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    Invadir Gaza é uma das decisões mais difíceis que Israel vai ter que tomar, afirma professora

    Risco para exército israelense, reorganização do Hamas e demografia da região são obstáculos para incursão

    Tanques de guerra israelenses são mobilizados na fronteira com a Faixa de Gaza
    Tanques de guerra israelenses são mobilizados na fronteira com a Faixa de Gaza Reprodução/CNN

    João Nakamurada CNN*

    São Paulo

    Para Danielle Ayres, professora de política internacional, Israel tem diversos obstáculos para avaliar e eventualmente enfrentar caso decida invadir a Faixa de Gaza.

    Em entrevista à CNN, Ayres afirma que começar a incursão “é uma das decisões mais difíceis que Israel vai ter que tomar”.

    A professora elenca o sucesso da operação e dificuldades com a região como os principais fatores de atenção em relação à invasão.

    Incursão por terra

    Danielle Ayres defende que a invasão da Faixa de Gaza pelo exército israelense é praticamente certa, destacando as falas do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e do ministro da defesa do país, Yoav Gallant, defendendo a realização do contra-ataque.

    A professora explica que a ação faz parte da estratégia que Israel adotou para a guerra.

    O que Israel tem como meta através dessa incursão terrestre é neutralizar o máximo possível do Hamas e de alguma forma recuperar os reféns”, pontua Ayres.

    Desse modo, a especialista avalia que o ataque não deve envolver uma intenção de anexação do território. “Até agora, nada do ponto de vista estratégico deu a entender isso”, explica.

    Contudo, a operação seria dificultosa para as forças israelenses, sendo esse o motivo da demora em anunciar a invasão. “O nível de custo humano que Israel pode ter do seu esforço militar é muito grande”, pontua Ayres.

    Riscos

    A professora de política internacional explica que Israel deve buscar realizar a operação da maneira menos custosa possível para seu exército.

    Assim, uma das primeiras dificuldades que a especialista observa é em relação ao resgate dos reféns.

    [Israel precisa] saber onde estão detidos esses reféns para se realizar uma incursão rápida e com o menor número de danos possíveis”, explica Ayres.

    Outro empecilho estratégico que a professora destaca é que, caso seja realizada a invasão, Israel teria de cessar os bombardeios na Faixa de Gaza.

    O problema é que desse modo as forças do Hamas poderiam se reorganizar e se preparar para a defesa contra as forças israelenses.

    Uma vez dentro da Faixa de Gaza, o exército de Israel enfrentaria um problema demográfico, de acordo com a professora.

    “Maior dificuldade é de se adentrar em um território denso”, reforça Ayres, que destaca a grande população, as ruas estreitas e quantidade de detritos como empecilhos para que Israel consiga adentrar em Gaza.

    Esse fator pode ser ainda mais prejudicial para as forças israelenses se levada em conta a falha na inteligência israelense em acompanhar a evolução do inimigo.

    “Não tínhamos dimensão da potencialidade estratégica que o Hamas estava desenvolvendo”, pontuou a professora. “O Hamas luta guerras urbanas de guerrilha. Quando Israel entra no território deles, está enfrentando uma região que o grupo conhece e pode ter se preparado para emboscadas.”

    Danielle Ayres avalia que Israel só deve atacar Gaza se todas as tentativas de resgate dos reféns por meio do diálogo falharem.

    *Produção de Ana Beatriz Dias.