Xi pede moderação ao Talibã e ação coordenada com Putin no Afeganistão

Líderes mostraram interesse em trabalhar em conjunto para impedir que "forças estrangeiras destruam" o país do Oriente Médio

João de Marida CNN

Em São Paulo

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O presidente chinês Xi Jinping pediu moderação ao Talibã na governabilidade do Afeganistão para construir uma estrutura política aberta e inclusiva. Com isso, o país implementaria políticas internas e externas moderadas e prudentes com objetivo de se afastar dos grupos terroristas, mantendo relações amigáveis ​​com o resto do mundo, sobretudo as nações vizinhas.

A declaração foi feita em uma videoconferência com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quarta-feira (25), na primeira conversa dos chefes sobre a crise no país. Os líderes disseram que vão intensificar esforços para lidar com a crise e fortalecer a comunicação com a comunidade internacional em uma ação coordenada.

Na ligação com Putin, Xi não teria escondido os interesses de trabalhar em conjunto com o russo para impedir que “forças estrangeiras destruam” o país do Oriente Médio.

No entanto, o presidente da China teria ressaltado que respeita a soberania e independência do Afeganistão e, por este motivo, não deseja interferir nos assuntos internos do país.

Entre os pontos em comum da união entre os presidentes está o combate ao terrorismo e o contrabando de drogas. Os líderes querem evitar que os riscos à segurança “se espalhem” no Afeganistão e tentam uma empreitada no país após a retirada norte-americana.

Retirada do Afeganistão até 31 de agosto

A conversa aconteceu um dia após o encontro dos líderes do G7, uma organização com uma das maiores economias do mundo, como os Estados Unidos, Alemanha e o Reino Unido. China e Rússia não fazem parte do grupo sendo consideradas um contraponto na comunidade internacional

Na terça-feira (24), o presidente dos EUA, Joe Bieden, se reuniu com líderes do G7 para debater sobre o futuro no Afeganistão. “Houve um forte acordo entre os líderes, tanto sobre a missão de evacuação em andamento quanto sobre a necessidade de coordenar nossa abordagem ao Afeganistão à medida que avançamos”, disse Biden.

Segundo o presidente norte-americano, os Estados Unidos “estão no ritmo” para retirar seus cidadãos e aliados do Afeganistão e “cumprir a missão” de evacuação até o dia 31 de agosto.

“Nós concordamos que vamos continuar numa cooperação para retirar as pessoas em segurança. Manteremos o prazo de 31 de agosto, mas quanto antes terminar melhor”, afirmou Biden.

Em coletiva de imprensa na mesma terça, representantes do Talibã declararam que o prazo do dia 31 de agosto é inflexível e disseram que se as tropas americanas permanecerem além da data, isso equivaleria a uma “violação clara” de seu acordo com os Estados Unidos.

China pede responsabilização dos EUA

Mais cedo na terça, o enviado da China às Nações Unidas disse que o exército dos Estados Unidos e os militares de outros parceiros da coalizão deveriam ser responsabilizados por supostas violações de direitos que cometeram no Afeganistão.

“Os EUA, Reino Unido, Austrália e outros países devem ser responsabilizados pela violação dos direitos humanos cometida por seus militares no Afeganistão e a evolução desta sessão atual deve cobrir essa questão”, disse o embaixador da China, Chen Xu, em uma sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos sobre a situação no Afeganistão.

Segundo o embaixador, os EUA e outro países realizaram intervenções militares que trouxe “grande sofrimento”.

“Sob a bandeira da democracia e dos direitos humanos, os EUA e outros países realizam intervenções militares em outros estados soberanos e impõem seu próprio modelo a países com história e cultura muito diferentes”, disse ele, dizendo que isso trouxe “grande sofrimento”.

(*Com informações da Reuters)

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