Israel e Líbano iniciam negociação nos Estados Unidos
Governo israelense pressiona pelo desarmamento do Hezbollah; autoridades libanesas buscam cessar-fogo
Representantes de Israel e Líbano estão reunidos em Washington, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (14), enquanto as forças israelenses intensificam a guerra contra o Hezbollah.
O encontro é um marco diplomático, mas que tem agendas conflitantes: Israel descarta discussões sobre um cessar-fogo e exige que o país vizinho desarme o grupo; já o Líbano busca pausa no conflito.
A reunião ocorre em um momento crítico da crise no Oriente Médio, uma semana após o início de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
O Irã afirma que a campanha de Israel contra o Hezbollah deve ser incluída em qualquer acordo para encerrar o conflito, o que complica as negociações mediadas pelo Paquistão.
Em um sinal de que o governo americano deseja ver progresso nas negociações, o principal diplomata de Trump e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, compareceu ao início da reunião ao lado do embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, e de sua homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad.
O conselheiro do Departamento de Estado, Michael Needham, o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, e o embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, amigo pessoal de Trump, também participaram.
Líbano busca cessar-fogo
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou em um comunicado divulgado no início da reunião que esperava que ela "marcasse o começo do fim do sofrimento do povo libanês em geral e dos sulistas em particular".
O governo pediu negociações com Israel, apesar das objeções do Hezbollah, refletindo o agravamento das tensões entre o grupo xiita e seus oponentes.
O Hezbollah começou os ataques em 2 de março, em apoio ao Irã, desencadeando uma ofensiva israelense que matou mais de 2.000 pessoas e forçou 1,2 milhão a deixar suas casas, segundo as autoridades libanesas.
Ainda sobre a reunião desta terça, autoridades do Líbano afirmaram que Moawad só tem autoridade para discutir um cessar-fogo.
Mas a porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, disse que o país não discutirá um cessar-fogo.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse a jornalistas em Jerusalém, antes da reunião, que as conversas se concentrariam no desarmamento do Hezbollah, que, segundo ele, deve ocorrer antes que Israel e Líbano possam assinar qualquer acordo de paz e normalizar as relações.
Ele afirmou que o Hezbollah representa um problema para a segurança de Israel e a soberania do Líbano, "e esse problema precisa ser resolvido para que possamos avançar para uma nova fase".
"Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado libanês", declarou.
O Estado libanês busca o desarmamento pacífico do Hezbollah desde a guerra entre o grupo e Israel em 2024.
Qualquer tentativa do Líbano de desarmá-lo pela força corre o risco de desencadear um conflito em um país devastado pela guerra civil entre 1975 e 1990.
O atual governo proibiu o braço armado do Hezbollah depois que este abriu fogo em Israel no mês passado.


