Tribunal ucraniano vai ouvir 1º caso de crime de guerra contra soldado russo

Vadim Shishimarin, de 21 anos, é acusado de assassinar um civil ucraniano de 62 anos

Vadim Shishimarin (á direita) dá entrevista a um blogueiro ucraniano
Vadim Shishimarin (á direita) dá entrevista a um blogueiro ucraniano Reprodução/Youtube

Natalia ZinetsTom Balmforthda Reuters

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Um tribunal ucraniano deve começar nesta sexta-feira (13) a julgar o primeiro caso de crimes de guerra decorrente da invasão da Rússia em 24 de fevereiro, em acusação de um soldado russo capturado pelo assassinato de um civil de 62 anos.

O caso é de enorme importância simbólica para a Ucrânia. O governo ucraniano acusa a Rússia de atrocidades e brutalidade contra civis durante a invasão e diz que identificou mais de 10.000 possíveis crimes de guerra.

A Rússia negou mirar civis ou qualquer envolvimento em crimes de guerra e acusou Kiev de encená-los para difamar suas forças.

O site do tribunal distrital de Kiev identificou o soldado em julgamento como Vadim Shishimarin e disse que ele foi acusado de “violações das leis e normas de guerra”.

O gabinete do procurador-geral ucraniano disse que o réu tem 21 anos e integrava a divisão de tanques Kantemirovskaya da região de Moscou. Shishimarin enfrenta prisão perpétua pelo assassinato na vila de Chupakhivka, no nordeste da Ucrânia, em 28 de fevereiro.

Não está claro se ele comparecerá ao tribunal ou quem o defenderá.

Em um comunicado, o gabinete do procurador-geral disse que o soldado roubou um carro de uma propriedade privada para escapar com outros quatro militares russos depois que seu grupo foi alvo de forças ucranianas.

O comunicado disse que os soldados russos entraram na vila de Chupakhivka, onde viram um morador desarmado andando de bicicleta e falando ao telefone.

Segundo o procurador, o suspeito foi ordenado a matar o civil para impedi-lo de relatar a presença dos russos e disparou vários tiros pela janela aberta do carro com um rifle.

O Serviço de Segurança da Ucrânia conduziu a investigação sobre o caso.

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, disse na quinta-feira (12) que há muitos exemplos de possíveis crimes de guerra desde a invasão russa e que 1.000 corpos foram recuperados até agora na região de Kiev.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) disse em 25 de abril que participaria de uma equipe conjunta com promotores ucranianos, poloneses e lituanos que investigam alegações de crimes de guerra contra as forças russas.

A Rússia chama suas ações na Ucrânia de “operação especial” para desarmar o país e protegê-lo dos fascistas, negando que suas forças cometeram abusos.

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