Polícia promove intensa “caçada” a atirador do metrô em Nova York

Chave de veículo alugado foi encontrada junto a granadas e pistola usada em ataque, segundo a polícia

Estação de metrô no Brooklyn, em Nova York, ficou interditada após os ataques nesta terça-feira (12)
Estação de metrô no Brooklyn, em Nova York, ficou interditada após os ataques nesta terça-feira (12) David Dee Delgado/Getty Images

Pervaiz Shallwani, Shimon Prokupecz, Laura Ly, Artemis Moshtaghian e Travis Caldwellda CNN

Nova York

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Uma caçada intensa envolvendo agências policiais locais e federais está em andamento para o homem que atirou e usou granadas de fumaça em um vagão lotado do metrô de Nova York, ferindo passageiros e desencadeando uma corrida de pânico durante a hora do rush da manhã de terça-feira (12).

“A força-tarefa conjunta de terrorismo do FBI e da polícia de Nova York (NYPD) é composta por mais de 50 agências e estamos totalmente engajados nesta investigação. Ainda está em seus estágios bem iniciais. Nosso foco agora – nossos pensamentos e orações estão com as vítimas”, disse Michael J. Driscoll, diretor assistente encarregado do escritório do FBI em Nova York.

Os investigadores identificaram uma “pessoa de interesse” que eles acreditam que alugou uma van de serviços relacionada ao tiroteio na estação de metrô da 36th Street em Sunset Park, no Brooklyn.

Frank James, 62, ainda não é apontado como suspeito. James tem endereços em Wisconsin e na Filadélfia, onde o veículo foi alugado, disse o chefe dos detetives da NYPD, James Essig.

“As chaves daquela van alugada foram encontradas no metrô entre os pertences do atirador”, disse Essig. “Não sabemos agora se o senhor James tem alguma conexão com o acontecido no metrô. Isso ainda está sob investigação.”

O veículo foi encontrado perto da estação e foi liberado após análise pelo esquadrão antibombas, disse a polícia. A van será transportada para um local forense onde as autoridades federais e locais poderão vistoriar o veículo em um ambiente controlado, disse um oficial sênior da lei à CNN.

O atirador disparou pelo menos 33 vezes e atingiu 10 pessoas, segundo Essig. No total, 29 pessoas foram hospitalizadas com alguma relação ao tiroteio, com ferimentos que incluem ferimentos a bala, inalação de fumaça ou queda ao tentar escapar, disseram autoridades.

Nenhum dos ferimentos parece ser fatal, disse o comissário da polícia de Nova York, Keechant Sewell.

“Sabemos que este incidente é de grande preocupação para os nova-iorquinos”, disse Sewell. “Não podemos perder de vista as vítimas nesta cidade. Usaremos todos os recursos que pudermos para levar à justiça aqueles que continuam a atacar os cidadãos de Nova York”.

Ainda não se sabe o motivo dos disparos. O ataque não está sendo investigado como um ato de terrorismo, mas as autoridades não descartaram nada, disse Sewell, acrescentando que as vítimas têm origens diversas.

Uma recompensa de 50 mil dólares por informações que levem à prisão do suspeito foi oferecida, de acordo com um comunicado da Autoridade Metropolitana de Transportes (MTA). O MTA e o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte (TWU) local ofereceram, cada um, US$ 12,5 mil em dinheiro como recompensa e a New York City Police Foundation ofereceu US$ 25 mil adicionais.

“Os condutores precisam se sentir seguros. Meus membros precisam se sentir seguros. Nós não apenas entramos e saímos do sistema. Passamos turnos inteiros lá todos os dias e noites. Esse cara tem que ser preso”, disse o presidente da TWU, Tony Utano.

O serviço através das linhas de metrô D, N e R foi restabelecido na estação de metrô da 36th Street e está “com atrasos”, disse o MTA na quarta-feira (13). Os passageiros estavam em um trem N com destino a Manhattan que se aproximava da estação quando o tiroteio começou.

Juntando as peças do que aconteceu

A coleta de evidências para o incidente “levará algum tempo”, de acordo com Driscoll, mas acrescentou que estava grato aos moradores e testemunhas oculares que já deram um passo à frente com informações.

Os investigadores têm um vídeo de celular de uma testemunha ocular que mostra o suspeito, disse uma fonte da lei à CNN.

Dentro da estação, o vídeo de vigilância pode não estar disponível para análise. Uma investigação preliminar indica que houve algum tipo de mau funcionamento com o sistema de câmeras na estação, disse o prefeito Eric Adams à rádio WCBS.

Existem quase dez mil câmeras no sistema MTA, incluindo quase 600 câmeras na seção do Brooklyn, onde ocorreu o ataque, disse o presidente e CEO da MTA, Janno Lieber, a Jake Tapper, da CNN.

“Vamos trabalhar com a NYPD para capturar todo esse vídeo para descobrir onde esse criminoso pode ter entrado ou saído do sistema”, disse Lieber. “E também estamos revisando com todos os envolvidos, todas as informações.”

Os investigadores encontraram uma pistola Glock 9 mm, três pentes estendidos, duas granadas de fumaça detonadas, duas granadas de fumaça não detonadas, um machado e a chave da van no local, disse Essig. Dois funcionários disseram à CNN que acreditam que a arma travou durante o ataque a tiros.

Um cartão de crédito usado para alugar o veículo também foi encontrado, disseram duas fontes policiais à CNN.

/ Reprodução/CNN

Vídeos vinculados a James

James, descrito como investigado pela NYPD, foi vinculado a vários vídeos desconexos postados em um canal do YouTube. Uma captura de tela de um dos vídeos foi usada em um panfleto da polícia pedindo informações sobre o tiroteio.

James falou sobre violência e tiroteios em massa nos vídeos, incluindo um postado na segunda-feira (11), no qual ele disse que pensou em matar pessoas que presumivelmente o machucaram.

“Já passei por muita merda, onde posso dizer que queria matar pessoas. Eu queria ver as pessoas morrerem bem na frente da minha cara imediatamente. Mas eu pensei no fato de que, ei cara, eu não quero ir para nenhuma prisão”, disse ele.

Em outro vídeo postado na semana passada, James, que é negro, fala sobre abuso nas igrejas e racismo no local de trabalho, usando linguagem misógina e racista.

Muitos dos vídeos que James enviou incluíam referências à violência, inclusive em um grupo definido de pessoas que ele acreditava que o difamavam, além de amplos grupos sociais e raciais que ele parecia odiar.

Em outro vídeo postado no mês passado no mesmo canal, James disse que teve estresse pós-traumático. Nesse vídeo, James disse que deixou sua casa em Milwaukee em 20 de março. Durante a viagem para o leste, ele disse que estava indo para a “zona de perigo”.

“Você sabe, isso está provocando muitos pensamentos negativos, é claro”, disse ele no vídeo. “Eu tenho um caso grave de estresse pós-traumático.”

A CNN entrou em contato com James e sua família para comentar, mas não recebeu uma resposta.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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