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    Cúpula dos Brics chega ao fim com expectativa por convite a Argentina, Egito e países do Oriente Médio

    Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos serão membros plenos, com os mesmos direitos das nações originárias

    Segundo dia de reunião do Brics nesta quarta-feira
    Segundo dia de reunião do Brics nesta quarta-feira Foto: Ricardo Stuckert/PR

    Douglas Portoda CNN

    São Paulo

    A 15ª Cúpula do Brics chega ao fim nesta quinta-feira (24) e pode contar com o anúncio de novos membros:

    • Argentina, da América do Sul
    • Egito, da África,
    • e Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã, do Oriente Médio.

    Os membros do grupo chegaram ao consenso de convidar os cinco novos integrantes na quarta-feira (23), segundo dia do evento, como apurado pela CNN.

    A Indonésia, que também poderia ter sido convidada, decidiu, durante a cúpula, esperar mais tempo para considerar a adesão ao grupo.

    Agenda da Cúpula nesta quinta

    • Primeira sessão do Diálogo de Amigos do Brics, BRICS-Africa Outreach e BRICS Plus, às 4h [no horário de Brasília];
    • Segunda sessão do Diálogo de Amigos do Brics, às 8h30;
    • Término da 15ª Cúpula do Brics, às 12h.

    Estarão presentes nos eventos os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT); da África do Sul, Cyril Ramaphosa; da China, Xi Jinping; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

    Com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participando de forma remota, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, está representando o país presencialmente no evento.

    Novos países, direitos iguais

    Todos os países que tiverem a entrada para o Brics anunciada serão membros plenos, com os mesmos direitos das nações originárias: Brasil, Rússia, Índia e China – assim como a África do Sul, que foi incorporada ao grupo em 2011.

    O processo de adesão vai ocorrer durante um ano e é esperado que todos os novos membros já estejam presentes na próxima cúpula de líderes, na Rússia, em 2024.

    O Brasil defendeu a entrada da Argentina, parceiro comercial no Mercosul. Segundo negociadores, não houve polêmica relacionada à entrada do país, que enfrenta grave crise econômica com inflação em três dígitos.

    A adesão em conjunto do Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, todas ditaduras, garantiu um equilíbrio ao bloco, já que há rivalidades importantes entre eles.

    Irã e Arábia Saudita são grandes adversários regionais, que só reataram relações diplomáticas recentemente – graças à mediação da China, que queria os dois países no bloco.

    Além disso, poderia ser mal interpretado no mundo muçulmano um convite para dois países de maioria sunita (Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) sem o mesmo aceno a um país de maioria xiita (o Irã).

    VÍDEO – Análise: Lula defende expansão dos Brics e moeda comum em evento

    A decisão de ampliar o grupo contempla os interesses da China e da Rússia, que pretendem usar o Brics como uma espécie de contraponto ao G7, liderado pelos Estados Unidos, e a outras entidades de governança global.

    A ideia da ampliação vinha sendo discutida há anos, mas tomou grande impulso recentemente por conta da disputa geopolítica cada vez mais acirrada entre China e Estados Unidos, as duas maiores economias do mundo, e pelo isolamento da Rússia em face da invasão da Ucrânia.

    O presidente Lula, no entanto, negou que a intenção do Brics seja a de fazer contraponto a qualquer outro grupo, seja “o G7, o G20 ou mesmo os Estados Unidos”.

    Uma pessoa muito próxima de Lula disse à CNN que o principal interesse do Brics é defender os interesses do grupo dentro de uma ordem global, que vem mudando rapidamente, se transformando em um mundo multipolar.

    Um dos pedidos do Brasil para aceitar a entrada de novos membros era que houvesse uma declaração clara da China e da Rússia defendendo a ocupação pelo Brasil de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

    Segundo os negociadores, o comunicado final a ser divulgado nesta quinta-feira deve incluir uma linguagem clara de reforma do Conselho de Segurança, mas sem apoio explícito a nenhum país.

    *Com informações de Américo Martins, da CNN