Rússia e China defendem menor interferência ocidental

Presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping se reuniram nesta quarta-feira (15) por videoconferência

Da Reuters

Moscou

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Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, participaram de uma videoconferência nesta quinta-feira (15) e concordaram que os dois países devem se manter firmes na postura de rejeitar a interferência ocidental e defender os interesses de segurança uns dos outros.

Na conversa deles, oito dias depois de Putin falar com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em um formato semelhante, foi ressaltado como a hostilidade compartilhada ao Ocidente está aproximando Moscou e Pequim.

“No momento, certas forças internacionais sob o pretexto de ‘democracia’ e ‘direitos humanos’ estão interferindo nos assuntos internos da China e da Rússia e espezinhando brutalmente o direito internacional e as normas reconhecidas de relações internacionais”, noticia a agência estatal chinesa Xinhua, citando XI Jinping.

“China e Rússia devem aumentar seus esforços conjuntos para proteger mais efetivamente os interesses de segurança de ambas as partes.”

O assessor do Kremlin Yuri Ushakov disse a repórteres que Jinping ofereceu apoio a Putin em sua tentativa de obter garantias de segurança obrigatórias para a Rússia do Ocidente, dizendo que entendia as preocupações de Moscou. Ele disse que a dupla também expressou sua “visão negativa” da criação de novas alianças militares, como a parceria AUKUS entre Austrália, Grã-Bretanha e os Estados Unidos e o “Quad” Indo-Pacífico da Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos.

Pressão

O apelo destacou as maneiras como a Rússia e a China estão se apoiando mutuamente em um momento de alta tensão em suas relações com o Ocidente. A China está sob pressão por causa de assuntos relacionados aos direitos humanos e a Rússia é acusada de comportamento ameaçador em relação à Ucrânia.

O Kremlin disse que Putin informou Jinping sobre sua conversa com Biden, na qual o presidente dos EUA advertiu a Rússia contra a invasão da Ucrânia —que Moscou nega estar planejando— e Putin expôs sua exigência de promessas de segurança. “Um novo modelo de cooperação foi formado entre nossos países, baseado, entre outras coisas, em princípios como a não interferência nos assuntos internos e o respeito pelos interesses mútuos”, disse Putin ao líder chinês.

Ele disse que esperava encontrar Jinping nas Olimpíadas de Inverno em Pequim, em fevereiro —um evento que a Casa Branca disse na semana passada que funcionários do governo dos EUA boicotariam por causa das “atrocidades” dos direitos humanos na China contra muçulmanos na região oeste de Xinjiang.

“Gostaria de observar que invariavelmente apoiamos uns aos outros em questões de cooperação esportiva internacional, incluindo a rejeição de qualquer tentativa de politizar os esportes e o movimento olímpico”, disse o presidente da Rússia.

Putin usou a parceria da Rússia com a China como uma forma de equilibrar a influência dos EUA enquanto fecha negócios lucrativos, especialmente em energia. Ele e Jinping concordaram este ano em estender um tratado de amizade e cooperação de 20 anos.

O líder russo disse que o comércio bilateral cresceu 31% nos primeiros 11 meses deste ano, para US$ 123 bilhões, e os dois países pretendem ultrapassar US$ 200 bilhões no futuro próximo.

Ele disse também que a China está se tornando um centro internacional de produção das vacinas russas Sputnik e Sputnik Light contra a Covid-19, com contratos assinados com seis fabricantes para produzir mais de 150 milhões de doses.

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