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    Entenda como a falta de combustíveis agrava a crise humanitária na Faixa de Gaza

    Três semanas desde o início do "cerco total" imposto por Israel, os palestinos na Faixa de Gaza sofrem com a escassez de suprimentos básicos, como água, comida e cuidados médicos

    Palestinos tentam pegar água no centro da Faixa de Gaza
    Palestinos tentam pegar água no centro da Faixa de Gaza 27/10/2023 REUTERS/Mohammed Fayq Abu Mostafa

    Rachel WilsonLou RobinsonAmy O'Krukda CNN

    O combustível é um item essencial para as mais de 2 milhões de pessoas em Gaza que, após três semanas do cerco imposto por Israel, sofrem com a escassez de suprimentos básicos, como água, comida e cuidados médicos.

    A falta de combustível paralisou hospitais, o fornecimento de água, padarias e operações de socorro na Faixa de Gaza. A Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas alertou no domingo (29) que o sistema de entrada de ajuda humanitária em Gaza “está fadado ao fracasso” se Israel continuar a proibir a entrada de combustível.

    Em meio à ameaça de colapso de infraestruturas vitais, milhares de palestinos desesperados invadiram os armazéns da ONU em busca de suprimentos no sábado (28).

    Vídeo mostra tanques de Israel avançando pela Faixa de Gaza

    O enclave está sem qualquer fornecimento de combustível há quase três semanas desde que o governo israelense ordenou um “cerco completo” no dia 9 de outubro e interrompeu o fornecimento de alimentos, combustível, água e eletricidade, dois dias depois do ataque surpresa do grupo radical islâmico Hamas contra Israel ter deixado mais de 1.400 mortos.

    Desde o início do conflito, os ataques israelenses já deixaram mais de 7.900 palestinos mortos, de acordo com o Ministério da Saúde palestino, controlado pelo Hamas.

    Quase todo o combustível se esgotou e as autoridades ​​da ONU alertam que os hospitais de Gaza estão à beira do colapso, sem capacidade para operar geradores de reserva para tratar as pessoas.

    Na manhã desta segunda-feira (30), 118 caminhões de ajuda humanitária com alimentos, água e material médico entraram em Gaza através da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito.

    Israel começou a permitir a passagem de um número limitado de caminhões em 21 de outubro, mas continuou a proibir a entrada de combustível, dizendo que o Hamas o usaria para lançar ataques aéreos.

    Os militares israelenses afirmam que há um estoque de combustível em Gaza na posse do Hamas que não está sendo distribuído para fins humanitários, informou a CNN.

    A principal agência da ONU em Gaza disse que terá de parar de operar quando o combustível acabar, o que era esperado em 25 de outubro, embora algumas operações tenham continuado através de um racionamento severo.

    Além disso, Gaza não pode produzir alimentos ou conseguir água potável sem eletricidade ou combustível.

    Mais de 2 milhões de pessoas na faixa correm o risco de contrair doenças transmitidas pela água, pois estão bebendo água salgada e poluída de poços agrícolas.

    As padarias apoiadas pelo Programa Alimentar Mundial também não conseguem produzir devido aos danos causados por ataques aéreos e à falta de energia, disseram as autoridades.

    Em 22 de outubro, a ONU conseguiu coordenar a recuperação de combustível em uma instalação de armazenamento em Gaza e distribuiu o combustível recuperado para abrigos e hospitais e para fábricas de dessalinização de água em Khan Younis e Deir al-Balah, que estão produzindo agora 30% da sua capacidade. Mas também deverá acabar em breve.

    Funcionários da ONU afirmam que as operações de resgate, dificultadas pela falta de combustível para os veículos, falharam em chegar a pelo menos 940 crianças que estão desaparecidas e podem estar presas sob escombros de edifícios atingidos até 29 de outubro.

    A escassez de combustível também forçou o fechamento de seis hospitais, enquanto outros fecharam devido a danos causados ​​por ataques aéreos, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os hospitais que permanecem em funcionamento estão sendo forçados a racionar os materiais.

    A presidente do conselho do Médicos Sem Fronteiras-Brasil, Renata Santos, disse que os médicos em Gaza já não possuem mais anestesia para realizar operações.

    “Um colega nosso, cirurgião, teve que performar uma amputação de uma criança sem anestesia suficiente para isso. Foi a forma que conseguiu fazer. Uma situação indescritível, catastrófica e desumanizante”, disse ela.

    A falta de energia em Gaza

    A crise de combustível em Gaza afeta a capacidade de gerar energia, que mesmo antes do cerco já era inadequada.

    As principais fontes de eletricidade de Gaza são uma única central eléctrica em Deir al-Balah e as linhas de energia israelenses, que representam quase dois terços do fornecimento de energia no território.

    A central elétrica ficou sem combustível há duas semanas e o país passou a depender de geradores para obter eletricidade. Toda a eletricidade que vinha de Israel foi cortada.

    O enclave de 360 quilômetros quadrados, bloqueado por Israel desde 2007, depende de combustível e eletricidade importados para operar todos os seus serviços.

    A maior parte da importação de combustível para Gaza destina-se ao funcionamento da central elétrica, que o Qatar ajudou a financiar desde o final de 2018, aumentando o fornecimento de combustível de 30 milhões de litros em 2018 para mais de 130 milhões de litros anualmente até 2022.

    Sem fornecimento adicional de combustível para a Faixa de Gaza, a escassez está aprofundando a crise humanitária, e os hospitais e médicos têm de fazer escolhas difíceis sobre como utilizar suas reservas cada vez menores.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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