Após 15 anos, caso Madeleine McCann continua sem desfecho

Menina desapareceu quando tinha 3 anos, em Algarve, Portugal; novas evidências trouxeram o caso à tona nas últimas semanas

Kate e Gerry McCann seguram uma imagem policial de sua filha durante uma entrevista coletiva para marcar o 5º aniversário do desaparecimento de Madeleine McCann, em 2 de maio de 2012 em Londres, Inglaterra.
Kate e Gerry McCann seguram uma imagem policial de sua filha durante uma entrevista coletiva para marcar o 5º aniversário do desaparecimento de Madeleine McCann, em 2 de maio de 2012 em Londres, Inglaterra. Getty Images

Da CNN

em São Paulo

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Madeleine McCann tinha 3 anos quando desapareceu do apartamento de férias de sua família na Praia da Luz, em Algarve, Portugal, em 3 de maio de 2007. Desde então, o caso não foi encerrado e ainda não há culpados pelo sumiço da menina.

Nas últimas semanas, novas evidências movimentaram as investigações, com um promotor alemão dizendo “ter certeza” de que Christian Brueckner “é o assassino de Madeleine McCann”.

Os pais da garota estavam jantando com amigos a apenas 60 metros do apartamento onde a menina deveria dormir com seus irmãos gêmeos. Por volta das 22h, Kate McCann, a mãe, foi checar as crianças e descobriu que Madeleine não estava no imóvel. A janela do quarto estava aberta.

O caso teve grande repercussão mundial, principalmente devido à enorme campanha publicitária realizada pelos pais da menina para tentar descobrir o paradeiro de Madeleine.

Eles viajaram para vários países para promover a busca pela filha, tendo até se encontrado com o papa Bento XVI em Roma.

Cerca de 600 pessoas foram investigadas e quatro foram consideradas suspeitas, mas absolvidas depois.

Uma grande recompensa foi oferecida por informações sobre o paradeiro da garota, incluindo contribuições da autora de “Harry Potter”, J.K. Rowling, o magnata pop Simon Cowell e o empresário Richard Branson. Jogadores de futebol como David Beckham e Cristiano Ronaldo também pediram ajuda para localizar a menina desaparecida.

Em setembro de 2007, a polícia portuguesa classificou Kate e Gerry McCann, pais de Madeleine, como suspeitos do desaparecimento da filha, depois que DNA foi encontrado em um carro que a família alugou 25 dias após relatar o desaparecimento. Eles negaram todas as acusações e, posteriormente, o caso contra eles foi encerrado.

Os pais de Madeleine receberam US$ 1,1 milhão em danos por difamação e obtiveram desculpas de vários meios de comunicação pela cobertura do caso.

Troca dos responsáveis pela investigação

Depois disto, as autoridades portuguesas entregaram todos os seus processos a investigadores privados contratados pelos pais da menina, que continuaram a seguir possíveis pistas.

Em maio de 2011, eles publicaram um livro chamado “Madeleine”, que fala sobre a busca pela filha. Em julho do mesmo ano, informações sobre uma garota da Índia que parecia ser a garota desaparecida causou comoção nas redes sociais, mas a informação foi descartada, como diversos outros relatos de possíveis “aparições” da menina em pelo mundo.

Também em 2011, o caso foi assumido pela Polícia Metropolitana de Londres. Entre outras medidas, as autoridades britânicas abriram novas investigações sobre crimes ocorridos perto da estância de férias.

Madeleine McCann está desaparecida desde maio de 2007
Madeleine McCann está desaparecida desde maio de 2007 / Foto: Divulgação/Metropolitan Police

A investigação em larga escala ficou conhecida como Operação Grange e, entre 2019 e 2020, custou pelo menos US$ 14,7 milhões (cerca de R$ 75 milhões).

Em outubro de 2013, a polícia britânica publicou novos esboços de possíveis suspeitos no caso. Nesse sentido, abriram-se novas linhas de investigação, todas relacionadas a uma série de assaltos ao balneário onde a menina desapareceu.

Em março de 2014, investigadores britânicos disseram estar atrás de um homem que agrediu jovens britânicas durante as férias em Portugal nos anos anteriores e posteriores ao desaparecimento de McCann.

Identificação do principal suspeito

Um dos marcos mais importantes da investigação ocorreu em junho de 2020, quando as autoridades britânicas e alemãs anunciaram que haviam identificado um cidadão alemão de 43 anos – à época – como suspeito no caso.

Hans Christian Walters, promotor estadual de Brauwschweig, disse que o homem está sendo investigado por homicídio. “Com isso, você pode entender que assumimos que a menina está morta”, disse ele em entrevista coletiva publicada em vídeo pela CNN.

O suspeito que eles se referiam era o traficante de drogas condenado e molestador de crianças Christian Brueckner.

Porém, Brueckner não foi acusado de nenhum crime relacionado ao desaparecimento. Ele está atrás das grades na Alemanha por estuprar uma mulher na mesma área da região do Algarve onde Madeleine desapareceu em 2007. O suspeito negou envolvimento no desaparecimento de McCann.

Em 22 de abril de 2022, os promotores portugueses disseram que um homem foi formalmente identificado como suspeito do desaparecimento. Os promotores de Faro, a principal cidade do Algarve, não divulgaram o nome publicamente, mas disseram em comunicado que as autoridades alemãs o identificaram como suspeito a seu pedido.

Recentemente, em 4 de maio de 2022, Hans Christian Wolters, promotor alemão que investiga o caso desde 2020, disse que os detetives acreditam ter encontrado “alguns fatos, algumas novas evidências”, acrescentando: “Temos certeza de que ele [Brueckner] é o assassino de Madeleine McCann”.

O prazo para prescrição deste tipo de crime acaba 15 anos após a ocorrência, o que aconteceria no dia 3 de maio deste ano, mas Brueckner ainda será devidamente investigado.

*com informações da CNN, CNN Portugal e da CNN Espanhol

(publicado por Tiago Tortella, da CNN)

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