ONU pede que Filipinas deixem jornalista ganhadora do Nobel viajar para a Noruega

Nações Unidas estão "muito preocupadas" com as restrições de viagens impostas à Ressa pelo governo

A jornalista Maria Ressa levou o Nobel da Paz nesta sexta-feira (8); ela divide o prêmio o russo Dmitry Muratov
A jornalista Maria Ressa levou o Nobel da Paz nesta sexta-feira (8); ela divide o prêmio o russo Dmitry Muratov Reprodução / Prêmio Nobel

Michelle Nicholsda Reuters

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As Nações Unidas conclamaram as Filipinas a permitir que a jornalista Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel, viaje à Noruega no próximo mês para receber o prêmio.

Ressa, a primeira filipina laureada com o Nobel, compartilhou o Prêmio da Paz com o jornalista investigativo russo Dmitry Muratov, um movimento amplamente visto como um endosso aos direitos de liberdade de expressão, que estão sob pressão em todo o mundo.

Ressa solicitou a aprovação do governo para viajar à Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro.

Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que as Nações Unidas estão “muito preocupadas” com as restrições de viagens impostas à Ressa pelo governo.

“Instamos o governo das Filipinas a retirar imediatamente qualquer restrição e permitir que ela viaje a Oslo”, disse Dujarric a repórteres em Nova York.

A licença do site de notícias de Ressa, Rappler, foi suspensa e ela enfrentou uma ação judicial por vários motivos.

Os defensores dizem que ela foi alvo de seu escrutínio das políticas do governo, incluindo uma guerra sangrenta contra as drogas lançada pelo presidente Rodrigo Duterte.

A classificação das Filipinas no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2021 caiu dois degraus para 138 entre 180 países, e o Comitê para a Proteção de Jornalistas classifica as Filipinas em sétimo lugar no mundo em seu índice de impunidade, que rastreia mortes de membros da mídia cujos assassinos são libertados.

O governo nega que persiga a jornalista e diz que quaisquer problemas enfrentados pelas organizações são legais, não políticos. Diz que acredita na liberdade de expressão.

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