Gustavo Roque: Brasil busca estratégia para minerais críticos

Segundo o colunista da CNN Infra, Gustavo Roque enquanto potências globais avançam, país carece de posicionamento claro na cadeia global de minerais críticos

Da CNN Brasil
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Enquanto as grandes potências globais avançam na definição de estratégias para os minerais críticos, o Brasil ainda não consolidou seu papel nesse mercado em rápida expansão.

O tema, essencial para a transição energética e para indústrias como alta tecnologia, microchips, carros elétricos e materiais militares, ganhou destaque nas reuniões recentes do G7, com Dario Durigan presente em Paris para buscar parcerias.

Para analisar o cenário, Gustavo Roque, colunista da CNN Infra, avaliou os movimentos do país e apontou lacunas significativas na definição de uma estratégia estruturada.

Segundo ele, desde o início do ano o Brasil assinou memorandos com países como Arábia Saudita e Índia, além de realizar reuniões com Estados Unidos e Reino Unido. No entanto, essas iniciativas ainda não se traduziram em ações concretas.

Falta de posicionamento claro preocupa setor

O discurso de que o Brasil não quer ser apenas exportador de commodities é recorrente, mas Gustavo Roque questiona o que, de fato, o país pretende fazer dentro da cadeia produtiva. "A gente entende que a gente não quer ser um país exportador de commodities, mas o que de fato, onde na cadeia nós queremos avançar?", afirmou. Para ele, essa indefinição gera dificuldades inclusive para os países parceiros, que não sabem onde podem contribuir.

Roque destacou que o processo de beneficiamento de minerais críticos é extremamente complexo. Uma especialista consultada por ele apontou que a separação dos 17 elementos das terras raras pode exigir até 90 etapas distintas, cada uma com tecnologia específica. "É importante a gente entender em que etapa que nós queremos ter qual parceiro", disse. Nesse sentido, diferentes etapas poderiam envolver parceiros como Estados Unidos, Canadá, Austrália, comunidade europeia ou China.

Memorandos sem desdobramentos práticos

Gustavo Roque foi enfático ao diferenciar memorandos de entendimento de acordos efetivos. "Nesse momento a gente ainda está no nível de intenções. Não tem nada concreto", afirmou. Para ele, algumas dessas intenções já poderiam estar se convertendo em ações, como a aproximação entre universidades brasileiras e instituições acadêmicas de outros países para o desenvolvimento de tecnologia no setor.

Outro ponto levantado foi a necessidade de clareza sobre onde serão instaladas eventuais plantas de refino — se nos territórios mineradores ou em outras regiões. Roque observou que municípios que sofrem impactos sociais e ambientais da mineração tendem a reivindicar essas contrapartidas. Além disso, ele criticou a confusão entre o PL 2780, que é um projeto de lei com arcabouço regulatório, e um planejamento estratégico de fato. "O PL vai ser um arcabouço legal. São regras apenas, não tem nada ali de projeção", explicou.

Setor de mineração precisa se organizar

Roque também apontou a falta de unidade dentro do próprio setor de mineração como um obstáculo. Ele mencionou que diferentes associações, como a Associação de Minerais Críticos e o Ibram, podem ter posições distintas sobre as alterações desejadas no PL 2780, o que enfraquece a capacidade de pressão do setor. "O setor precisa se organizar. Quem são as empresas que assinam em conjunto esses desejos?", questionou.

Durante um evento realizado em Ouro Preto, o Cimexmin, ficou evidente um descompasso entre investidores e empreendedores: enquanto o lado financeiro, incluindo o BNDES e a iniciativa privada, afirma ter capital disponível, faltam projetos com qualidade e maturidade. Já os empreendedores alegam não ter recursos suficientes para a fase inicial de exploração. Para Gustavo Roque, esse cenário reforça a necessidade de sinergia entre as diferentes fases e agentes do setor, evitando movimentos isolados.

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