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    Putin discursou para os russos, não para os líderes mundiais, diz especialista

    À CNN, professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit avaliou o discurso de Putin sobre independência de regiões separatistas da Ucrânia

    Anna Gabriela Costada CNN

    em São Paulo

    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu nesta segunda-feira (21) a independência de duas áreas separatistas da Ucrânia. O anúncio foi feito durante um pronunciamento televisionado nesta tarde. À CNN, o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit avaliou o discurso do líder russo e destacou que ele priorizou a relação com os eleitores de seu país.

    “Esse discurso de Putin foi fundamentalmente paro o público russo, não foi fundamentalmente para outros líderes mundiais, porque ele precisa dar uma resposta de dureza, de que ele está mostrando um resultado para que o eleitor russo saia satisfeito, de que está defendendo a Rússia e tomou uma decisão defendendo os interesses russos. Tudo muito bem coreografado: no pronunciamento, na petição que o governo russo já fez”, afirma o especialista.

    Antes de assinar o documento com a decisão e acordos de cooperação com as autodeclaradas repúblicas, ele afirmou mais uma vez que a situação no Leste da Ucrânia é crítica e que o país é parte da história da Rússia.

    O professor Gunther Rudzit avalia o cenário de hoje como uma situação similar ao que ocorreu em 2008, quando a Rússia invadiu o território da Geórgia. “Uma maioria de russos que se revoltaram contra o governo da Geórgia e essa foi a deixa para o governo russo invadir, derrotar em cinco dias, justamente no ano que começou a se discutir a entrada da Geórgia na Otan, assim como da própria  Ucrânia”, disse.

    “Infelizmente a Ucrânia vai estar nessa situação, em que perdeu parte de seu território, mais uma vez, como ocorreu com a Crimeia em 2014”, acrescentou Rudzit.

    Reações de líderes mundiais

    Diversos líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenaram a decisão do presidente da Rússia.

    O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que será necessário “aplicar o máximo de pressão contra a Rússia“.

    “Está ficando claro que precisaremos começar a aplicar o máximo de pressão possível, porque é difícil ver como essa situação melhora”, afirmou Johnson em coletiva de imprensa.

    “Isso é claramente uma violação do Direito Internacional. É uma violação, uma violação flagrante da soberania e integridade da Ucrânia“, complementou.

    A ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, disse que sanções serão anunciadas nesta terça-feira (22), algo que, segundo ela, foi acordado com Josep Borrell, representante de Relações Exteriores da União Europeia.

    O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conversou com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, após o discurso de Putin. Ele também informou que planeja falar com Boris Johnson e que convocou o conselho de segurança e defesa nacional.