Entenda o avanço da Otan no leste da Europa

Enquanto a Finlândia manifesta desejo de aderir à aliança militar, Rússia fala em “ameaça”

Márcio GomesDenise Odorissida CNN

em São Paulo e em Londres

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A Rússia deu nesta quinta-feira (12) uma espécie de ultimato à Finlândia, país que começou o seu processo de entrada na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a associação de defesa do Ocidente.

No momento em que a guerra na Ucrânia chega perto dos 80 dias, o comportamento russo pode ser explicado pela preocupação de ver a Otan se aproximando perigosamente de Moscou com o passar dos anos.

Nas primeiras décadas da aliança militar, os países integrantes da Otan se concentravam mais a oeste da Europa, longe da Rússia.

Várias nações eram neutras ou faziam parte de outras organizações de defesa –o que dava uma certa segurança aos russos.

A partir de 1991, com o fim da Guerra Fria, o que se vê é a Otan ganhando novos integrantes, incluindo países que faziam parte da antiga União Soviética. E aquela distância “de segurança” é formada apenas pela Ucrânia e Belarus. Agora, Suécia e Finlândia conversam sobre essa possibilidade, de se juntar à Otan.

Rússia fala em “ameaça”

A Rússia tem reafirmado que a entrada da Finlândia na Otan seria uma ameaça. Mesmo assim, o país avança no processo de adesão na busca por garantias de segurança depois da invasão da Ucrânia. Rússia e Finlândia compartilham uma fronteira de 1.300 quilômetros.

Nesta quinta, o presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, defendeu a entrada na Otan “sem demora”. A candidatura ainda precisa ser discutida no Parlamento e deve ser aprovada em uma votação prevista já para o começo da próxima semana.

A invasão da Ucrânia pela Rússia também influenciou a opinião dos finlandeses. Uma pesquisa mostrou que 76% são favoráveis à adesão à Otan. Antes, eram apenas 25%.

Desde a Segunda Guerra Mundial, a Finlândia mantinha uma política de neutralidade em relação a Moscou. Mas nos anos 90, a adesão à União Europeia e a assinatura da cláusula de defesa mútua reforçaram a aproximação da Finlândia com o Ocidente.

O processo de adesão à Otan leva cerca de um ano, pois precisa ser aprovado pelos Parlamentos de todos os 30 países que fazem parte da aliança. Entretanto, o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, prometeu um processo tranquilo e rápido.

Na Alemanha, maior potência da União Europeia, o chanceler Olaf Scholz ofereceu apoio total à intenção da Finlândia de aderir à Otan.

O governo da Suécia, que tem fortes laços históricos e militares com a Finlândia, também pode formalizar sua candidatura nos próximos dias.

A entrada dos dois países nórdicos na aliança militar seria uma das maiores transformações no sistema de segurança europeia em décadas, colocando tropas ocidentais a poucas horas da fronteira com a Rússia.

O porta-voz do governo russo, Dimitry Peskov, declarou que a decisão da Finlândia é uma ameaça à Rússia. E que a expansão da Otan não tornará a Europa ou o mundo mais estáveis.

Também afirmou que é lamentável a Finlândia ter se juntado a “atitudes hostis” da União Europeia, e que isso dá motivo para uma resposta simétrica.

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