Governador prepara retirada de símbolo da escravidão de bandeira do Mississipi

O republicano Tate Reeves deve assinar projeto aprovado pelo legislativo do estado americano nesta terça (30); nova versão será votada em novembro

Atual bandeira do Mississipi, com símbolo confederado; nova versão deve ser colocada para votação popular em novembro deste ano
Atual bandeira do Mississipi, com símbolo confederado; nova versão deve ser colocada para votação popular em novembro deste ano Foto: Reprodução/Reuters

Da CNN, em São Paulo

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O governador do Mississippi (EUA), Tate Reeves, deve assinar nesta terça-feira (30) o projeto de lei que retira o símbolo dos confederados, considerado uma lembrança da época da escravidão, da atual bandeira do estado. 

Reeves irá sancionar texto aprovado pela Câmara estadual por 91 votos a favor e 23 contra, e pelo Senado local por 37 votos a favor e 14 contra. O político republicano já havia declarado que assinaria a alteração. 

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Após a assinatura, Reeves deve criar uma comissão para desenhar uma nova bandeira para o estado. Eleitores terão a chance de aprovar a versão atualizada em novembro deste ano, de acordo com um comunicado do governador. 

Ainda hoje, ele deve oferecer um discurso sobre a “ocasião histórica e a importância da unidade e do avanço coletivo como um estado”, continuou a nota. 

Lembrança escravagista 

A bandeira da Confederação foi usada pelos estados do sul dos Estados Unidos durante a guerra civil no país, no século XIX. Nela, os sulistas se opunham aos estados do norte por discordâncias sobre mudanças na Constituição, sendo a maior delas a abolição da escravatura, que combatentes de estados como o Mississippi buscavam impedir. 

Símbolos da rebelião fracassada foram erguidos por todo o sul durante os anos de segregação racial e violência conhecidos como as Leis de Jim Crow, que impunham restrições aos direitos civis de pessoas negras. E apesar dos avanços desde o fim dessa legislatura, em 1965, muitos estados permanecem resistentes à remoção dos emblemas confederados.  

Os críticos chamam a bandeira de um símbolo racista que representa a guerra para defender a escravidão, enquanto os apoiadores a chamam de sinal de orgulho e herança do sul.

Nos últimos anos, os símbolos confederados estão sendo cada vez mais abraçados por movimentos de supremacistas brancos, e o assassinato de George Floyd levou à remoção – por manifestantes em alguns casos e autoridades, em outros – de estátuas controversas e símbolos confederados que perturbam moradores há décadas.

Floyd, um homem negro de 46 anos, morreu em 25 de maio em Minneapolis. Enquanto estava preso, Floyd foi asfixiado pelo joelho de um policial branco por mais de oito minutos. Ele foi declarado morto logo depois. Sua morte, que foi capturada em vídeo, provocou protestos generalizados nos EUA, com pessoas pedindo o fim da brutalidade policial contra negros.

(Com informações da Reuters e CNN Internacional) 

 

 

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