Chefe do Pentágono cita Bíblia para comparar repórteres a inimigos de Jesus

Pete Hegseth afirmou em coletiva que parte da imprensa "odeia Trump"

Phil Stewart e Idrees Ali, da Reuters
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, citou escrituras ​bíblicas nesta quinta-feira (16) para atacar a mídia, comparando os ​repórteres a adversários judeus de Jesus Cristo que planejavam "como destruí-lo".

Os comentários de Hegseth buscaram combater o que ele considera uma cobertura negativa da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Eles também ocorreram em meio a uma briga crescente entre o presidente Donald Trump e o papa Leão, o primeiro líder da Igreja Católica nascido nos EUA e um crítico da guerra.

Essa disputa ⁠tomou um novo rumo esta semana, ​quando o presidente dos EUA publicou imagens nas redes sociais com Jesus o abraçando ​e o próprio Trump como uma figura semelhante a Jesus.

Hegseth, cujo cristianismo se tornou o ⁠foco de seu mandato como chefe do Pentágono, ⁠usou seus comentários iniciais em uma entrevista no Pentágono sobre a guerra ​do ‌Irã para refletir sobre um sermão de domingo sobre como os fariseus tentaram minar Jesus mesmo ⁠depois de vê-lo realizar um milagre.

Os corações deles estavam endurecidos contra Jesus, disse Hegseth, e "os fariseus saíram e imediatamente se reuniram contra ele, como destruí-lo."

"Sentei-me na igreja e pensei: nossa imprensa é exatamente como ‌esses ⁠fariseus", afirmou Hegseth, diante ‌de repórteres reunidos na sala de entrevistas do Pentágono, acrescentando que não estava se referindo a todos, mas apenas "à imprensa que odeia Trump".

"Os fariseus examinavam cada ato bom a fim de encontrar uma ⁠violação. Só procuravam o negativo. Os corações endurecidos ⁠de nossa imprensa são calibrados apenas para impugnar."

Nos últimos dias, Hegseth e Trump recorreram repetidamente à linguagem cristã para discutir ‌a guerra, com ambos chamando de milagre o resgate no domingo de Páscoa de um aviador norte-americano abatido no Irã.

Hegseth, em uma cerimônia de oração no mês passado, orou para que as tropas fossem capazes de realizar "uma ação de violência avassaladora contra aqueles que não merecem ‌misericórdia."

Ao longo da história, os presidentes e os governos dos EUA invocaram a fé cristã em tempos de guerra. Mas o governo Trump se diferenciou em seu uso de uma linguagem religiosa clara e inequívoca, disse John Fea, professor de história da Messiah University, que escreveu extensivamente sobre evangélicos e política.

Isso também ampliou a divergência com o papa Leão. Menos de uma hora após ​o término da coletiva de imprensa do Pentágono, Leão, que é de Chicago, postou no X: "Ai ​daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira."

Hegseth é um crítico frequente da mídia dos EUA, que ele diz ‌ser tendenciosa contra Trump.