Em viagem à Ásia, Lula vai tratar sobre minerais críticos e regulação da IA
Petista fará visitas de Estado à Índia e à Coreia; minerais críticos e terras raras serão centrais em diálogo com ambos os países

Na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará visitas de Estado à Índia e à Coreia do Sul. Na viagem, Lula vai tratar da regulação da IA (inteligência artificial) e da exploração de minerais críticos.
O presidente brasileiro deve deixar o país na próxima quarta-feira (17). Ele começará a viagem pela Ásia na Índia, a convite do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Itamaraty, há a expectativa de um memorando de entendimento sobre terras raras em parceria com o país.
A ideia, de iniciativa do Ministério de Minas e Energia, seguirá a linha de que a política brasileira está aberta à cooperação internacional, mas de uma forma que agregue valor à produção nacional.
Conforme Lula vem defendido ao longo de seu mandato, o objetivo do governo brasileiro é não apenas exportar o minério como uma commodity, mas processá-lo.
O Itamaraty afirma que o acordo ainda está em deliberação e que possibilitará especificações posteriores e que fomentem novas oportunidades de cooperação.
O tema também será discutido nos fóruns empresariais organizados pela Apex-Brasil tanto na Índia quanto na Coreia.
O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo dos minerais críticos, considerados essenciais para a produção de veículos elétricos e de armas modernas. Assim, a posição que vem sendo defendida pelo governo brasileiro é a do multilateralismo, ou seja, não fechar acordos exclusivos com nenhuma nação.
Regulação da Inteligência Artificial
Na Índia, onde Lula passará mais dias, a comitiva brasileira também participará Cúpula de Inteligência Artificial, que será realizada em 19 e 20 de fevereiro.
No evento, serão discutidos temas como a democratização de recursos para o uso de IA e o uso da tecnologia para o bem-estar social e o desenvolvimento econômico.
É esperada uma declaração final por parte da Índia, com o lançamento de uma rede internacional de IA para instituições científicas e um guia para o avanço da mesma.
O Brasil irá copresidir, juntamente com o Japão, um Grupo de Trabalho sobre IA segura confiável. O grupo deve entregar duas propostas: uma plataforma colaborativa com repositório de iniciativas e base de dados que contribuam para aumentar a confiança em sistemas de IA; e uma nota de orientação sobre a governança da ferramenta.
O presidente Lula deve ter reuniões bilaterais com outros países durante a realização da cúpula e mencionar a perspectiva do governo brasileiro sobre o uso da inteligência artificial.
A posição do chefe do Executivo brasileiro — já expressada reiteradas vezes — é de que a IA não pode ser um privilégio de poucos países. Em diferentes ocasiões, Lula defendeu a criação de uma IA para o Sul Global e a de uma ferramenta brasileira.
Outros temas que serão discutidos na viagem
Lula também deve tratar de impressões sobre a conjuntura mundial com o primeiro-ministro Narendra Modi. A avaliação do Itamaraty é que, devido ao atual contexto de instabilidade global, o diálogo entre os dois países ganhou mais relevância.
A reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o compromisso com a paz na Faixa de Gaza e o respeito à soberania dos países devem ser alguns dos tópicos a serem abordados.
O Ministério das Relações Exteriores diz ainda que a visita será uma oportunidade para discutir a ampliação do acordo de preferências tarifárias entre a Índia e o Mercosul e a extensão da validade de vistos para turistas de ambos os países.
Na Coreia, o governo brasileiro pretende abrir novas frentes de cooperação e de mercados agropecuários, de carne bovina e suína.
Cerca de 230 empresários brasileiros devem marcar presença no Fórum Empresarial Brasil-Coreia, em 23 de fevereiro, e devem tratar de temas como agronegócio, alimentos, cosméticos, indústria farmacêutica e aviação.


