Argentina divulga nomes de imunizados após escândalo de ‘vacinação VIP’

Na lista figuram funcionários do alto escalão do governo argentino e figuras do peronismo

Frasco com a vacina Sputnik V em clínica em Rostov-On-Don, Rússia
Frasco com a vacina Sputnik V em clínica em Rostov-On-Don, Rússia Foto: Sergey Pivovarov/Reuters

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O governo da Argentina divulgou nesta segunda-feira (23) uma lista das pessoas vacinadas em um hospital público administrado pelo Ministério da Saúde local. Nesta lista figuram personalidades públicas suspeitas de terem acessado a vacina contra a Covid-19 de forma privilegiada.

O documento, integrado por 70 pessoas, foi divulgado por instrução da ministra da Saúde argentina, Carla Vizzoti, após o escândalo de uma “vacinação VIP” ser deflagrado na sexta-feira (19). O caso custou o cargo de ministro da Saúde a Ginés González García.

Segundo informações do Ministério, foi requisitado ao Hospital Posadas — um hospital público na periferia oeste de Buenos Aires — e a outros hospitais que fazem parte da administração sanitária nacional, uma lista de pessoas vacinadas contra a Covid-19 por ordem de Vizzotti.

Da mesma maneira, foi ordenada uma auditoria do registro nominal dos vacinados.

Vacinados estratégicos

A polêmica se desenrolou na última sexta-feira, quando o jornalista Horacio Vertbisky, de 79 anos, revelou que se vacinou na sede do Ministério da Saúde graças à sua amizade com González García (ex-ministro da Saúde).

Veículos locais descobriram durante o final de semana que o jornalista não foi o único a ter acesso à vacina de forma privilegiada, e apontaram também políticos, sindicalistas e empresários próximos ao poder.

Na Argentina, até este momento só havia sido permitida a vacinação dos profissionais da saúde e idosos — no caso de Buenos Aires apenas idosos com mais de 80 anos —, com cadastro pela internet e designada pela disponibilidade de doses.

Vizzotti, que assumiu o cargo de ministra no sábado (20), negou que exista um sistema de “vacinação VIP”, e que estes casos “foram uma exceção”.

A nova ministra explicou que, dentro da campanha de vacinação contra a Covid-19, há um grupo da população que é “estratégico”, aquelas pessoas que tomam decisões chave na função pública, e por isso alguns funcionários de “primeiro escalão” podem ter acesso ao imunizante.

Este é o caso, por exemplo, do presidente Alberto Fernández, que é o primeiro da lista divulgada na segunda-feira.

Os nomes da lista

Além do chefe de Estado, figuram os nomes de outros funcionários públicos, como os ministros das Relações Exteriores, Felipe Solá, e da Economia, Martín Guzmán.

Porém, aparecem também muitos outros cargos públicos de menor importância, cuja qualificação de “pessoal estratégico” é discutível.

Também figuram nomes de pessoas que não estão na função pública, como o próprio Vertbisky, o também jornalista Gabriel Michi, os empresários Seza Manukian e Florencio Aldrey, e históricos dirigentes do peronismo argentino, como Lorenzo Pepe, Hugo Curto e o ex-presidente Eduardo Duhalde, que comandou o país entre 2002 e 2003, entre outros.

(Texto traduzido. Leia o original em espanhol).

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