Jorge Oliveira: 'Se Weintraub fizer difamação, responderá por isso'

Para ministro da Secretaria-Geral da Presidência, filmagem da reunião ministerial foi 'uma afronta ao governo' e 'extrapolou o limite'

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
15 de junho de 2020 às 09:21 | Atualizado 15 de junho de 2020 às 12:10

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, disse à CNN, nesta segunda-feira (15), que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fala por si só e "se fizer difamação, responderá por isso".

Weintraub foi convocado a depor no inquérito sobre fake news e ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de declarações dadas na reunião ministerial de 22 de abril. O vídeo desse encontro foi anexado a outro inquérito, que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal, e, posteriormente, o conteúdo veio a público. No encontro, Weintraub defendeu a prisão de ministros do STF e os chamou de "vagabundos".

Ainda sobre a reunião, Oliveira afirmou, em entrevista a Basília Rodrigues, que a divulgação da filmagem do encontro foi "uma afronta ao governo" e "extrapolou o limite".

Nesse domingo (14), o ministro disse no Twitter que “ataque ao STF ou a qualquer instituição de Estado é contrário à nossa democracia, prejudica nosso país, e deve ser repudiado”.

Ele se referia ao ataque realizado na noite de sábado (13), quando manifestantes lançaram fogos de artifício em direção ao edifício do Supremo, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O presidente do STF, Dias Toffoli, pediu a investigação dos participantes e financiadores do ato

Sobre o tuíte, Oliveira afirmou que não foi uma manifestação de solidariedade ao STF de forma isolada. "Particularmente me manifestei na minha conta pessoal tratando da democracia do país. Todos os poderes têm que ser respeitados igualmente", disse.

Ele citou o episódio recente quando uma pessoa jogou um balde de tinta vermelha na rampa do Palácio do Planalto, ato classificado pelo ministro como "uma afronta ao poder". "Isso extrapola a manifestação legítima que seja contrária às ações do governo."

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Sobre a prisão da ativista Sara Winter, em uma operação da Polícia Federal realizada na manhã desta segunda-feira, Oliveira disse que não tem como se manifestar sobre o assunto. "A autoridade que determinou [a prisão] possivelmente deve ter as suas motivações."

Jorge Oliveira chegou ao governo assumindo a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, e em junho de 2019, foi nomeado por Bolsonaro como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, substituindo o general de divisão do Exército Brasileiro, Floriano Peixoto Vieira Neto. 

Oliveira é formado em Direito e em Administração de Segurança Pública, e pós-graduado em Direito Público. Ele também é especialista docente em Assessoria e Consultoria Parlamentar.