Bush revela que ‘votou’ em Condoleezza Rice, e não em Trump, para presidente

As famílias Bush e Trump têm uma rixa desde que o irmão de George,Jeb Bush, concorreu contra Trump nas primárias republicanas de 2016

Foto: Ron Sachs/Pool/Getty Images

Veronica Stracqualursi, da CNN

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O ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, escreveu na cédula o nome de sua antiga secretária de Estado, Condoleezza Rice, na eleição presidencial de 2020, em vez de votar no candidato indicado por seu partido, Donald Trump, para a reeleição. A revelação foi feita por Bush para a revista People.

“Ela sabe disso”, disse Bush à revista, se referindo a Rice, uma de suas conselheiras mais próximas durante o mandato. “Mas ela me disse que não aceitaria o cargo.”

Este é o exemplo mais recente de como o 43º presidente e patriarca de uma das mais proeminentes dinastias do Partido Republicano se tornou um estranho para o Partido Republicano atual, ainda que, nesta mesma entrevista, Bush tenha amenizado suas últimas críticas à sigla.

Na terça-feira (20), em uma crítica notável a seu próprio partido, Bush descreveu os republicanos ao programa “Today”, da NBC, como “isolacionistas, protecionistas e, de certa forma, nativistas”, comentário o qual ele voltou atrás na entrevista para a revista People.

“Na verdade, o que eu deveria ter dito é que há vozes barulhentas que são isolacionistas, protecionistas e nativistas, algo, por sinal, sobre o que eu já falei quando era presidente.”

Ele continuou: “Mas eu pintei com um pincel muito amplo… porque, dizendo o que eu disse, eu excluí muitos republicanos que acreditam que nós podemos resolver o problema.”

A família Bush e Trump têm uma rixa desde que o irmão de George, o ex-governador da Florida Jeb Bush, concorreu contra Trump e outros nas primárias republicanas de 2016. Durante a campanha, Trump zombou de Jeb Bush usando insultos pessoais, acusou George W. Bush dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e atacou o legado de Bush.

Trump, no entanto, segue sendo, indiscutivelmente, a figura mais popular entre a base republicana desde que saiu da presidência, em janeiro, e o Partido Republicano tem debatido nos últimos meses sobre se deve ou não continuar investindo na imagem de Trump. Bush, que tem evitado falar de política desde que deixou o cargo de presidente, em 2009, recentemente tem feito uma série de aparições na mídia para promover seu novo livro de pinturas de imigrantes, e pediu ao Partido Republicano que adote um tom e uma abordagem mais gentis à imigração.

O ex-presidente não criticou Trump nominalmente, mas os comentários indicam um desafio direto ao legado de Trump, que, como 45º presidente do país, descrevia com frequência os imigrantes com termos ofensivos e criou políticas de fronteira severas, como parte fundamental de sua estratégia política.

Em 2016, Bush e a ex-primeira-dama Laura Bush não votaram em ninguém para a presidência e só votaram em candidatos republicanos nas disputas menores, disse um porta-voz.

Chandelis Duster, da CNN, contribuiu com esta reportagem

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês)

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