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    Opinião: Pouso da Índia na Lua lança luz sobre os fracassos da Rússia

    Desde o início da corrida espacial, a maior motivação para que um país invista em seus programas espaciais é aumentar o senso de prestígio nacional, dentro do país e internacionalmente

    Leroy Chiao

    Existem muitas razões pelas quais os países criam e investem em programas espaciais civis. Alguns esperam aumentar os esforços civis em ciência e tecnologia, outros buscam expandir sua força de trabalho técnica e outros ainda buscam uma maneira de motivar a próxima geração de jovens trabalhadores.

    Desde o início da corrida espacial, no entanto, a maior motivação, de longe, tem sido aumentar o senso de prestígio nacional, dentro do país e internacionalmente.

    Isso é uma grande parte do que está motivando a Índia, que nesta quarta-feira se tornou apenas a quarta nação a pousar com sucesso uma sonda na Lua.

    O marco é uma grande conquista para o programa espacial nascente, que tem feito progressos constantes ao longo dos anos. A Índia demonstrou que está empenhada em fazer investimentos significativos nos esforços de exploração espacial.

    No alvorecer da era espacial, a União Soviética, que compreendia muito bem como um programa espacial bem-sucedido poderia reforçar a sua posição no cenário nacional, atacou primeiro com o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite, em 1957.

    Embora transmitisse apenas um simples sinal sonoro, as implicações do lançamento foram enormes: a União Soviética agora podia atacar seus inimigos, incluindo os Estados Unidos, com mísseis nucleares.

    Moscou seguiu esse avanço com outros, incluindo o primeiro animal em órbita (a cadela Laika em 1957) e o primeiro humano no espaço (Yuri Gagarin em 1961).

    Enquanto a Rússia conquistava sucesso após sucesso no espaço, os Estados Unidos quase entravam em pânico. Embora os EUA seguissem com seus próprios sucessos, a impressão inicial era de que o país estava atrás dos soviéticos tecnologicamente.

    É por isso que o apelo do presidente americano John F. Kennedy para levar astronautas americanos à Lua ressoou tão profundamente no país, conquistando apoio entusiástico de democratas e republicanos no Congresso, bem como do público americano em geral.

    A corrida ao espaço era vista quase como uma guerra de sobrevivência.

    O presidente russo, Vladimir Putin, faz parte de uma longa lista de líderes a tentar usar um empreendimento espacial bem-sucedido para refletir a grandeza de sua nação. Putin esperava esta semana aproveitar o brilho de um pouso bem-sucedido do módulo lunar russo Luna-25.

    Para um efeito extra, precisando urgentemente de uma vitória de prestígio nacional, Putin programou a missão lunar para ocorrer apenas alguns dias antes da viagem à Lua do veículo rival indiano, a espaçonave Chandrayaan-3.

    A Rússia venceu a corrida, mas perdeu o jogo: um mau funcionamento fez com que o Luna-25 caísse em vez de pousar suavemente na superfície lunar. Se tivesse tido sucesso, o Luna-25 teria sem dúvida sido apresentado como “prova” de que a Rússia ainda é uma grande nação, apesar dos reveses na desastrosa guerra na Ucrânia.

    Se esses programas espaciais são espelhos de grandeza para as nações, então é interessante examiná-los mais de perto. Em ascensão estão os programas da Ásia, principalmente China e Índia.

    Ambos os países desenvolveram sofisticados motores de foguetes criogênicos, lançadores e espaçonaves. E operam várias constelações de satélites para comunicação, imagens da Terra e sensoriamento remoto, e a China tem sua própria constelação de satélites de navegação.

    A China também possui um programa de voos espaciais tripulados com uma estação espacial operacional, incluindo tripulação e espaçonaves de transporte de carga. A Índia tem planos de enviar seus próprios astronautas à órbita nos próximos anos, enquanto a China anunciou planos de enviar seus próprios astronautas à superfície lunar na década de 2030.

    O rover lunar da China ainda está explorando ativamente o outro lado da Lua, o único país até agora a colocar um módulo de pouso lá.

    Veja imagens da Lua feitas por espaçonave da Índia que pousou nesta quarta (23)

    Na parceria da Estação Espacial Internacional, EUA, Europa, Japão e Canadá também continuam avançando na exploração espacial. Após anos de atraso e custos excessivos, a missão Artemis I foi finalmente lançada no ano passado e a Nasa nomeou a tripulação do Artemis II, que inclui um astronauta canadense. A Nasa planeja retornar com humanos à Lua nos próximos anos, algo que não acontecia desde o último pouso da Apollo em 1972.

    Esses países também continuam a lançar satélites e outras espaçonaves. A Nasa continua a operar rovers em Marte. E um dos desenvolvimentos mais empolgantes no Ocidente são as parcerias entre empresas espaciais comerciais e a Nasa.

    A SpaceX é parceira da Nasa há muitos anos, enviando suprimentos e tripulação para a Estação Espacial Internacional. Eles também estão desenvolvendo um módulo lunar para a Nasa, assim como uma equipe liderada pelo bilionário Jeff Bezos, na sua empresa Blue Origin.

    Várias empresas menores estão participando em contratos para fornecer naves espaciais e serviços para a exploração lunar, no que está se revelando um avanço implacável no espaço em múltiplas frentes.

    A Rússia é a exceção. Em vez de expandir, seu programa espacial está em declínio há vários anos. O outrora grande programa começou a se desintegrar após a queda da União Soviética e a espiral descendente agora parece estar se acelerando.

    O cosmonauta Sergei Krikalev ficou preso na estação espacial soviética por quase um ano após o colapso da União Soviética devido ao caos imediato que se seguiu.

    Seu programa foi indiscutivelmente salvo pelos EUA, que apoiaram a estação espacial soviética e trouxeram a Rússia para o que se tornou o programa Estação Espacial Internacional, com dinheiro para serviços e contratos para produzir os módulos principais e outros equipamentos.

    Não se engane, a Rússia também tem sido um parceiro chave no programa da Estação Espacial Internacional. Eles forneceram transporte de tripulação e carga, enquanto o ônibus espacial ficou paralisado após o acidente do Columbia.

    Até recentemente, os foguetes e naves espaciais russas estavam entre os mais seguros e confiáveis. Mas agora o futuro do programa espacial da Rússia está em dúvida, no meio de contínuos cortes de financiamento, alegações de corrupção, politização e a falta de jovens profissionais em seu currículo.

    Nos últimos anos, a Rússia viu falhas nas espaçonaves e lançadores Soyuz e Progress, incluindo o lançamento abortado da Soyuz MS-10 em 2018, que tinha o astronauta americano Nick Hague a bordo. Luna-25 é apenas a mais recente de uma série de falhas. Felizmente, nada disso ainda resultou em mortes ou ferimentos.

    O enlameado programa espacial da Rússia reflete o estado da própria nação, incluindo o desempenho surpreendentemente fraco das forças armadas russas em sua guerra contra a Ucrânia. Em vez de tornar a sua nação novamente uma “grande potência”, Putin mostrou ao mundo o quão gravemente a Rússia está em declínio.

    O lamentável estado do programa espacial de Moscou é apenas a mais recente confirmação disso.

    *Leroy Chiao, PhD, trabalha como consultor e é o CEO e co-fundador da One Orbit LLC, uma empresa de treinamento motivacional, educação e gestão de talentos. Ele serviu como astronauta da NASA de 1990 a 2005 e voou em quatro missões ao espaço a bordo de três ônibus espaciais – e uma vez como copiloto de uma espaçonave russa Soyuz para a Estação Espacial Internacional, onde serviu como comandante durante a Expedição 10. As opiniões expressas neste comentário são de sua autoria.