Hotel de Trump perdeu mais de R$ 350 milhões durante seu mandato

Documentos divulgados pelo Congresso dos EUA revelam novas informações sobre as finanças do ex-presidente

Ex-presidente dos EUA Donald Trump durante conferência em Orlando
Ex-presidente dos EUA Donald Trump durante conferência em Orlando REUTERS

Katelyn PolantzVeronica Stracqualursida CNN

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De acordo com documentos divulgados pela Comitê de Supervisão da Câmara, o ex-presidente Donald Trump acumulou mais de US$ 70 milhões (cerca de R$ 380 milhões) em perdas durante seu mandato em seu hotel em Washington (EUA), enquanto afirmava publicamente que o empreendimento estava ganhando mais de dezenas de milhões de dólares.

É a primeira vez que investigadores do Congresso analisam e divulgam detalhes das informações financeiras do ex-presidente. O promotor distrital de Manhattan e os investigadores da procuradoria-geral de Nova York revisaram as finanças de Trump, mas nada disso havia sido tornado público.

A renda com o Trump International Hotel relatada em divulgações financeiras públicas de 2016 a 2020 totalizou mais de US$ 156 milhões (cerca de R$ 860 milhões), revelou o comitê nesta sexta-feira (8).

Mas neste período, o hotel sofreu um prejuízo líquido de mais de US$ 70 milhões (cerca de R$ 380 milhões) enquanto ele era presidente e teve que pegar emprestado mais de US$ 27 milhões (cerca de R$ 150 milhões) de uma das holdings de Trump, DJT Holdings LLC, de 2017 a 2020, de acordo com as demonstrações financeiras do hotel obtidas pelo comitê.

Os documentos incluem detalhes que o Congresso tentou obter durante anos da presidência de Trump, especificamente informações sobre pagamentos estrangeiros a negócios do ex-presidente, pelos quais os democratas da Câmara processaram sem sucesso. Cláusula da Constituição diz que o Congresso deve ser capaz de aprovar quaisquer presentes a titulares de cargos de governos estrangeiros. Mas, apesar do interesse, a aprovação do Congresso dos pagamentos estrangeiros que a Organização Trump recebeu nunca aconteceu.

O comitê também afirmou que os documentos da Administração de Serviços Gerais mostraram que Trump recebeu “tratamento preferencial não divulgado” do Deutsche Bank em um empréstimo de construção de US$ 170 milhões (cerca de R$ 940 milhões).

Os termos do empréstimo exigiam que o Trump Hotel iniciasse os pagamentos em 2018, mas os termos foram revisados ​​naquele ano para permitir o adiamento desses pagamentos em seis anos.

A CNN entrou em contato com a Trump Organization, o GSA e o Deutsche Bank para comentário mas não recebeu retorno.

Hotel Trump em Washington DC
Entrada do Trump International Hotel em Washginton, DC / Trump International Hotel

Em julho, o GSA entregou documentos que incluíam as demonstrações financeiras auditadas do Trump Hotel de 2014 a 2020, preparadas pela WeiserMazars LLC, a firma de contabilidade de Trump e as demonstrações financeiras de três anos compiladas pela Mazars.

Vários comitês da Câmara também têm buscado declarações de impostos de Trump e outros documentos financeiros da Mazars USA e do Deutsche Bank por anos, sem sucesso.

Os documentos divulgados hoje levantam “questões preocupantes” sobre o aluguel com a Administração de Serviços Gerais (GSA, em inglês) e a “capacidade da agência de administrar os conflitos de interesse do ex-presidente durante seu mandato, quando ele estava efetivamente em ambos os lados do contrato, como senhorio e inquilino , “a presidente democrata do Comitê de Supervisão, Carolyn Maloney, escreveu em uma carta ao GSA.

O comitê também está solicitando que o a Adminstração produza mais documentos nas próximas duas semanas.

A GSA, que administra prédios federais e terrenos, concedeu o aluguel do antigo prédio dos Correios em 2012. Trump inaugurou o hotel em 2016, quando se tornou candidato republicano à presidência.

Desde então, o Comitê de Supervisão tem investigado conflitos de interesse relacionados à gestão do aluguel do hotel Trump pela GSA.

Quando assumiu o cargo, Trump pediu demissão de suas empresas, mas transferiu seus ativos para um fundo administrado por seus filhos, permitindo que ele ainda se beneficiasse financeiramente do hotel e de seus outros negócios.

Em 2019, o inspetor geral da GSA disse que a agência “ignorou a Constituição” ao decidir manter o aluguel do prédio para o hotel depois que Trump foi eleito para a Casa Branca.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)

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