Rússia pode ganhar guerra a qualquer momento com poderio “sem freio”, diz professor

À CNN Rádio, Marcelo Suano explicou que uso da força russa em sua totalidade causaria matança civil que não interessa à Rússia

Amanda Garcia, Bel Campos e Bruna Sales, da CNN, em São Paulo
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Desde o início da invasão russa à Ucrânia, mais de 3,5 milhões de pessoas já deixaram o país e mais de 900 civis foram mortos em bombardeios e ataques. No último fim de semana, os Estados Unidos comprovaram o uso de mísseis hipersônicos durante os ataques russos na Ucrânia – a primeira vez que esse tipo de ataque é praticado pela Rússia.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais de Direito no Ibmec-SP, Marcelo Suano, a guerra é custosa para russos, mas eles poderiam vencê-la “a qualquer momento.”

“A desproporção de tropas é muito grande, a resistência ucraniana tem sido monumental e a guerra é custosa para a Rússia, mas eles podem ganhar a qualquer momento se usarem a massa desproporcional de forma sem freio”, explicou.

O professor, no entanto, ponderou que a utilização de todo o potencial russo causaria “matança civil”. “Isso é algo que não está no cenário estratégico russo, pelo o que representaria para o mundo e população, ele precisa ganhar sem ter efeitos colaterais.”

De acordo com Suano, as negociações entre Rússia e Ucrânia estão “num processo correto”.

“É um escalonamento, você nunca coloca as principais autoridades numa primeira reunião, não leva o tomador de decisão de última instância", avalia.

A tentativa do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de já encontrar o mandatário russo, Vladimir Putin, é estratégica, na avaliação do especialista.

“Zelensky busca colocar o líder de um país cercado, que foi invadido, que tem núcleos de resistência, mas está enfrentando um país muito mais forte, para utilizar propagandisticamente o fato de confrontar o líder da potência invasora, é um ponto positivo para a liderança dele”.