intuito de reduzir os tempos de viagem dos moradores.
"Eu andei de ônibus nas 19 cidades e o que eu vi são pessoas gastando duas horas, duas horas e meia para sair de casa e para chegar no trabalho. A gente não tem aqui no Distrito Federal distâncias que justifiquem as pessoas ficarem esse tempo todo em trânsito para chegar ao trabalho. É tempo que a pessoa perde para ficar com a família, é tempo que a pessoa perde de descanso."
Entrevista com candidatos ao governo do DF
Além de Ricardo Cappelli, a CNN Brasil entrevistou nesta semana Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD) e Leandro Grass (PT).
A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.
Confira a agenda de entrevistas com os candidatos ao governo do DF:
- Celina Leão (PP): segunda-feira (17);
- José Roberto Arruda (PSD): terça-feira (18);
- Leandro Grass (PT): quarta-feira (19);
- Ricardo Cappelli (PSB): quinta-feira (20).
A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa WW, comandado pelo jornalista William Waack, além dos debates presidenciais, no dia 23 de setembro, e para o governo de São Paulo, no dia 18 de setembro, organizados pelo consórcio Momento da Decisão. O pool reúne 11 veículos de comunicação: CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles, Rádio Itatiaia, Nova Brasil FM, Rede Vida, SBT News e VEJA+ TV.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder


