Trump fará convenção em situação rara para buscar reeleição: atrás nas pesquisas

Caso que pode motivar Trump é do democrata Harry Truman, que reverteu grande desvantagem nas pesquisas no período pré-convenções para vencer eleição de 1948

Harry Enten, da CNN
24 de agosto de 2020 às 01:06 | Atualizado 24 de agosto de 2020 às 02:06
O democrata Joe Biden (à esq.) e o atual presidente dos EUA, Donald Trump (à dir.)
Foto: Getty Images

O presidente americano Donald Trump iniciará a Convenção Nacional Republicana, nesta semana, em uma posição incomum para um ocupante do cargo: atrás nas pesquisas para concorrer à reeleição. E dessa vez, não é apenas que ele está perdendo; ele está perdendo por margens consideráveis.

Se Trump quiser voltar ao jogo e vencer esta eleição, ele terá que reescrever o livro dos recordes. Houve apenas três ocupantes da presidência americana em situações comparávis no início do período da convenção desde 1940: Harry Truman em 1948, Gerald Ford em 1976 e Jimmy Carter em 1980. Apenas Truman, abaixo cerca de 10 pontos de seu oponente, teve uma desvantagem que correspondeu à de Trump no momento atual. Mas mesmo Truman não tinha um oponente que já estava conseguindo mais da metade dos votos.

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A notícia potencialmente boa para Trump é que, por estar em uma posição sem precedentes, é difícil determinar sua verdadeira chance de retornar ao jogo, especialmente durante uma pandemia global que pode influenciar bastante o eleitorado. Além disso, é digno de nota que Truman venceu em 1948. E Ford, que no período pré-convenções tinha desvantagem de 7 pontos em relação a Carter em 1976, no final perdeu por apenas 2 pontos.

Uma maneira pela qual Trump está claramente em uma posição pior do que Truman ou Ford é sua própria popularidade. O índice líquido de aprovação de Truman (balanço de aprovação x desaprovação) era de apenas cerca de - 5 pontos na véspera das convenções de 1948. O de Ford era positivo. Já o índice de aprovação líquido de Trump é de cerca de -12 pontos.

Os dois presidentes que, no momento das convenções, tinham índices de aprovação líquidos na casa dos dois dígitos negativos desde 1940 perderam. Na verdade, Carter em 1980 e George H.W. Bush foram os dois presidentes que perderam a reeleição por maiores margens na era das eleições.

Uma convenção boa para Trump seria aquela em que ele mostrasse sua popularidade. Ainda assim, ser impopular e vencer não seria nada novo para Trump. Ele venceu a eleição de 2016, mesmo tendo um índice de favorabilidade líquida de -22 pontos (favorável x desfavorável) na pesquisa de saída.

E, de fato, Trump está um pouco melhor de onde se esperava que ele estivesse contra Biden com base em seu índice de favorabilidade (ou aprovação). Ele caiu 9 pontos em vez de dois dígitos.

A diferença entre a popularidade de Trump e a rejeição, no entanto, é consideravelmente menor do que era em 2016. É apenas cerca de 5 pontos ou menos este ano, não os 20 pontos do último ciclo eleitoral.

O problema de Trump é duplo. Primeiro, Biden é simplesmente mais popular do que Hillary Clinton, então Trump não pode contar com um oponente muito impopular para se aproveitar disso;

Em segundo lugar, Trump não pode contar com os votos daqueles que não gostam de ambos os candidatos. Biden está ganhando com uma margem considerável. Na pesquisa mais recente da NPR/ PBS NewsHour / Marist College, a margem era de cerca de 20 pontos a seu favor. Trump venceu entre aqueles que não gostaram de ambos os candidatos em 2016 por quase 20 pontos.

Desta vez, esse grupo que não gosta de ambos os candidatos tem muito mais probabilidade de ser eleitores mais jovens que desprezam Trump.

Mesmo que ele não consiga que os eleitores gostem mais dele, uma boa convenção para Trump seria aquela em que ele tornasse Biden menos apreciado ou, no mínimo, fizesse aqueles que não gostam de ambos os candidatos darem uma segunda olhada à sua candidatura. 

A menos que algo mude nos últimos meses desta eleição, é improvável que Trump recrie a mágica que fez em 2016.