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    Julgamento de Trump envolvendo atriz pornô define os sete primeiros jurados

    Painel terá, no total, doze jurados e seis suplentes

    Donald Trump perto da Trump Tower em Nova York
    Donald Trump perto da Trump Tower em Nova York 16/4/2024 REUTERS/Caitlin Ochs

    Luc CohenJack QueenAndy Sullivanda Reuters

    Nova York

    Os primeiros sete jurados para o julgamento criminal de Donald Trump envolvendo o pagamento de suborno a uma atriz pornô foram selecionados nesta terça-feira (16). O processo de escolha do júri continua: no total, serão 12 jurados e mais seis suplentes.

    O juiz também alertou os advogados que não tolerará interrupções após dizer que Trump, o candidato republicano para a eleição presidencial dos Estados Unidos de novembro, estava audivelmente murmurando enquanto um potencial jurado era questionado.

    O ex-presidente americano é alvo de 34 acusações de ter falsificado registros comerciais para acobertar um pagamento pelo silêncio da estrela pornô Stormy Daniels, pouco antes da eleição de 2016. Daniels afirma que teve um caso extraconjugal com Trump cerca de uma década antes.

    Trump se declarou inocente e nega que esse o caso aconteceu. Ele disse que o processo, apresentado pelo procurador distrital democrata de Manhattan, Alvin Bragg, é uma “caça às bruxas” partidária com o objetivo de interferir em sua campanha para derrotar o presidente democrata Joe Biden.

    O julgamento é um dos quatro processos criminais contra Trump, que também incluem acusações de ter tentado reverter o resultado eleitoral de 2020 e de ter lidado irregularmente com informações secretas. Ele se declarou inocente de todas as acusações. Os outros três casos podem ser julgados antes da eleição.

    Os sete jurados selecionados nesta terça-feira incluem um homem originalmente da Irlanda que gosta de fazer “qualquer coisa ao ar livre” e assiste tanto à MSNBC quanto à Fox News, uma mulher que trabalha como enfermeira de oncologia e gosta de levar o cachorro ao parque e um advogado corporativo que afirma que não acompanha as notícias de perto.

    Durante o questionamento do advogado de Trump, Todd Blanche, nesta terça-feira, a enfermeira disse que não tem uma opinião forte sobre o ex-presidente. Mas, ela disse, “ninguém está acima da lei”.

    A seleção do júri começou na segunda-feira (15) e pode levar pelo menos uma semana para ser concluída. O processo até agora enfatizou os desafios de escolher um grupo imparcial de jurados em Manhattan, uma cidade de tendências fortemente democratas.

    Mais da metade do grupo inicial de 96 potenciais jurados foi dispensada na segunda-feira, ao dizerem que não acreditavam que poderiam ser justos.

    Ao questionar alguns dos que permaneceram nesta terça-feira, Blanche afirmou que não se importa com as opiniões políticas dos jurados, mas queria avaliar se eles poderiam ser justos com Trump como indivíduo.

    “É extraordinariamente importante ao presidente Trump que saibamos que teremos um tratamento justo”, afirmou o advogado.

    Os jurados são anônimos, exceto para o Republicano e para os advogados dos dois lados.

    Vários candidatos a jurados disseram que não tinham opiniões fortes sobre Trump, ou que as suas opiniões não eram relevantes para o caso.

    “Se estivéssemos sentados num bar, ficaria feliz em contar para vocês”, disse um candidato a jurado, um homem que trabalha numa livraria e gosta de ir a espectáculos da Broadway. “Mas, nesta sala, o que sinto em relação ao presidente Trump não é importante.”

    O juiz Juan Merchan dispensou o jurado.

    Ao questionar os jurados nesta terça-feira, o promotor distrital assistente, Joshua Steinglass, disse que o caso não era um referendo sobre o mandato de Trump na presidência.

    “Este caso não é realmente sobre se você gosta de Donald Trump“, disse Steinglass. “Este caso é sobre o estado de direito e se Donald Trump o violou.”

    Com os jurados fora da sala de audiências, Merchan disse aos advogados e promotores que Trump murmurou e gesticulou de forma audível enquanto um potencial jurado estava sendo interrogado. O juiz disse à defesa do ex-presidente para falar com o seu cliente sobre esse comportamento.

    “Não vou tolerar isso”, disse o juiz. “Não vou permitir que nenhum jurado seja intimidado na sala de audiências.”

    Trump tem testado regularmente a tolerância dos juízes diante das suas pendências legais, e está atualmente sob uma ordem de silêncio imposta pelo juiz Juan Merchan.

    A ordem proíbe Trump de fazer declarações sobre testemunhas, funcionários do tribunal e membros da família que possam interferir no caso.