EUA estão prontos para atacar usinas do Irã se necessário, diz Pentágono
Priscila Yazbek destaca que EUA aumentam pressão para acordo com Teerã, intensificando bloqueio naval e ameaçando atingir infraestrutura energética caso não haja avanço nas negociações
O Pentágono afirmou que os militares americanos estão preparados para atacar usinas e a indústria energética do Irã caso recebam ordem para tal. A correspondente da CNN em Nova York, Priscila Yazbek, explicou durante o Bastidores CNN desta quinta-feira (16) que a declaração surge em um momento de crescente tensão entre Washington e Teerã, enquanto os Estados Unidos intensificam a pressão para que o Irã aceite um acordo.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, descreveu o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e anunciado por Donald Trump no domingo (12) como "apenas um exemplo de comportamento educado". Segundo Hegseth, as forças americanas estão prontas para atacar a infraestrutura energética iraniana se receberem ordens nesse sentido, alertando que "o Irã precisa fazer escolhas com cuidado" enquanto se prepara para negociações.
O chefe do Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, advertiu que navios que tentarem furar o bloqueio poderão ser interceptados e até sofrer o uso da força.
O bloqueio naval já impediu que pelo menos 14 navios atravessassem o Estreito de Ormuz, forçando-os a retornar aos portos iranianos. "Esta é uma estratégia do governo Trump de tentar 'estrangular' ainda mais a economia iraniana, além das sanções econômicas que já haviam sido impostas pelos EUA, fazendo com os iranianos cederem nessas negociações", destaca Yazbek.
As negociações entre Estados Unidos e Irã estão sendo intermediadas pelo Paquistão. O chefe do exército paquistanês esteve em Teerã para conversas, sinalizando a possibilidade de uma segunda rodada de negociações. Donald Trump tem afirmado que "coisas incríveis poderiam acontecer nos próximos dias", embora existam impasses significativos a serem superados.
Um dos principais pontos de discordância é o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem uma suspensão do enriquecimento de urânio por 20 anos, enquanto o Irã propõe um período de cinco anos. Esta questão é central para o avanço das negociações e eventual fim do conflito.
Para o Irã, a pressão é intensificada não apenas pelos 13 mil alvos já atingidos, mas também pelo bloqueio naval que compromete sua economia e impede a venda de petróleo para a China, um parceiro comercial importante. Já os Estados Unidos buscam um cessar-fogo devido a pressões internas, incluindo o aumento da inflação no país.


